IX Encontro de Peritos Contábeis debate “Perícia contábil e as novas perspectivas digitais”

De 28 de junho a 1º de julho, o IX Encontro de Peritos Contábeis debateu, em quatro painéis, diferentes aspectos do tema “Perícia Contábil e as perspectivas digitais”. No primeiro dia, a solenidade de abertura foi conduzida pelo vice-presidente de Registro, Juliano Bragatto Abadie, que representou a presidente Ana Tércia L. Rodrigues, e pela coordenadora da Comissão de Estudos de Perícia Contábil do CRCRS, Sandra Rasquin Rabenschlag. O evento, transmitido diariamente pela TV CRCRS, no YouTube, e pela Plataforma Teams, foi certificado e pontuou para o Programa de Educaçao Profissional Continuada do CFC.

Ao dar as boas-vindas aos participantes, a coordenadora Sandra Rabenschlag destacou o objetivo do encontro, de oportunizar a atualização profissional no cenário das persepctivas digitais, nas suas várias áreas de atuação: LGPD, perícia trabalhista, recuperação judicial e trabalho pericial em ambiente virtual.

O vice-presidente Juliano Abadie, que também atua como perito contábil, falou sobre o papel da Perícia Contábil como instrumento auxiliar da Justiça e, por extensão, de proteção da sociedade, razão pela qual entende que a atualização desses profissionais torna-se ainda mais importante. Lembrou, ainda, que o cumprimento das exigências da educação profissional continuada é essencial, tendo em vista, também, a composição do Cadastro Nacional de Peritos Contábeis, que cumpre um papel de grande relevância em processos judiciais.

As relações da LGPD com a Perícia Contábil

A primeira palestra técnica, “As relações da LGPD com a Perícia Contábil”, foi ministrada pela advogada especialista em Litígios Societários e Comerciais Tally Smitas, e contou com participação das integrantes da Comissão de Estudos de Perícia Contábil do CRCRS, Ana Cláudia Santa Helena (debatedora) e Dircinha Susin Bocchese (mediadora).

O tema foi apresentado em dois módulos – o primeiro mais teórico, sobre direitos e obrigações impostos pela LGPD; e o segundo, mais prático, voltado para a atuação dos profissionais da perícia, no cotidiano. Inicialmente, a especialista expôs detalhadamente os conceitos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e, a seguir, avaliou seus impactos nos negócios e atividades, considerando, em especial, a falta de tradição do País no campo da proteção de dados.

Segundo Tally Smitas, com relação aos grandes impactos, a LGPD impõe que as empresas adotem medidas de governança corporativa, ou seja, que adequem seus processos de forma que passem a incluir uma política de proteção de dados com procedimentos bem definidos, por exemplo, sobre os cuidados que os funcionários devem ter no tratamento e no descarte de dados, quando não forem mais necessários. A especialista salienta que a governança corporativa pode ser usada pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD)  como um fator mitigador de riscos.

Outra imposição da LGPD são as novas obrigações legais de indivíduos e empresas, que precisam passar a mapear os dados tratados para identificar as finalidades desse tratamento; se é efetivamente necessário; qual a base legal para cada dado; se aquele titular dos dados foi informado; se há contratos versando sobre o tratamento de dados com parceiros de negócios; dentre outras novas exigências.

A LGPD impacta, ainda, com muita relevância, os novos sistemas, novos negócios e novos projetos, que passam a exigir um padrão de tratamento de dados, desde o início do seu desenvolvimento. Os procedimentos internos também são afetados. É necessário repensá-los, a cada passo dos procedimentos da atividade, para minimizar riscos.

Outro grande impacto para o qual a especialista alerta é a existência da ANPD. Segundo ela, nesse momento, a postura da entidade ainda é bem mais educativa, com orientações disponíveis em seu site, inclusive por meio de perguntas frequentes que podem ser bastante esclarecedoras. Quanto às sanções administrativas, previstas para entrar em vigor a partir de agosto deste ano, Tally Smitas explica que ainda não se sabe como as exigências serão aplicadas para empresas de menor porte – o que somente deverá ser definido ao longo dos próximos meses.

Sobre a aplicação prática da LGPD quanto ao tratamento de dados no cotidiano profissional de peritos do juízo e de assistentes técnicos, Tally Smitas destacou a necessidade de que sejam sempre observadas as bases legais correspondentes, bem como que sejam consideradas as novas obrigações decorrentes da aplicação da lei quanto aos direitos dos titulares desses dados.

