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- Divisão
da História da Contabilidade
Fundamentos da Divisão dos Períodos
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..As
razões pelas quais se têm dividido em períodos os
estudos da História repousam, especialmente, na utilidade que existe
em diferenciar-se cada etapa da evolução, ou seja, a época
em que novos rumos foram tomados quanto ao caráter evolutivo do
conhecimento.
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..A Contabilidade
nasceu com a civilização e jamais deixará de existir
em decorrência dela; talvez, por isso, seus progressos quase sempre
tenham coincidido com aqueles que caracterizaram os da própria
evolução do ser humano.
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..Como
ciência social, atada aos interesses do homem pelos cuidados que
dedica à riqueza, viveu nosso conhecimento, quase todo tempo, em
sua periferia, ou seja, da evidência das memórias, das provas,
da singela informação.
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..Nenhum
demérito existe nessa forma de caminhar no tempo, pois, também,
os demais conhecimentos tiveram igual destino, mesmo os hoje classificados
como os mais nobres, bastando lembrar o que ocorreu com a Alquimia, hoje
Química.
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..Afirmou
Melis: “Desde que o homem se preocupou com o amanhã, preocupou-se,
também, em 'fazer as contas', mas, em verdade, nem sempre soube,
racionalmente, o que fazer com as informações que guardou.
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..A História
da Contabilidade, portanto, encontra suas bases nas mais remotas idades,
mas sua dignidade científica só ocorreu quando as demais
disciplinas também encontraram tal caminho, ou seja, há
pouco tempo.
Períodos
Principais da História da Contabilidade
Os
períodos evolutivos de nosso conhecimento, assim podem ser classificados:
| I. |
Intuitivo
Primitivo: foi vivido nos períodos líticos, da pré-história
da Humanidade, caracterizou-se pelas manifestações
rudimentares de arte e pré-escrita, dedicado à simples
memória rudimentar da riqueza. |
| II. |
Racional-Mnemônico: de disciplina dos registros, com o estabelecimento
de métodos de organização da informação,
ocorrido na Antigüidade; iniciou-se cerca de 4.000 a.C. |
| III. |
Lógico Racional: preocupou-se com a evidência de causa
de efeito dos fenômenos organizados em sistemas primários;
deu origem à partida dobrada, desenvolvido na Idade Média
da Humanidade, iniciou-se, segundo provas, a partir da segunda metade
do século XI. |
| IV. |
Literatura: em que a evolução defluiu da produção
da matéria escrita de difusão do conhecimento, com
a preocupação de ensinar por meio de livros escritos
por autores preocupados com a forma de “como realizar os registros
e demonstrações”; tal período ensaia-se
a partir do século XI, tendo como berço o mundo islâmico;
acelerou-se, no Ocidente, e assim se definiu, a partir do século
XV. |
| V. |
Pré-Científico: em que a intensa busca de raciocínios,
definições e conceitos em matérias não
só de registros, mas, especialmente, de fatos ou ocorrências
com a riqueza ensejou a disciplina das contas. Nessa fase, ocorreu
a formação das primeiras teorias empíricas,
abrindo caminho para a lógica do conhecimento contábil
que transcendeu a simples informação; tal período
começa a viver-se a partir dos fins do século XVI,
prolongando-se, sempre, em etapas evolutivas, até o início
do século XIX. |
| VI. |
Científico: nele apareceram as primeiras obras científicas
e estabeleceram-se as bases das escolas do pensamento contábil;
é a época em que se passou a estudar a essência
dos fenômenos patrimoniais, de suas relações,
ou seja, o que significava os fatos informados e relativos ao patrimônio,
tendo sido vivido a partir das primeiras décadas do século
XIX; tal período constituiu-se naquele da História
das Doutrinas. |
| VII. |
Filosófico-Normativo: vivido a partir da década de
50 do século XX, em que a reocupação de normatizar
as informações e de penetrar na interpretação
conceptual definiu bem as áreas da informação
disciplinada e do entendimento profundo e holístico dos fenômenos
patrimoniais. Tal período também é o da atualidade,
em que paralelas seguem, definidas, as duas correntes: a empírico-normativa
e a científico-filosófica, ambas suportadas por considerável
avanço da tecnologia da informação. |
Imprecisão
das Datas
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..Quanto
a datas precisas dos períodos Racional-Mnemônico e Lógico-Racional,
existem, ainda, questões a investigar, especialmente quanto a este
último, em razão do que o mundo islâmico pode ainda
oferecer de instrumentações; como as pesquisas prosseguem,
alterações poderão ocorrer, todavia, diante do que
já se tem conquistado positivamente, nessa área de estudos,
parecem-nos adequadamente demarcadas as épocas que indicamos.
