Registros de Época

As páginas do livro de registro de instalação e posse do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul hoje estão amareladas pela ação natural do tempo. Afinal, no dia 25 de abril de 1947, ocorria, no Salão Nobre da Associação Comercial de Porto Alegre, a solenidade de sua fundação.

No alto da página, aparece a assinatura de Henrique Desjardins, primeiro presidente da entidade e detentor do registro nº 1, seguida por mais 109, cuidadosamente desenhadas, evidenciando o peculiar esmero da caligrafia da época, que era, inclusive, um dos requisitos para o exercício da profissão de “guarda-livros”, assim denominados os profissionais até o início do século passado.

Este é o primeiro registro físico da entidade, atualmente sediada no Bairro Menino Deus, em Porto Alegre, na Rua Baronesa do Gravataí, ocupando uma área aproximada de 6.440 m², e também um marco histórico de uma trajetória que inclui conquistas e avanços.

Caracterizada por gestões empreendedoras, o CRCRS iniciou suas atividades em salas locadas no 5º andar de prédio situado na Rua Uruguai, nº 35, em Porto Alegre, onde também estavam instalados a Federação dos Contabilistas do RS e o Sindicato dos Contabilistas de Porto Alegre. Em setembro de 1948, transferiu-se para a Rua Riachuelo, 1641, onde hoje está localizado o Sindicato dos Contabilistas de Porto Alegre. De 1964 a 1981, a entidade teve por sede dois andares na Rua Gen. Câmara, 365, também no Centro da Capital. No ano de 1975, foi adquirido o terreno onde a entidade está atualmente sediada e, no ano seguinte, iniciada a sua construção, que teve sua inauguração em agosto de 1981.

Desde que foi fundado, já presidiram o CRCRS: Henrique Desjardins, Zilmar Bazerque Vasconcellos, Holy Ravanello, Pedro José de Souza Pires, Antonino Rodrigues Bichinho, José Carlos Paim de Camargo, Wilson Oliva, Alfredo Ernesto Keller, Amir Vianna da Silveira, Armênio Salatino, Artur Daniel Beust, José Silva de Araújo, João Verner Juenemann, Edgar Saúl Corrêa de Oliveira, Erly Arno Poisl, Olivio Koliver, Arthur Nardon Filho, Ivan Carlos Gatti, Valério Geraldo Baum, José João Appel Mattos, Enory Luiz Spinelli, Rogério Rokembach, Zulmir Breda e Antônio Palácios.


 Criação do CRCRS

Na edição de janeiro/fevereiro de 1947, saiu publicada notícia sobre a criação do CRCRS:

“Realizou-se no dia 17 de dezembro de 1946, nesta Capital, a assembléia geral extraordinária dos associados do Sindicato dos Contabilistas de Porto Alegre a fim de elegerem a sua delegação que deverá eleger o Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul.

No dia 26 do mesmo mês, e com o mesmo objetivo, realizou-se em Pelotas, a assembléia geral extraordinária dos associados do Sindicato dos Contabilistas de Pelotas.
A delegação eleita pelo Sindicato dos Contabilistas de Porto Alegre é a seguinte:
Contadores:
*Carlos Krüger
*Euclides M. Moraes
*Henrique Desjardins
*Holy Ravanello
*Oswaldo Ehlers
*Zilmar Bazerque Vasconcellos
Guarda-livros:
*Antonio Rodrigues Bichinho
*José Chaves
*Raul Martins de Souza

Pelo Sindicato de Contabilistas de Pelotas foi eleita a seguinte delegação:
Contadores:
*Antonio André Pinto
*Antonio Nicolau Alves
*Celso de Farias Eston
*Clóvis de Corrêa Oliveira
*Francisco Gomes Filho
*João Neves Antunes
Guarda-livros:
*Alfredo Muswieck
*José Assia Corrêa
*Silvio Baiverdú

Estas duas delegações deverão no próximo mês de março eleger nesta Capital o Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul, o qual será constituído de seis contadores e três guarda-livros.
A seguir proceder-se-á a eleição do presidente que deverá recair num dos membros componente do citado Conselho Regional de Contabilidade.”

