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Subsídios
para a História da Profissão Contábil e das Instituições
de Ensino
Profissionais e Culturais da Ciência Contábil no Estado do
Rio Grande do Sul
(até a década de 1980)
Contador
Alberto Almada Rodrigues *
I
- Introdução
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..Escrever
uma História da nossa profissão e de suas entidades no Brasil
foi um desafio que foi posto pelo Professor José Rojo Alonso, que
precisava de um trabalho de tal natureza para publicação
na Revista Interamericana de Contabilidade. Pedira ele, antes, ao Prof.
Dr. A. Lopes de Sá que o fizesse, mas esse meu ilustre amigo indicou
o meu nome, pois conhecia as pesquisas que vinha desenvolvendo há
cerca de três anos sobre o assunto, embora o enfoque fosse outro,
tanto que minha pesquisa se intitulava Cronologia e Síntese da
Evolução do Pensamento e do Ensino Comercial, Contábil
Atuarial, Administrativo e Econômico no Brasil, cuja primeira versão
foi publicada no nº 41, de 1985, da Revista do Conselho Regional
de Contabilidade do Rio Grande do Sul, abrangendo os séculos XVI
a XIX, períodos do Brasil-Colônia, Brasil-Reino Unido, Brasil-Império
e primórdios da República.
II – A Contabilidade no Rio Grande do Sul no Período
Imperial
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..O Rio
Grande do Sul tem um papel saliente nos primórdios da Contabilidade
no Brasil.
Em 1852, em Porto Alegre, em editora ainda não identificada, o
Dr. Sebastião Ferreira Soares publicou o primeiro livro de contabilidade
pública em nosso País, o Tratado de Escrituração
Mercantil, por Partidas Dobradas, aplicado às Finanças do
Brasil, obra essa que não localizamos na Biblioteca Nacional, no
Rio de Janeiro, nem na do Ministério da Fazenda.
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..Contudo,
do mesmo autor, consta o Plano de Reforma do Tesouro Nacional, apresentado
ao Ministério da Fazenda. Trata-se de trabalho inédito encontrado
na Seção de Manuscritos da Biblioteca Nacional, no Rio de
Janeiro, fichado sob o nº 1, 8, 1, nº 33, e, com ele, encadernado,
o Projeto de Reorganização das Tesourarias da Fazenda.
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..A Revista
Brasileira de Estatística – ano VI – julho –
setembro de 1945 – nº 23, publicou o retrato e a biografia
desse ilustre Contador gaúcho, que também se notabilizou
como um dos vultos da Estatística brasileira.
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..Deixando
a carreira das armas, na qual fora Tenente-Engenheiro e laureado como
Doutor em Ciências Físicas e Matemáticas, ingressou,
por concurso, no Tesouro Nacional, como 3º Escriturário. Note-se
que 3º Escriturário – com acesso a 2º e 1º
Escriturário – na época do Império correspondia
ao atual Guarda-Livros, sendo que os chefes de repartição
do Tesouro se chamavam de Contador, e Contador-Geral era o cargo principal,
e aqui é de se lembrar que um famoso Contador-Geral do Império,
Manoel Alves Branco, chegou a exercer várias vezes a Pasta da Fazenda
e foi o 1º Ministro do Império.
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..Diz
a biografia do Dr. Sebastião Ferreira Soares, de autoria do Visconde
de Taunay, apresentada em sessão magna do Instituto Histórico
e Geográfico, em 15 de dezembro de 1887, que ele foi o fundador
do Clube dos Guarda-Livros, entidade destinada ao estudo e interpretação
dos regulamentos e da legislação comercial de diversos países
e à teoria e à prática do comércio no Brasil.
A vasta bibliografia do Dr. Sebastião Ferreira Soares ocuparia
várias páginas para ser enumerada, versando ela sobre Contabilidade,
Economia, Finanças, História Financeira, Tributos, Organização
e Estatística, sendo, nesta última matéria, autor
de livro pioneiro em dois volumes.
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..Tamanho
é o valor e atualidade da produção intelectual do
Dr. Sebastião Ferreira Soares, que o IPEA – Instituto de
Planejamento Econômico e Social – Instituto de Pesquisas (INPES),
na série Pensamento Econômico Brasileiro, sob o nº 2,
em 1977, editou a obra Notas Estatísticas Sobre a Produção
Agrícola e Carestia dos Gêneros Alimentícios no Império
Brasil.
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..Relembrando
este grande vulto, o Jornal do Commércio do Rio de Janeiro, de
9 de julho de 1939, publicou uma página inteira em sua homenagem,
subscrita pelo historiador Afonso de E. Taunay.
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..Nasceu
Sebastião Ferreira Soares no dia 21 de abril de 1820, na comarca
de Piratini, Província do Rio Grande do Sul. Foram seus pais Francisco
Ferreira Soares e Francisca Tertuliana da Costa. Fez os estudos de humanidades
na província natal e na Corte, cujo prestígio em matéria
de ensino atraia os melhores espíritos. Muito jovem ainda, concluiu
na Escola Militar o curso de ciências físico-matemáticas,
obtendo o doutorado que, pode-se dizer, era o PhD da época.
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..Seu
biógrafo conclui dizendo que, aos 67 anos de idade, no dia 5 de
outubro de 1887, vinha a falecer aquele que em em vida fora, por assim
dizer, o grande pioneiro da Estatística Econômica do Brasil.
E, agora, acrescenta-se, o grande Contador e líder da classe no
período imperial.
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..Pelo
que se infere da leitura da obra do General Emílio Fernandes de
Sousa Docca, História do Rio Grande do Sul, o ensino comercial
não teria funcionado neste Estado no século passado, conhecido
como Aula de Comércio.
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..Contudo,
na obra Anais da Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas
– 1919 – 1949 – 30º ano letivo, cujo principal
redator foi um gaúcho, o Contador e Economista Prof. Manoel Francisco
Lopes Meirelles, há uma referência de que, em 1858, no Rio
Grande do Sul, houve uma primeira tentativa de implantação
do ensino comercial, não se mencionando, entretanto, a fonte dessa
informação.
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..Dois
anos antes, o Decreto Imperial nº 1763, de 14 de maio de 1856, dava
novos Estatutos à Aula de Comércio da Corte, que se transformou
no Instituto Comercial do Rio de Janeiro.
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..É
provável que esse Instituto tivesse influenciado alguém,
no Rio Grande do Sul, a estabelecer uma escola comercial, e mais, como
disse anteriormente, já fora publicado, em 1852, em Porto Alegre,
o Manual de Contabilidade Mercantil, do Dr. Sebastião Ferreira
Soares.
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..É
ainda o redator dos Anais acima referidos a informar que a Academia de
Comércio de Pelotas teria sido declarada de utilidade pública
em 1910, e, em 1916, o mesmo veio a ocorrer com um novo estabelecimento
de ensino, a Escola de Comércio de Pelotas. |
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