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..A fragilidade
dos elementos de comprovação e a privacidade dos dados contábeis
são fatores que muito contribuem para as dificuldades na obtenção
das provas.
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..Muito
se perdeu no tempo, bastando referirmo-nos ao ocorrido com a civilização
romana para que tenhamos a idéia de quanto nos fazem falta os elementos
contábeis para um julgamento de maior solidez.
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..A própria
forma como se desenvolveram os processos de registros denunciam a dificuldade
de indicar autores, nas épocas mais remotas.
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..A natureza
sigilosa dos trabalhos, a ética exigida, o interesse particular
dos utentes são alguns dos fatores que muito contribuem para imprecisões
de datas do processo evolutivo.
Outras
Classificações do Período
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..Esta
nossa forma de classificar os períodos fundamenta-se no que percebemos
da análise profunda de nossa História, mas não é
exatamente a que outros estudiosos de muito valor realizaram, pois a ótica
dos que analisam os fatos nem sempre é a mesma, assim como é
preciso observar as condições sob as quais a classificação
se realizou.
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..Melis,
por exemplo, aceita quatro períodos que admitem serem os “grandes”.
Classifica-os em:
I.
Mundo Antigo (dos primórdios da história até o ano
de 1202 de nossa era).
II. Sistematização que vai de 1202, em razão da formação
das partidas dobradas.
III. O da literatura, de 1494 (obra de Luca Pacioli) a 1840 (obra de Francisco
Villa).
IV. De 1840, era científica, até nossos dias.
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..O respeitado
e genial mestre referido, para nós o maior historiador da Contabilidade
deste século, como todo homem de ciência qualificado, foi
cauteloso em sua classificação, ao admitir que esses eram
os grandes períodos, ou seja, imaginou que pudessem ser divididos,
como, de fato, agora procuro apresentar em minha classificação.
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..Cumpre,
ainda, observar, que a obra de Melis foi editada em 1950; portanto, em
uma fase em que se iniciava um novo período.
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..Grandiosa,
como a obra de Federigo Melis, é também a de Vicenzo Masi.
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..Em
minha forma de entender e que se aproxima daquela d Vicenzo Masi, os primeiros
períodos merecem uma divisão, ou seja, o que se relaciona
à Pré-História e o que se relaciona à Antigüidade.
Isto porque distintos são os recursos e obviamente também
a forma de dar importância à riqueza que é o objeto
do conhecimento contábil.
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..Igualmente,
entendo que a mesma divisão é necessária para o pré-científico
e o científico.
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..A ciência
foi se construindo em avanços sucessivos, de forma, nem sempre
definida, mas com uma constância de interesse de encontrar-se a
verdade.
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..Parece
inequívoca a intenção e a sensibilidade para a formação
de conceitos, assim como o estabelecimento de definições,
a partir de certa época, ou seja, entendendo como evidenciada uma
fase pré-científica.
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..Parece
que, desde que exista preocupação em colocar ordem nos fatos
observados para torná-los coerentes e compreensíveis ao
pensamento criador, existe um inequívoco esforço científico,
ainda que seja inicial e rudimentar a forma de encetar tal procedimento;
assim deixa entender Einstein quando inicia sua dissertação
sobre os esforços que o conduziu à produção
de sua Teoria da Relatividade.
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..Essas
duas divisões, também, que compreenderam os esforços
iniciais e pós-racionalização (etapa que ocorreu
após a obra de Melis, de 1950), justificam os sete períodos
relacionados,em relação aos quatro que meu mestre havia
estabelecido.
Nossa classificação não traz, pois, senão,
mais detalhes sobre características do pensamento contábil
que nos pareceram dignas de merecer distinções.
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..Procurou-se
conciliar as observações desse meus dois grandes mestres
e amigos – Melis e Masi – e aduzi, apenas, o que ocorreu após
a morte desses dois gênios.
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..A única
distinção que me permiti fazer foi a relativa ao pré-científico
e que dentro de minha vocação epistemológica me pareceu
adequado.
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..Em
verdade, em historiografia muito há ainda que conquistar-se; entende-se,
pois, que recentes descobertas acenam para novos episódios e até
conceitos, apoiados por um progresso das técnicas de pesquisa que
se apóiam em modernos recursos dos computadores que ainda nos reservarão,
por certo, correções de entendimentos.
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..A historiografia
contábil vem a auxiliar a verdade dos registros e a materialidade
destes (o que nem sempre ocorre com os outros ramos), mas, mesmo assim,
admite-se que aquilo que produzimos nesta obra poderá ser valorizado
pela capacidade de nossos colegas, no futuro.
Fonte:
SÁ, Antonio Lopes de. História Geral e das Doutrinas da
Contabilidade |
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