Fonte: Revista Rio-grandense de Contabilidade, v. 14, n 148/149, jan./fev. 1947.

“Realizou-se no dia 2 de abril corrente, na sede do Sindicato dos Contabilistas de Porto Alegre, sita a Rua Uruguai, 35, a reunião das delegações eleitas pelos Sindicatos dos Contabilistas de Pelotas e Porto Alegre, e que elegeram os nove conselheiros que integraram o Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Rio Grande do Sul.
Os citados conselheiros eleitos são os seguintes:
*Carlos Krüger
*Euclides Menezes de Moraes
*Henrique Desjardins
*Holy Ravanello
*José Chaves
*Oswaldo Ehlers
*Othero Ortiz
*Raul Martins de Souza
*Zilmar Bazerque de Vasconcelos

O resultado desta eleição foi homologado no dia 18 do mesmo mês pelo Conselho Federal de Contabilidade.
Constituído assim legalmente o Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Rio Grande do Sul, este reuniu-se, pela primeira vez, no dia 23 de abril, em sua sede provisória, a Rua Uruguai, e procedeu a eleição de seu Presidente, que recaiu na pessoa do Conselheiro Henrique Desjardins.
No dia 25 de abril – Dia do Contabilista – realizou-se, no salão nobre da Associação Comercial de Porto Alegre, a posse dos Conselheiros e instalação do mencionado Conselho.

Fonte: Revista Rio-grandense de Contabilidade v. 14, n. 150/151, mar./abr. 1947.


Nova sede do CRCRS

Para a construção da nova sede, em terreno sito na Rua Baronesa do Gravataí nº 161, 171 e 477, que mede 21,90 metros de frente por 55,00 metros de extensão de frente aos fundos, por ambos os lados, o Regional firmou contrato com a CEDRO – Companhia Estadual de Desenvolvimento Regional e Obras – contrato cujo objetivo é a elaboração do projeto final de engenharia, do projeto arquitetônico, abertura e julgamento de licitações, projeto legal, projetos regulares (fundações, instalações hidráulicas, estruturais, instalações elétricas, instalações da rede e telefônica).

A área a construir é de 2.352 m², com um movimento de terra de volume aproximado a 1.000 m³.
O prédio será de cinco pavimentos, atendido por dois elevadores, com funções do tipo estacas Franki; seu volume de concreto atingirá 1.122 m³. As esquadrias externas serão executadas em alumínio e seus vidros na cor cinza “fumé”.

A cobertura da obra será constituída por terraços visitáveis, estruturados em laje de concreto armado.
Já foram efetuadas as licitações dos elevadores e da supra-estrutura. O fac-símile que apresentamos é do ofício enviado à EBRAF, empresa vencedora da licitação do estaqueamento, para autorizar sua execução.

Fonte: Revista do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, n. 17, 1977.

Inauguração da nova sede do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul

O Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul inaugurou, oficialmente, no dia 21 de agosto, sua nova sede, à Rua Baronesa do Gravataí nº 471, junto ao Centro Administrativo do Estado, em Porto Alegre.
O prédio de cinco pavimentos totaliza 2.351 m² de área construída com recursos próprios, advindos da receita normal do CRCRS, sem qualquer financiamentos de terceiros. A obra foi administrada diretamente pela própria entidade, sob a supervisão de um engenheiro especialmente contratado.
O Conselho Federal de Contabilidade deslocou seu plenário para o Rio Grande do Sul e realizou, no dia 21, uma sessão plenária nas novas dependências do CRCRS, ocasião em que foi aprovado o novo Regimento Interno do Regional.