Uma das dúvidas manifestadas pela debatedora Ana Cláudia Santa Helena foi referente aos procedimentos que devem ser adotados no caso dos processos que se alongam, exigindo a manutenção dos dados por grandes períodos de tempo. Nesses casos, Tally Smitas esclareceu que em havendo uma justificativa consistente quanto à necessidade de que se mantenham os dados, não há problema legal.

Outra preocupação importante foi manifestada pela coordenadora da Comissão de Estudos de Pericia Contábil, Sandra Rabenschlag, quanto à possibilidade de vazamento involuntário de dados – um risco aumentado nesse período no qual muitos colaboradores realizam suas atividades em home office, com compartilhamento de dados por meio de plataformas. De acordo com Smitas, a avaliação da gravidade dos incidentes de segurança e de aplicação de sanções sempre levarão em consideração quais medidas preventivas, técnicas e administrativas foram tomadas para mitigar os riscos e se a empresa contava com uma política de governança estabelecida. No momento da responsabilização, a ANPD deverá considerar os cuidados tomados e os prejuízos efetivamente ocorridos. Por isso, é tão importante ter uma política de governança.

A mediadora Dircinha Bocchese destacou a grande participação de público no painel, que alcançou mais de 700 visualizações e permanece disponível na TV CRCRS.

Inovações tecnológicas em Perícias Trabalhistas

No segundo dia de programação técnica, o perito contábil e assistente técnico em arbitragens e conflitos extrajudiciais Lucimar de Carvalho Alves apresentou a palestra “Inovações tecnológicas em Perícias Trabalhistas”, um histórico do exercício da Perícia Contábil, com o ingresso gradual de novas tecnologias. Também participaram do painel as integrantes da Comissão de Estudos de Perícia Contábil, Letícia Coelho Py que, atuando como mediadora, apresentou o palestrante e conduziu os trabalhos; Regina Pedra, debatedora; e a coordenadora da comissão, Sandra Rabenschlag, que saudou brevemente os participantes, no início do evento.

Em um resgate da história da Perícia Contábil, Lucimar Alves, que atuou como perito do juízo, entre 1982 e 1992, e, depois, como assistente técnico, lembrou que, naquela época, as demandas eram menos complexas – como reclamações sobre diferenças no pagamento de horas extras, adicional de insalubridade não pago e questões relativas ao não pagamento de horas referentes aos dias de chuva. No ramo da construção civil, era usual dispensar os trabalhadores em dias de chuva, sem remunerá-los por essas horas.

Contudo, apesar dessa “simplicidade” das demandas, havia dificuldades importantes: os processos eram físicos, não havia ferramentas facilitadoras para pesquisas – os cálculos eram feitos à mão, o laudo, datilografado e, inicialmente, remetido em cópia física. A partir de 1990, o surgimento do fac-símile, o “fax”, gerou alguns problemas: laudos enviados por esse meio foram anexados a processos e, como eram impressos em papel termossensível, acabaram sendo apagados, após alguns meses.

Nos anos 1990, surgiram o primeiro programa para cálculo usado no Estado e a internet, que foram facilitando o trabalho, até se chegar, atualmente, ao processo judicial eletrônico (PJe). O PJe representou um salto na facilitação do trabalho não só do perito, como dos demais envolvidos e do Judiciário, em geral. “Até 2015, sempre que havia uma greve no Judiciário, algumas varas seguiam trabalhando, mas não disponibilizavam os processos. Em consequência, os peritos do juízo e os escritórios de advocacia praticamente paravam, porque não tinham como trabalhar”, conta Alves.

Na pandemia, porém, o volume de trabalho praticamente triplicou, em razão da celeridade conferida pelo processo eletrônico e da facilidade de acesso aos processos e a documentos que estejam eventualmente faltando. Em síntese, o PJe propiciou redução de custos ao perito, facilidade de pesquisa e agilidade, na medida em que possibilita consultas a qualquer hora e a partir de qualquer lugar. “Se não houvesse o PJe, estaríamos parados há praticamente um ano e seis meses”, observa.

Devido ao processo eletrônico, porém, ocorreu o contrário: houve aumento da demanda pelo trabalho de perito contábil e uma aceleração dos resultados. “Antes, se trabalhavam cinco, seis anos, sem ver os honorários. Hoje, é bem mais rápido”, explica Alves.

A pandemia impôs, também, novas exigências para que os peritos pudessem seguir trabalhando com segurança e cumprindo os prazos. Entre as adaptações ao home office, Alves destaca a importância de implantação de rede privada virtual e a migração do sevidor da empresa para a nuvem, gerando, dessa forma, eficiência e segurança de dados, além de superar o risco de uma eventual interrupção do abastecimento de energia elétrica no escritório. