Questões de sustentabilidade do planeta e o papel dos contadores são discutidos em painel

As responsabilidades dos profissionais da contabilidade, em relação ao processo global de integração de informações contábeis às de natureza “pré-financeiras” em relatórios corporativos, foram destacadas pelos palestrantes José Luis Lizcano Álvarez e Vania Borgerth, no painel Relato Integrado, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e os Indicadores de Sustentabilidade.

José Luis Lizcano Álvarezpainelista | Fotos: Jackson Ciceri/CIC-CCRS

Realizado na manhã desta quinta-feira (21), durante a XXXIV Conferência Interamericana de Contabilidade (CIC) e XVIII Convenção de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CCRS), o painel foi moderado pela conselheira do CFC Ticiane Lima dos Santos.

Ticiane Lima dos Santos, moderadora, e Vania Boghert

“A sustentabilidade do planeta não é apenas uma questão de políticas de governo ou de estratégia de empresas, mas algo que deve ser compromisso de toda a sociedade”, afirmou Vania, destacando a capacidade técnica dos profissionais da área contábil para assumir esse papel: “Nós somos agentes de transparência do mercado”.

Membro do Grupo de Trabalho (GT) do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) que elaborou a minuta da NBC CTG 09 – Correlação à Estrutura Conceitual Básica do Relato Integrado, Vania é coordenadora da Comissão Brasileira de Acompanhamento do Relato Integrado e possui ampla participação internacional em entidades reguladoras da área.

Para a palestrante, os contadores são os profissionais que melhor sabem reportar as informações corporativas, transmitindo confiabilidade, responsabilidade, evidenciação e transparência. “Estamos acostumados a olhar para informações econômicas, dando pouco valor às questões sociais, ambientais e de governança, mas se tornou essencial também prestar atenção aos itens da Agenda ESG”, afirmou.

Vania destacou ainda que, com o avanço dos entendimentos globais em torno dos relatórios de sustentabilidade e, especialmente, com a criação do International Sustainability Standards Board (ISSB) pela Fundação IFRS – International Financial Reporting Standards (IFRS), esse tipo de relatório corporativo deverá se tornar obrigatório em futuro breve.

O outro palestrante do painel, José Luis Lizcano Álvarez, diretor gerente da Asociación Española de Contabilidad y Administración de Empresas (AECA), apresentou, de forma virtual, informações de entidades internacionais da classe e diversas iniciativas que estão sendo desenvolvidas no sentido de padronizar informações corporativas relevantes para a tomada de decisões, considerando os impactos ambientais, sociais e de governança.

Por Maristela Girotto
Comunicação CFC

 

Empresária e escritora best-seller palestra na Conferência Interamericana de Contabilidade (CIC)

Ícone multidisciplinar na América Latina nas áreas de negócios, tendências e inovação, a palestrante Martha Gabriel participou da Conferência Interamericana de Contabilidade (CIC) na tarde desta quarta-feira, dia 20.

Martha é autora dos best-sellers “Marketing na Era Digital”, “Educar: A (R)Evolução Digital na Educação” e “Você, Eu e os Robôs”. Além disso, ela é consultora, professora de Inteligência Artificial, Futurista pelo IFTF (Institute For The Future) e palestrante em 6 TEDx e keynote internacional.

O tema da palestra ministrada hoje no CIC foi “O Líder Digital”, que abordou a disseminação de tecnologias na sociedade e como isso tem impactado a humanidade em uma velocidade sem precedentes na história. “Essa aceleração em todas as áreas do conhecimento tem causado mudanças constantes no cotidiano e, como consequência, nos deparamos com oportunidades e desafios inéditos todos os dias”, explica Martha.

Nesse contexto, uma das principais habilidades que as empresas e indivíduos precisam ter para sobreviver e ter sucesso é a capacidade de inovar. Assim, a palestrante falou sobre a inovação como metodologia e estratégia, pessoal e empresarial, além de trazer para um debate o tema da criatividade, que é uma área intimamente conectada ao assunto.

A empresária instigou o público a pensar sobre o que é preciso fazer, especificamente na área de contabilidade, para inovar. “Hoje, no mundo, existem poucos lugares que ensinam como fazer para criar o que não existe, criar o novo”, disse.

Segundo ela, o mercado digital tem outras engrenagens, muito diferentes das que estávamos acostumados nas últimas décadas. “O que devemos nos perguntar sempre é: será que a nossa empresa está aproveitando ao máximo o que está disponível neste mercado atual?”, provoca a autora.

Durante a palestra os participantes puderam acompanhar diversos cases apresentados por Martha para ilustrar os conceitos discutidos sobre inovação. “Atualmente, a mudança e a inovação digital são constantes e acontecem em um ritmo muito acelerado. Entre 2000 e 2010 nós mudamos a nossa vida e, de 2010 para 2020, mudamos mais ainda. Mas o ritmo continua acelerando e precisamos nos acostumar. Portanto, não se consegue resolver problemas novos com fórmulas antigas e é necessário criar soluções novas, constantemente”, encerrou Martha Gabriel.

