25
de abril – Dia do Contabilista
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..A
fim de ilustrarmos este acontecimento e como forma de informação
histórica para os novos contabilistas e também para aqueles
que desconhecem a origem desta data, vamos aos fatos. No dia 25 de abril
de 1926, o Senador Jão Lyra, agradecendo, no Hotel Términus,
as homenagens que lhes prestavam os Contabilistas de São Paulo,
como reconhecimento da Classe pela sua atuação no Senado,
afirmou a certa altura:
“TRABALHEMOS,
POIS, BEM UNIDOS, TÃO CONVENCIDOS DE NOSSO TRIUNFO, QUE DESDE
JÁ CONSIDERAMOS 25 DE ABRIL O DIA DOS CONTABILISTAS BRASILEIROS.”
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..Estava
instituído o “DIA DO CONTABILISTA”. Não por
decreto, mas por afirmação da vontade de um homem, que
os seus colegas transformaram em realidade. Quase sempre os jornais
da época reproduziram o discurso do saudoso e inesquecível
Senador João Lyra, parlamentar pernambucano, Contabilista, homem
de letras, nascido em 23 de novembro de 1871, fundados do Instituto
de Guarda-Livros de Pernambuco, professor de contabilidade, Presidente
do Conselho Perpétuo dos Contabilistas brasileiros, a cujo cargo
foi eleito em 27 de dezembro de 1925. Faleceu em 31 de dezembro de 1930.
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..Em
seu discurso, o orador fez o elogia da vida e da obra de Carlos de Carvalho,
“a figura suprema em nossa pátria e, pela bibliografia
fecunda e reputada, a inconfundível sumidade do contabilismo
brasileiro”, a quem o CRCSP homenageou, há algum tempo,
inaugurando seu retrato em seu salão nobre, que passou a ter
nome do insigne contabilista de São Paulo.
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..Revivendo
o manifesto (como denominou a parte final de seu discurso o parlamentar
e homenageando toda a Classe contabilista, na sua figura e na de Carlos
de Carvalho, reproduzimos a parte da oração de João
Lyra em que é merecidamente exaltada a figura do ilustre filho
de Rio Claro:
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..“Quando,
em 1916, justifiquei, no Senado Federal, a conveniência de regularizar-se
o exercício de nossa profissão, acentuando a merecida
e geral confiança que adviria do abono da Classe, pelos seus
mais circunspectos representantes, a capacidade moral e técnica
dos contadores, foi o grande e saudoso mestre paulistano, “uma
autoridade sem equivalente no Brasil”, como bem o disse o Sr.
Amadeu Amaral, quem me endereçou os primeiros e os mais desvanecedores
protestos de apoio e de solidariedade.
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..E
não se limitou a isso Carlos de Carvalho. Foi além na
sua estimulante e confortadora bondade.
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..O
tratadista, contínua a respeitosamente citado por afamados escritores
estrangeiros, antes que os leigos pressentissem a obra de senso e cultura
surpreendentes, que a nós outros iluminava e aparecia predestinado
a um fulgor de constelação em nossa publicística,
tomou a si a defesa de minha sugestão e realizou imediatamente
uma importante conferência divulgada na íntegra pela adiantada
imprensa desta cidade.
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..Devo
particular gratidão à sua inesquecível memória
pelos conceitos excessivamente benévolos, com que então
me atribuiu serviços à Classe de que se constituíra,
pela ação tenaz e feliz, a figura suprema em nossa Pátria
e, pela bibliografia fecunda e reputada, a inconfundível sumidade
do contabilismo brasileiro.
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..Bastará
conhecer, mesmo sucintamente, fases de sua laboriosa existência
para imaginar-se a grandeza dos seus merecimentos, que os nossos colegas
paulistas documentaram nos largos traços biográficos publicados
na “Revista Brasileira de Contabilidade”.
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..Ainda
simples coletor no interior, Carlos de Carvalho revelara tão
extraordinárias aptidões que foi chamado à direção
da Contabilidade do Tesouro de São Paulo.
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..Os
seus triunfos nesse alto cargo marcam conquistas de que irradiaram benefícios
inestimáveis à ordem financeira em vários Estados
e na União. É assim que a escrituração por
partida dobrada, que ele ali instituiu, em harmonia com a escola italiana,
foi em seguida adotada por Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná,
conforme as suas instruções aos emissários dos
respectivos governos e aos do governo da República que, em 1914,
resolveu estabelecê-la também no Tesouro Nacional.