As cerimônias oficiais iniciaram às 19h30min e contaram com a presença de Sua Excelência o Dr. José Augusto Amaral de Souza, Governador do Estado, do Vice-Governador, Dr. Octávio Badui Germano, de Sua Excelência Reverendíssima o Cardeal Dom Vicente Scherer, Arcebispo de Porto Alegre, do Secretário da Fazenda, Dr. Mauro Knijnik, do Deputado Estadual Roberto Atayde Cardona (Técnico em Contabilidade e ex-Delegado do CRCRS), do Procurador Geral da Justiça, Dr. Mondercil Paulo, do Contador Ynel Alves de Carvalho, ex-Presidente do CFC, do plenário do CFC, tendo à frente seu Presidente, Contador Nilo Antonio Gazire, e seu vice-Presidente, Contador João Verner Juenemann, de ex-Presidentes do CRCRS, de professores universitários, de Presidentes de outros órgãos de fiscalização, de Conselheiros e ex-Conselheiros do CRCRS, de Delegados Regionais do CRCRS, de Presidentes de outras Regionais do CRCRS, de Presidentes de outras Regionais de Contabilidade, de Presidentes de Entidades da Classe, de Contadores e Técnicos em Contabilidade e de outras pessoas gradas.

A mesa oficial, para a inauguração, que esteve ocupada pelo Cardeal Dom Vicente Scherer, que deu a bênção “à casa dos Contadores e dos Técnicos em Contabilidade”, pelo Governador Amaral de Souza e Vice-governador, pelo Presidente do CFC, pelo Procurador Geral da Justiça, pelo deputado Cardona, vice-líder do governo e pelo Presidente do CRCRS.
Os discursos estiveram a cargo do próprio Governador, do Presidente do CFC, e do Presidente do CRCRS.

O discurso do Presidente do Conselho Regional de Contabilidade, Contador Olivio Koliver:

A placa comemorativa da inauguração desta sede, recém descerrada pelo Senhor Governador do Estado, assinalando a união, o esforço, a capacidade e a perseverante da Classe Contábil do Rio Grande do Sul, sintetiza o que deve ser dito pelos seus representantes, nessa noite de júbilo e festa.

Com efeito, somente da união de todos os profissionais, da adesão irrestrita dos dois segmentos que compõem a Classe, os Contadores e os Técnicos em Contabilidade, poderia ter resultado tão assinalada e grandiosa obra. Tivessem predominado os particularismos, os interesses pessoais, a cosmovisão estreita, enfim, as atitudes essencialmente negativas, promotoras de destruição, jamais teríamos atingido nosso objetivo. E cabe-nos rogar pelas luzes do Criador, para que essa união continue florescendo adiante e que sejam derrotados todos aqueles que cultivam a desagregação, pois somente coesos prosseguiremos fortes.

O esforço da Classe é cristalino, pois a obra evidencia, de per si, que somente a colaboração de todos os profissionais, mantenedores deste Conselho através de suas contribuições, seria alicerce suficiente para tão formidável empreendimento. Mas também é justo o registro do esforço dos Conselheiros e Delegados que, ao longo deste sete anos, exercitaram silenciosamente a sua atividade, trabalharam e construiram, sem outro interesse que não o da sua Classe. Colegas conselheiros: embora ciente de que o aplauso jamais foi o vosso escopo, a Classe vos agradece e a todos os que vos antecederam.

Ao enaltecermos a capacidade dos integrantes da nossa grande família, a Classe Contábil, abandonamos o terreno puramente material, e adentramos o universo do intelecto, da percepção, da vontade. E, nesse ponto, ordena a justiça que reconheçamos que somente uma Classe com visão ampla e aprofundada das coisas, com preparo, tirocínio e vontade firme, teria aceito o desafio e, serenamente, vencido as dificuldades e percalços, tão naturais quando os objetivos são altos.

Com recursos ilimitados é simples a tarefa, mas, assim mesmo, muitos, por incapazes ou perdulários, nada realizam. Mas, no nosso caso, como em todos os Conselhos de fiscalização profissional, escassos foram os meios, e somente a racionalidade de procedimento, a eficácia no gerenciamento, o aproveitamento oportuno de todas as oportunidades, a eliminação completa do supérfluo e de poucos os eventuais privilégios pessoais, poderiam concretizar o sonho acalentado há tantos anos.