Por Carol Veiga – Comunicação CFC 

 

Painel aponta verdades necessárias para o fortalecimento da contabilidade

A presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CRCRS), Ana Tércia Rodrigues, e o auditor e conselheiro de empresas, Rogério Rokembach, comandaram o painel “Contabilidade – ética, protagonismo, verdades [in]convenientes” nesta quarta-feira (20). A apresentação fez parte da agenda do segundo dia da XXXIV Conferência Interamericana de Contabilidade (CIC) e da XVIII Convenção de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CCRS). O painel foi moderado pela contadora Grace de Avila Rodrigues.

Durante o painel, a dupla convidou o público para uma mudança de postura que esteja alinhada com as transformações tecnológicas, sociais e culturais que marcam o século XXI. Os profissionais da contabilidade foram levados a refletir sobre a necessidade de se abandonar antigas verdades tidas como absolutas. Inovação, protagonismo, ética, consciência social e sustentabilidade foram alguns dos temas que nortearam o bate-papo.

Dentro do bloco que tratou das verdade “[in]convenientes”, os painelistas falaram sobre a valorização profissional, destacando que a construção de um posicionamento favorável depende das ações e da postura dos próprios contadores, a partir da busca pelo aprimoramento, pela ampliação da visão horizontal, por mais preocupação com a sustentabilidade e ainda em garantir impactos positivos para a sociedade. “Cada um vai ter que fazer o seu melhor. Nós vamos ter que nos reconstruir, que nos aprimorar”, afirmou Rokembach.

Outro ponto dentro dessa temática foi a reflexão sobre a atratividade da profissão e a capacidade da contabilidade de continuar atraindo jovens para seguir a carreira. Sobre essa pauta, Ana Tércia destacou elementos, como propósito, valor agregado e a capacidade de se reter talentos. “Falar da atratividade da profissão é pensar em propósito porque o jovem de hoje não está mais guiado só por dinheiro”, pontuou a presidente do CRCRS.

O conhecimento técnico, a atualização constante, assim como a importância do networking também foram apontados pelos painelistas. No entanto, Rokembach alertou o público que não adianta o profissional ter conhecimento técnico se não o transformar na busca por um mundo melhor.

O último tópico apresentado, dentro desse bloco, foi a questão do mercado. Nessa etapa do painel, Ana Tércia, defendeu a integração e o diálogo entre a universidade e o mercado de trabalho como uma forma de fortalecer as duas partes.

O próximo bloco da exposição tratou da necessidade de os contadores adotarem uma postura ética no seu dia a dia e estarem atentos para assuntos, como gênero, inclusão e sustentabilidade.

Para fechar a apresentação, os painelistas convidaram os contadores a ser protagonistas. A orientação ao profissionais foi de pararem de colocar a culpa e assumir uma postura ativa. “É parar de se sentir a vítima e passar a ser o agente de qualquer coisa que a gente queria fazer mudar”, enfatizou Ana Tércia.

Por Lorena Molter – Comunicação CFC/Apex

Você sabe quanto vale o seu tempo?

Durante a CIC e a CCRS, desta quarta-feira (20), o empresário e contador Douglas Gomes, falou sobre a importância do gerenciamento estratégico do tempo para viabilizar a execução de diferentes processos e a realização de projetos de forma eficiente. O momento se deu no painel “Tempo – Seu ativo mais estratégico”, moderado pela contadora Tanúbia Barbosa.

Gomes explicou, por meio de uma fórmula, que tempo é a única coisa no mundo que não importa o quanto de dinheiro uma pessoa possui, ela nunca poderá comprar.

Em um dos pontos altos da palestra, o contador explicou a necessidade de se estipular um escopo de trabalho para cada contrato que se assina com um cliente. “Se você não define o escopo, você não define o tempo. E, consequentemente não define o quanto tempo irá se dedicar àquele trabalho.

O palestrante também reforçou que a partir desse planejamento é possível evitar má interpretações que podem gerar desgastes e eventualmente perda de rendimento e dinheiro. “Quando estou em uma relação que não é clara, significa que qualquer um dos lados, pode ter a interpretação que quiser. Assim, quando eu contrato um contador que não define o escopo comigo, eu posso entender que ele pode fazer tudo. Então torna-se algo primordial saber quais funções cabem ao trabalho”, finalizou Gomes.

Por Ingrid Castilho – Comunicação do CFC

 

 

 

PEC 110 foi tema do painel “Posicionamento da classe contábil frente ao projeto da reforma tributária”

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 110, texto principal da pretendida reforma tributária, foi o objeto das discussões do painel “Posicionamento da classe contábil frente ao projeto da reforma tributária”, realizado na manhã desta quarta-feira (20), na XXXIV Conferência Interamericana de Contabilidade (CIC) e a XVIII Convenção de Contabilidade do RS (CCRS). A PEC relatada pelo senador Roberto Rocha (PSDB/MA), unifica a base tributária do consumo e recomenda a criação de um novo tributo, o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) Dual.