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..Atendendo
ao apelo da Prefeitura desta cidade, então dirigida pelo Exmo.
Sr. Dr. Washington Luiz, que resolvera reorganizar a Contabilidade Municipal,
Carlos de Carvalho delineou o plano dessa remodelação
e esclareceu, com as luzes do seu saber e da sua experiência,
o processo a utilizar-se. Contribuiu, assim, para que o presidente eleito
da República deixasse, entre os benefícios de sua exemplar
gestão, aquela reforma efetuada nos moldes do Tesouro do Estado.
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..Não
se adstringiu ao que, pessoal e diretamente fez, o concurso de Carlos
de Carvalho para o aperfeiçoamento da contabilidade no Brasil.
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..Transformou
em verdadeiros mestres, estudiosos discípulos, que foram reclamados
pelo governo central e pelos daquelas unidades federativas, reconhecendo
todos a excelência dos serviços que tem prestado à
implantação dos modernos preceitos contábeis nos
negócios públicos.
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..Feitos
semelhantes constituem privilégio dos espíritos eleitos
e não poderão ser aquilatados pelos ecos de aclamações
efêmeras, que passam com as impressões superficiais do
momento. Só o tempo os consagra em definitivo. Foi o que sucedeu
com Carlos Carvalho, cuja ação social e úteis e
duradouras realizações se avolumam e crescem no correr
dos anos, recomendando seu nome à estima e admiração
de todos os brasileiros, que vêem nele o benemérito criador
da contabilidade em nossa administração pública.
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..Desde
a minha primeira visita à Capital da República, quando
simples professor de contabilidade da Escola de comércio anexa
ao Liceu Paraibano, fui convidado pelo saudoso Ministro Rivadavia Corrêa
para tomar parte nos trabalhos da comissão que estudou a reforma
da escrituração do Tesouro Nacional, tenho a satisfação
de conhecer pessoalmente os nossos eminentes colegas Francisco D'Auria
e Carlos Levy Magano, cuja colaboração representa uma
parcela grande do desempenho dado à exaustiva tarefa.
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..Refletindo,
já com personalidade própria, a sabedoria do mestre incomparável,
ambos prometiam pela cultura, pela inteligência, pelo devotamente
aos interesses gerais, a carreira que o faz brilhar atualmente –
Magano, em espinhosa missão técnica no Tesouro de São
Paulo, e D´Auria na suprema direção da contabilidade
federal da Classe que ilustra e exalta com crescente fulgor.
Meus senhores:
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..A
recordação das glórias de Carlos de Carvalho, cuja
memória julguei de meu dever reverenciar neste primeiro encontro
convosco, traz-me à lembrança dois outros nomes dignos
da veneração de todos nós: José da Costa
Sampaio, vernaculista emérito e profundo conhecedor da ciência
econômica, e Joaquim de Souza Oliveira, modelo edificante, pelo
devotamento à nossa profissão, para os que pretendem unir
e valorizar a coletividade como expressão da capacidade dos indivíduos
que a compõem.
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..Procuremos
imitar-lhes os exemplos perseverantes a serviço da disseminação
da contabilidade no Brasil.
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..Conhecemos,
assim as iniciativas e os sucessos desses e de muitos outros beneméritos
da contabilidade e lhes devendo já cativantes demonstrações
de apreço, não poderia imaginar que deliberassem escolher
a mim, modesto guarda-livros de Rio Grande do Norte, para investir da
dignidade máxima entre os contabilistas brasileiros.
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..Coube
a São Paulo começar o louvável movimento para a
união dos contadores, feita a distinção de que
os preceitos legais ainda não cogitam entre os contadores legítimos
e os contadores de toda a sorte de contos.
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..Tendo
empreendido desta forma o saneamento e a organização em
Classe dos verdadeiros contabilistas e carecendo os seus mais prestigiosos
representantes do assumir a ostensiva responsabilidade das condições
dos que lograrem ser incluídos no Registro Geral, aos mestres
paulistanos estava destinada a direção que me impusestes.
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..É
certo que não foi outro o meu pensamento exposto da tribuna do
Senado com os aplausos de Carlos de Carvalho.
CRCRS. Noticiário
para as Delegacias, n. 2, 1986, p.3.