A prova material das nossas assertivas encontra-se à vista de todos, pois os quase 2.400 metros quadrados não ultrapassaram o custo total de Cr$ 34.000.000,00, incluídas as instalações, valor em mais de setenta por cento aplicado nos últimos dois anos, o que resulta em custo extremamente modesto por metro quadrado, notadamente se considerarmos a qualidade do que foi feito.
Mas, essa análise sucinta não estaria completa caso não déssemos resposta a uma indagação que, provavelmente, muitos estarão formulando veladamente: a obra fez com que as verdadeiras finalidades do Conselho fossem esquecidas?
Tranqüilizem-se aqueles que assim indagam, pois no período de maior aplicação de recursos, a atividade precípua do Conselho, a fiscalização do exercício profissional, tanto em termos técnicos como éticos, foi incentivada ao máximo, e hoje somente um Conselho co-irmão rivaliza conosco em número de fiscais, em estrutura de fiscalização e em atividade fiscalizadora.

De outro lado, dependemos grande soma de trabalho na racionalização dos procedimentos internos, e procedemos à reforma da própria estrutura do órgão, com vistas à dinamização do exercício das suas atividades precípuas, numa concepção por muitos qualificada de revolucionária. No dia de hoje a reforma foi aprovada pelo Colendo Conselho Federal de Contabilidade.

Senhor Governador, demais autoridades, colegas!
Ultimada a análise das quatro palavras que constituem o leit-motiv da nossa placa inaugural, afixada no pedestal da escultura do “Negrinho do Pastoreio”, cabe lembrar, especialmente, para os colegas de outros Estados, que este é um dos símbolos telúricos deste nosso velho Rio Grande, onde trabalha a Classe que construiu essa obra. Este nosso Estado de horizontes amplos, como devem ser os horizontes da nossa Classe. E o nosso Negrinho, também símbolo de integração, levanta, metaforicamente, o sol, símbolo de gênese, energia, luz e vida.

É o que esperamos que este prédio e os seus ocupantes ajudem a promover.

O Presidente do Conselho Federal de Contabilidade, Contador Nilo Antônio Gazire, em sua alocução, salientou que era confortante participar da solenidade, sobretudo porque “essa obra foi edificada não apenas com preocupação física ou meramente estética. Na edificação é perceptível o amor, o respeito e a dedicação ao nosso trabalho profissional.”

Finalizando, afirmou o Presidente Gazire: ‘Ao instalar-se esta nova sede, o Conselho de Contabilidade do Rio Grande do Sul dá a todos os outros Estados um grande e histórico exemplo de dinamismo. Esse dinamismo de que a nação brasileira parece estar tão carente, para romper os grilhões do pessimismo e ingressar numa época de afirmação da nossa capacidade em construir um país desenvolvido, próspero e respeitado.’
O Governador Amaral de Souza, em seu discurso, ressaltou a fé demonstrada nas palavras de Dom Vicente Scherer, e o otimismo do Presidente do Conselho Federal de Contabilidade. O Governador apelou à Classe Contábil “para que permaneça unida e coesa, para enaltecer e ajudar o país a crescer cada vez mais e para que possamos dizer aos nossos filhos que cumprimos com o nosso dever”. E concluiu o Governador Amaral de Souza: “A vida é a maior dádiva que Deus nos deu. Portanto, deve o homem estar preparado para vencer todos os desafios e obstáculos. Essa é a minha mensagem de fé. Os valores da fé são os valores do amor, da compreensão. Aqueles que evocam o mal e a violência nunca construíram nada”.

A placa alusiva à data, encimada por estátua do Negrinho do Pastoreio, de Vasco Prado, foi descerrada, em conjunto, pelo Governador Amaral e pelo Presidente do CRCRS.

Fonte: Revista do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, n. 29, 1981.