De acordo com o senador, o IVA deverá ser aplicado à União, unificando os tributos de IPI, PIS e Cofins dando origem à Contribuição sobre Bens e Serviços, e aos estados, unificando o ICMS e o ISS, criando o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). “A ideia é acabar com o IPI. Nós não entendemos por que tem um imposto só para produtos industrializados? Por que não tem para agricultura, o IPA? Ou para serviços, o IPS? Isso não tem cabimento.”, afirmou Roberto Rocha.

Para o senador, a proposta foi consensada pela maioria dos entes federados, graças ao acolhimento da forma dual. “O sistema proposto é viável, simples e justo. Ele é viável pelo que está colocado. Ele é um modelo dual que contempla os interesses nacionais. Tem uma transição de sete anos apara a adoção definitiva do IBS, ou seja, dois anos de teste, experiência, e cinco anos de transição, sendo que nos dois primeiros é completamente proibido pela Constituição aumento de carga tributária”, ponderou.

O senador lembrou ainda, que a referida proposta mantém o Fundo de Desenvolvimento Regional sendo mantido exclusivamente com recursos dos estados e dos municípios, ou seja, do IBS. “É importante dizer que, mesmo os estados tendo maior arrecadação com o IBS, bem maior (o ICMS arrecada algo em torno de dez vezes mais que o ISS), o conselho gestor do fundo é paritário”, afirmou Rocha.

A proposta do senador mantém ainda a Zona Franca de Manaus, o tratamento diferenciado para o Simples Nacional, o direcionamento para lei complementar de regimes diferenciados ou favorecidos (produtos e serviços que devem ter tratamento tributário especial como gás de cozinha, educação, saúde, entre outros, poderão ter alíquota diferenciada definida por lei complementar) e o direcionamento para lei complementar para a transição para o Imposto Seletivo (IS), entre outras coisas.

De acordo com o senador, a proposto é boa porque é simples. “É uma legislação uniforme, harmonizada, uma base ampla, tem documento fiscal único e centralizado, administração tributária centralizada para o IBS nacional, possibilidade de cobrança automática, e redução do contencioso”, definiu.

Apesar das vantagens listadas por Roberto Rocha, a proposta encontra-se parada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Isso porque, o senador que preside a CCJ, Davi Alcolumbre (DEM/AP) paralisou as atividades da comissão. “Nós estamos diante de um impasse, em que o presidente da CCJ está num embaraço com o governo federal. Aí, não tem funcionamento da comissão. É inacreditável isso! Nós estamos a menos de cem dias de acabar o ano e ano que vem é ano de eleição”, disse o senador.

Por fim, o senador convidou à classe contábil a apoiar a PEC e encaminhar ao Senado uma alternativa à mitigação do impasse na CCJ. “Já que a CCJ está com dificuldade de se reunir, e o inusitado disso tudo é que o autor da proposta é presidente da CCJ, o primeiro signatário da PEC 110, é importante que vocês façam o pedido de forma coletiva.  Já que não há condição de votar a proposta na CCJ, que o presidente Pacheco puxe essa proposta para o plenário”, concluiu.

Findada a fala do senador, a palavra foi tomada pelo secretário Estadual de Fazenda do Rio Grande do Sul, Marco Aurélio Santos Cardoso, que reiterou o apoio à PEC 110. “Faço minhas as palavras do senador. Eu acho que, acima de tudo, a gente não pode continuar se conformando como fato de o Brasil ter inquestionavelmente um dos modelos tributários de pior eficiência para a sociedade no mundo.”, afirmou.

O secretário disse ainda que não resta dúvida que os impostos indiretos (ICMS, ISS e Pis e Cofins) estão no centro da dificuldade em se melhorar o modelo vigente e, por essa razão, reconheceu o esforço empenhado na elaboração da PEC. “Foi um trabalho de imensa complexidade, de muita qualidade, sobre o qual o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (CONSEFAZ) teve a oportunidade de fazer algumas contribuições e nós, os 27 secretários, apoiamos o texto-base da PEC, que pode vir a sofrer alterações, pois faz parte do debate da democracia, do legislativo, mas nós acreditamos que ali está o pressuposto da mudança constitucional que vai ter enormes benefícios para o país”, reiterou.

O secretário destacou ainda que a caracteriza o ICMS como imposto estadual e o ISS como imposto municipal e classificação entre bens e serviços já são, no Brasil, um dos principais motivos de litígios tributários. “Eu acredito que as dificuldades que a proposta traz num regime de transição tributária podem ser perfeitamente implementadas. Elas estão em geral previstas no relatório. Então as mudanças de origem para destino com o regime de transição, a possibilidade de regimes diferenciados com uma alíquota que não seja única pode ser regulada em lei complementar, embora a gente acredite que não devam ser tantos assim”, disse.

Por fim, o secretário destacou que a PEC contempla a possibilidade de produtos ou serviços de alta sensibilidade social, conforme já realizado no Rio Grande do Sul. “Nós lançamos, nessa semana, o programa Devolve ICMS, que é um modelo que está previsto na PEC 110. Embora não tenhamos mexido na legislação, adotamos como desenho geral, desonerar o público-alvo que ao invés de desonerar o produto. É muito mais eficiente”, constatou.

“Há uma inversão, a meu ver, na condução do país. Se a gente consegue convergir para o fato de que a gente tem um regime tributário ruim, que é preciso melhorar, não é possível que os debates sobre problemas, sobre transições, sobre as questões a serem abordadas, simplesmente empaquem a discussão. É isso que tem acontecido no país nos últimos anos e o resultado não é eficiente”, concluiu.

O último palestrante a explanar foi o empresário contabilista, Márcio Shuch Silveira, que inciou sua exposição falando sobre os aspectos de consenso da PEC, como a urgência de se modificar o sistema tributário, melhor a competitividade das empresas, melhorar a competitividade do país e elevar a segurança jurídica.

Márcio, apesar de apoiar parte da PEC, demostrou preocupação com a ausência da participação efetiva da classe contábil no desenvolvimento da proposta.  “Nós não podemos correr o risco de uma reforma tributária com tamanho impacto na nossa sociedade perder, inclusive, adesão da sociedade por questões técnicas que envolvam a apuração dos tributos, que envolvam as obrigações acessórias”, afirmou.

O empresário destacou o ponto sensível dessa ausência. “A minha preocupação como empresário contábil tem um ponto. Com essa unificação pela IBS, com a criação inclusive de um comitê nacional que vai cuidar das normas da unificação, pode haver, não estou dizendo que vai acontecer, um maior distanciamento desta relação que busca sempre a melhoria do ambiente econômico, disse.

Márcio finalizou sua fala reiterando a importância dessa participação e fazendo um pedido ao relator da PEC 110. “Há um anseio legítimo de quem promove a maior parte das atividades de apuração tributária no nosso país, senão a totalidade. Precisamos ter representação nesse conselho. É obvio que as discussões entre repartição da parcela do tributo, as discussões federativas, nós não queremos votar se a parcela vai para esse estado, se o município tem essa participação. Mas temos que ter o poder de participação na criação das regras tributárias. A nossa participação prévia, antes da implantação desses modelos, é fundamental para o sucesso desse projeto”, finalizou.

A XXXIV Conferência Interamericana de Contabilidade (CIC) e a XVIII Convenção de Contabilidade do RS (CCRS) acontecem até amanhã, dia 21. Informações sobre a programação e visita à Feira Digital de Negócios podem ser obtidas no site dos eventos (https://cic-ccrs.com/).

Por Luciana Melo Costa – Comunicação CFC

Minorais, gays, lésbicas, mulheres e pessoas pretas entram na pauta da CIC e da CCRS

“O Futuro da Contabilidade é mais Plural do que você imagina”, foi o que provaram os palestrantes Robert Juenemann, Daisy Christine Eastwood e Onila Araújo no palco da Conferência Interamericana de Contabilidade e da Convenção de Contabilidade do Rio Grande do Sul, nesta quarta-feira (20). O evento realizado em Porto Alegre (RS), é o maior do ramo contábil da América Latina e acontece até esta quinta-feira (21).

A palestra mostrou a partir do conhecimento e das experiências dos painelistas, uma visão de como é possível tornar a sociedade mais inclusiva para grupo de minorias no país, como o de mulheres, de LGBTqia+ e de pessoas pretas.

O tema foi aberto a partir do relato do contador Robert Juenemann que enfrentou diversos preconceitos ao se assumir como homossexual, aos seus 23 anos. Ele reforçou que discutir a diversidade da orientação sexual é tratar sobre a governança do país. Para ele, as iniciativas nesse aspecto continuam tímidas, inclusive para negros e mulheres.

“Tratar da diversidade de orientação sexual, virou um tema estratégico para as empresas. Mas, isso não é simplesmente pintar um arco-íris no mês do orgulho gay, em julho, e não investir em ações que promovam a inclusão. Mulheres, negros e homossexuais são pessoas. Nós somos pessoas sofridas e justamente por sermos muito sofridos, nós superamos esse sofrimento e o transformamos em força para levar esse assunto até vocês”, disse o contador.

A coordenadora do GT de Diversidade e Inclusão do Conselho Regional de São Paulo, Daisy Christine Hette Eastwood, trouxe, a partir de pequisas, em números, os reflexos das desigualdades no Brasil. “A presença de mulheres em cargos de CEO nas organizações representa apenas 16,4% do total. Além disso, mulheres recebem 22,5% a menos que homens, exercendo os mesmos cargos e as mesmas responsabilidades. Se formos olhar a população negra, 63% dos desempregados em 2017 eram negros. E dos que estavam no mercado de trabalho, 80% dos profissionais não ganhavam mais que dois salários mínimos”, apresentou.

O debate foi seguido pela empresária e contadora Onila Araújo. Vinda de uma família humilde, sendo uma mulher preta e lésbica, ela não entendia como se encaixaria na profissão contábil, devido aos estereótipos da sociedade e achava que não seria respeitada. Segundo a empresária, realmente, ela não chegou a ser reconhecida como contadora. Mas mudou sua trajetória ao enfrentar a sociedade e criar não só a sua própria empresa, como uma rotina flexível e inclusiva para as colegas de trabalho.

“Na minha empresa nós não temos hierarquia, trabalhamos com horário flexível e somos todas mulheres. Eu não acho que uma mulher deve escolher entre ser mãe ou profissional. Por isso, trabalhamos por produtividade. Se os resultados forem apresentados, não há problema em escolher como gerenciar o seu horário”, disse Onila.

Por Ingrid Castilho – Comunicação do CFC

 

Proteção ao patrimônio é tema de debate na XXXIV CIC e XVIII CCRS

Entre os temas abordados no primeiro dia do megaevento, que reúne mais de 2400 participantes, estiveram em pauta as consequências decorrentes das oscilações da economia. Os especialistas em finanças Felipe Macedo, sócio na Messem Investimentos, e Fernando Ferreira, estrategista-chefe na XP Investimentos, discutiram assunto no painel “Como proteger seu patrimônio em momentos de adversidade”. Em formato híbrido – Felipe participou presencialmente e Fernando, on-line -, com moderação da ouvidora do CRCRS, Cristiani Fonseca de Souza, o painel integrou o Ecossistema Criatividade e Tecnologia.

Felipe Macedo e Cristiani Fonseca de Souza participaram presencialmente | Foto Jackson Ciceri/Imprensa CIC-CCRS

Inicialmente, o palestrante Felipe Macedo contou um pouco da história da XP Investimentos, empresa que iniciou suas atividades há 20 anos, em Porto Alegre, em uma pequena sala no bairro Moinhos de Vento. Hoje, com uma carteira de mais de 3 milhões de clientes ativos e cerca de R$ 715 bilhões em valores sob custódia, é parte integrante da XP Inc., que concentra diversas marcas do mercado financeiro e atua em vários segmentos e países, atendendo todos os perfis de investidor. A Messem Investimentos, de Caxias do Sul, é afiliada da XP. Ambas partilham os objetivos de democratizar investimentos financeiros para todos os perfis de clientes e têm em comum a história de terem se reinventado na crise.

Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP Investimentos, no telão | Foto Jackson Ciceri/Imprensa CIC_CCRS

Foi com essas experiências que aprenderam e hoje recomendam a readaptação rápida dos investimentos como um dos melhores caminhos para evitar perdas de patrimônio, que podem ser decisivas para a sobrevivência dos negócios. Em tempos de incerteza, é necessário ter cautela e fazer o uso correto de ferramentas como seguros e gestão financeira adequada.

De acordo com Fernando Ferreira, neste período de economia globalizada, fatores internos, como atraso nas reformas administrativa e do imposto de renda, e externos, como dificuldades de produção na China, contribuem para a crise econômica e aumentam o risco fiscal no Brasil. Mas, segundo ele, mesmo assim, a dica é manter os investimentos e sempre de forma diversificada.

“O Brasil continua sendo barato por conta das commodities. Hoje, apenas 1% dos brasileiros aloca seus investimentos no mercado internacional, quando cerca de 98% das oportunidades estão fora daqui”, explica. Por isso é recomendável estudar os ativos de melhor performance e avaliar os fundos internacionais, uma novidade no mercado brasileiro que pode ser bastante interessante, afirma Fernando.

Por Ruvana De Carli – Comunicação CRCRS

Contador explica como fazer a gestão do patrimônio de forma inovadora

Na última década, a gestão do patrimônio público passou por uma série de transformações, a partir da mudança e da criação novas normas. Dentro desse outro cenário, a necessidade do envolvimento da contabilidade nesses processos se tornou realidade nas organizações. Contudo, mais do que cumprir uma obrigação, os profissionais podem ir além e obter resultados mais satisfatórios, por meio do uso da tecnologia e da criatividade.

O contador, escritor e professor Diogo Duarte explicou aos participantes da XXXIV Conferência Interamericana de Contabilidade (CIC) e da XVIII Convenção de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CCRS), na tarde desta quarta-feira (20), como gerir o patrimônio público e desenvolver inventários com inovação, criatividade e estratégia.

Na palestra “Técnicas inovadoras de controle patrimonial no setor público”, Duarte deu dicas ao público sobre o tema. A primeira orientação envolve o controle físico dos bens. Sobre o assunto, o palestrante disse ser necessário analisar a realidade da organização para definir se deve ser mantido o controle por código de barras ou se o local possui estrutura técnica para adoção de códigos QR ou mesmo se cabe o investimento em identificação por radiofrequência ou Radio Frequency Identification (Rfid), em inglês. Durante essa observação, também é preciso estudar a relação custo-benefício para a tomada de decisão.

O contador ressaltou, ainda, que a conscientização da equipe é mais importante do que o investimento em novos sistemas. “O que é mais eficiente, a melhor tecnologia ou a capacitação de pessoal? Pessoal sempre! Porque, se a pessoa não sabe para que serve o controle patrimonial, a bagunça será eterna”, enfatizou.

A partir desse pensamento, o palestrante levou o público ao segundo ponto a ser observado. Segundo Duarte, a gestão das pessoas, é essencial. Isso envolve o preparo das equipes para o controle do patrimônio. A sugestão de ação, neste caso, é realizar um programa anual de inventário, capacitar as chefias e descentralizar o patrimônio para melhorar o controle. No entanto, de acordo com Duarte, deve existir um setor de patrimônio central para padronizar as atividades e para o qual os demais prestarão contas.

Por fim, a terceira dica está relacionada à contabilidade e propõe que se façam notas explicativas claras e registros fidedignos e, ainda, que seja dado apoio técnico ao setor de patrimônio.

Por Lorena Molter – Comunicação CFC/Apex

A LGPD e a proteção de dados nas organizações contábeis

A Lei nº 13.709/2018 ou Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) que tem como objetivo estabelecer regras sobre coleta, armazenamento, tratamento e compartilhamento de dados pessoais, impondo mais proteção às pessoas e penalidades para o seu descumprimento – foi um dos temas debatidos nesta quarta-feira, durante a Conferência Interamericana de Contabilidade (CIC), pelos palestrantes Karen Ranielli Borges e Nivaldo Cleto.

Alguns dos primeiros passos para que empresas contábeis possam aderir ao disposto na LGPD são: adequar a empresa e realizar um mapeamento de dados, nomear um encarregado de dados, criar e implementar um programa de privacidade de dados, implementar a governança de dados e acompanhar as leis e resoluções. Foi o que explicou a advogada especialista em Privacidade e Proteção de Dados no NIC.br, Karen Ranielli Borges.  “Os contadores também deverão repensar quando e como esses dados deverão ser solicitados do cliente, com o objetivo de minimizar a posse de informações sensíveis”, disse.

Um dado pessoal pode ser um CPF, um endereço, um número de telefone. Mas também existem aqueles dados que indiretamente possam nos identificar, como as nossas preferências de compras, o nosso score de banco, o nosso salário. “Tudo isso também é considerado um dado pessoal e, dentre esses dados pessoais, nós temos dados sensíveis, ou seja, são informações que podem gerar algum tipo de discriminação, como dados de saúde ou dados relacionados a uma opção política, à orientação sexual”, descreve Ranielli. “O tratamento desses dados precisa ser feito com mais cautela ainda.”

Segundo Nivaldo Cleto, contador e Conselheiro do Comitê Gestor da Internet do Brasil, quando fazemos uma alteração contratual e o cliente têm filhos para colocar como representante legal na empresa, por exemplo, assim que se recebe o CPF e outros dados dessas crianças, o profissional está recebendo dados sensíveis. “E muitas vezes nós não sabemos que estamos lidando com dados sensíveis se não tivermos o plano de compliance da LGPD. É importante que os contadores em geral se adequem para atender essa conformidade e tenham conhecimento do que devem fazer para tratar esses dados”, diz.

Durante o evento, os palestrantes frisaram que, apesar de o assunto ser muito falado dentro do mundo contábil, não existem ainda muitas referências de como implementar a LGPD no dia a dia. Por isso, fizeram nesta tarde um debate essencial com muitas dicas para preparar os contadores para essa nova realidade.

Para Ranielli, precisamos começar a ver a LGPD como uma Lei positiva. “Ao invés de pensarmos que é mais uma Lei que temos que adotar, mais uma regulamentação, ela trará melhorias para as empresas, então temos que vê-la como uma oportunidade, pois hoje se a sua empresa não estiver em conformidade com a LGPD ela vai perder clientes, vai perder muitas oportunidades”, afirma a advogada.

Nivaldo esclarece que também é preciso se adequar para não sofrer nenhuma denúncia. “Na Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) já se pode fazer denúncias. Sabemos que eles estão trabalhando na regulamentação e que vão fazer portarias e deliberações a respeito da LGPD para tratar esses assuntos das sanções”, disse Nivaldo.

“Muitas pessoas pensam que as empresas de pequeno porte não estão obrigadas a tratar dados pessoais, mas estão. Tanto o empresário de contabilidade que recebe uma infinidade de dados pessoais, quanto todas as empresas e negócios”, acrescenta o contador.

A conclusão do debate mostrou que a LGPD vem para ajudar as empresas e contadores, já que antes os dados pessoais eram usados sem regras. Foi o que afirmou Ranielli. “Sem saber como deveríamos tratar, até aqui, qualquer demanda envolvendo dados pessoais era resolvida com base no Código de Defesa do Consumidor, ou com base no Código Civil, ou então no Marco Civil da Internet. Ou seja, leis que não são especiais e que não tratam especificamente deste assunto”, disse. “Hoje, essa Lei nos traz segurança jurídica e nos indica o que pode e o que não pode ser feito pelas empresas no que se refere aos dados pessoais”, conclui a advogada.

Por Carol Veiga – Comunicação CFC

 

 

 

Presidentes de CRCs compartilham suas melhores práticas na gestão

O painel “Melhores Práticas na Gestão dos CRCs” reuniu relatos de sete presidentes de conselhos regionais de Contabilidade, neste segundo dia da 34ª CIC e 18ª CCRS. Foi uma oportunidade de compartilhar experiências bem-sucedidas, que permitiram às entidades virarem o jogo, otimizando suas performances e transformando muito do que seria prejuízo decorrente da pandemia em resultados positivos. A moderação ficou a cargo do presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Distrito Federal, Daniel Fernandes.

Presidentes José Donizete Valentina (CRCSP); Laudelino Jochem (CRCPR); Rangel Francisco Pinto (CRCGO); Maria Dorgivânia Arraes Barbará (CRCPE); Daniel Fernandes (CRCDF), moderador; Itajay Maria Soares (CRCRR); Carla Cristina Tasso (CRCES); e Samir Barbosa Ferreira Nehme (CRCRJ) | Foto: Jackson Cíceri/Imprensa CIC-CCRS

Samir Barbosa Ferreira Nehme (CRCRJ)

O presidente Samir Barbosa Ferreira Nehme conta que foi preciso enfrentar com coragem o desafio de inovar. O projeto para modernizar o Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro (CRCRJ) foi baseado em duas premissas: atender aos profissionais da Contabilidade e livrar a sociedade do mau exercício da profissão. Para perseguir esses objetivos, foram adotadas várias medidas. Foi estruturado um espaço coworking para os profissionais do interior que se deslocam até a capital; criado um aplicativo para acesso rápido a notícias, cursos, legislação de interesse da classe contábil, além de um balcão de estágios e empregos e área para atualização cadastral e emissão de boletos.  Também foi implantado atendimento via WhatsApp, permitindo retorno imediato aos profissionais, com redução no tempo de resposta aos profissionais.

Na área da educação continuada, o isolamento social exigido pela pandemia foi enfrentado com a implementação de cursos em EAD, o que conferiu maior capilaridade e economia de 90% nos custos.

Outras inovações foram o reforço da estrutura de assessoria de imprensa e o estabelecimento de parcerias: com a Junta Comercial, para a criação da Sala do Contador, que facilitou a tramitação de documentos para abertura e baixa de empresas; e com duas empresas, uma para fornecimento de certificado digital e outra para o sorteio de um carro entre os profissionais em situação regular com o CRCRJ.

Itajay Maria Soares (CRCRR)

Do extremo norte do Brasil veio um exemplo surpreendente de superação. Nem a condição de menor dos regionais, com apenas 1.269 profissionais registrados, nem as dificuldades orçamentárias decorrentes de uma inadimplência em torno de 50% intimidaram a presidente do Conselho Regional de Contabilidade de Roraima (CRCRR), Itajay Maria Soares.

Por meio de uma ferramenta simples e gratuita como o WhatsApp e contando com uma equipe de conselheiros e colaboradores muito motivados, reforçou a comunicação com os profissionais, aproximando-os do Conselho. Após, passou a enviar boletos das anuidades aos inadimplentes. Dessa forma, a arrecadação cresceu gradualmente e 2021 é o primeiro ano em que o regional alcança a sustentabilidade. Para 2022, o CRCRR, que até o ano passado não conseguia sequer cumprir as obrigações com a folha de pagamentos, tem a perspectiva de manter o orçamento sustentável.

Carla Cristina Tasso (CRCES)

Desde 2005 integrando o Sistema CFC/CRCs, a presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Espírito Santo (CRCES), Carla Cristina Tasso, apostou na tecnologia, na energia e na sustentabilidade.

Um grande passo foi a implantação de um sistema de geração de energia fotovoltaica, que proporcionou uma economia da ordem de 90% nesse custo: o valor da conta declinou gradualmente de R$ 59 mil, em 2019, para R$ 6 mil, neste ano.

Na seara da educação, parcerias com o Sebrae e com o Tribunal de Contas do Estado, respectivamente, para capacitações sobre pequenas, médias e microempresas, bem como para cursos de extensão para contadores públicos, somaram-se à realização de eventos técnicos on-line e híbridos, de fácil acesso para todos os profissionais.

Outra mudança importante da gestão foi a reforma da sede do Conselho com uso de mão de obra de apenados, a custo zero. Essa medida significou, ainda o cumprimento de uma função social, por meio da ressocialização dos presos envolvidos na obra.

José Donizete Valentina (CRCSP)

Muito espirituoso e com brincadeiras bem-humoradas, o presidente do Conselho Regional de Contabilidade de São Paulo (CRCSP), José Donizete Valentina, parte da premissa de que a tecnologia é básica, porém o ser humano ainda é o maior protagonista. Segundo ele, humanizar a tecnologia é o maior dos desafios.

Gestor do maior regional do País, que cobre 645 municípios e conta com 151 mil profissionais, enfrentou a pandemia com a criação de uma central de produção de conteúdo on-line que já ultrapassou um milhão de acessos. Outro facilitador foi a criação das delegacias virtuais, que propiciam autoatendimento on-line, evitando deslocamentos desnecessários aos profissionais.

Sempre com o propósito de ajudar e motivar profissionais, em 2020, criou um Grupo de Trabalho de Diversidade e Inclusão, com o objetivo de contribuir para estimular o respeito pelas pessoas, independentemente de questões raciais, de gênero, orientação sexual, religião ou condição física. E, ainda, o CRCSP Cultural, um espaço para apresentação dos talentos artísticos dos profissionais registrado no regional.

Laudelino Jochem (CRCPR)

O mapeamento dos pontos críticos do Conselho Regional de Contabilidade do Paraná (CRCPR) foi o primeiro movimento do presidente Laudelino Jochem, ao assumir a gestão. Diante das fragilidades apontadas, foram planejadas ações estratégicas, principalmente em educação, fiscalização e atendimento aos profissionais.

Uma das constatações iniciais foi de que a maioria dos acadêmicos em períodos finais da graduação não têm clareza da finalidade das entidades de classe. Para suprir essa lacuna, o CRCPR criou o Programa Contador do Amanhã, que atendeu mais de 20 mil estudantes, por meio da contratação de palestrantes que têm a missão de esclarecer as atribuições dos Conselhos Regional e Federal, associações e sindicatos. Ainda na área da educação, foi criada a Escola Técnica que, por meio de uma rigorosa avaliação dos palestrantes, assegura a construção de conhecimento qualificado e evolutivo.

A gestão também tem atuado fortemente na fiscalização, em especial, em duas frentes: com foco sobre a possibilidade de aviltamento de honorários, no caso de empresas que migram de um escritório contábil para outro, sobre o exercício irregular da profissão. O presidente relata que, recentemente, com o uso de 14 robôs, em poucos dias de fiscalização, foram descobertos mais de mil casos de atuação sem registro no Conselho, o que permitiu  ações que levaram à regularização de boa parte dos casos.

Em 2020, foi lançado um podcast com informações sobre a profissão que, atualmente, está ganhando uma nova versão com artigos de opinião sobre o mercado, visando qualificar os profissionais para que atuem como consultores. Ao mesmo tempo, criou-se a TV CRC, cujo objetivo é repercutir informações de interesse da classe contábil, por meio de entrevistas com especialistas e autoridades.

Também foi criado um banco de oportunidades, que conecta profissionais que buscam colocação no mercado e empresas interessadas em contratar e desenvolvido um sistema de atendimento on-line, para agilizar a resposta às demandas apresentadas pelos profissionais.

Maria Dorgivânia Arraes Barbará (CRCPE)

Primeira mulher a assumir a presidência do Conselho Regional de Pernambuco (CRCPE), em 2020, Maria Dorgivânia Arraes Barbará declara que gosta de desafios e que acredita que estabelecer conexões é um modo de vencê-los.

A partir do decreto da essencialidade da profissão, foram estabelecidos três pilares para a gestão:

  1. Conexão com os governos, instituições e sociedade

A partir do planejamento, foi feita uma parceria com o Sebrae – cujo objetivo é capacitar, integrar e certificar profissionais – e estabelecidos mais de cem relacionamentos institucionais, dentre eles, com a Junta Comercial, para desburocratização e simplificação de processos de abertura e encerramento de empresas. Também foi firmado um termo de cooperação para desenvolvimento de projetos de inovação no interesse de profissionais da Contabilidade, um deles para a geração de energia renovável.

  1. Educação para o desenvolvimento de habilidades e competências

Por meio de convênio com a Universidade de Pernambuco, foi criado o MBA em Ciência de Dados, que busca capacitar e valorizar os profissionais por meio do conhecimento científico.

  1. Fortalecimento da infraestrutura

A construção da nova sede própria do CRCPE, concluída em setembro último, tem área total construída de 2.338,79 m², distribuídos em cinco pavimentos. O espaço foi concebido de acordo com as demandas da classe contábil e levando em consideração as normas de acessibilidade e conforto ambiental.

Rangel Francisco Pinto (CRCGO)

Por duas gestões, o mais jovem entre os presidentes dos CRCs, Rangel Francisco Pinto, presidente do Conselho Regional de Contabilidade de Goiás (CRCGO), falou sobre a importância forte investimento na educação profissional continuada em formato on-line, durante o período de pandemia. Foram 120 lives, que atingiram um público de mais de 200 mil pessoas.

Contudo, a marca de sua gestão está em ações políticas cujos resultados se revestem de grande relevância não só para os profissionais goianos, mas, de todo o País. Assim ocorreu com a luta em prol do estabelecimento da essencialidade da profissão contábil em legislações municipais e estaduais, como também contra a Lei 17.519/2011, que estabelece a responsabilidade solidária do profissional da contabilidade pelo pagamento de tributos e penas pecuniárias de seus clientes.

Nesse caso, foram muitos os movimentos até que, em 2018, uma Ação Direta e Inconstitucionalidade (Adin) sepultou o caso: por dez votos a zero, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) julgaram inconstitucionais partes da Lei. Dessa forma, fica afastada a possibilidade de que outros estados tentem restabelecer esse tipo de responsabilidade solidária.

 

Por Ruvana De Carli – Comunicação CFC/CRCRS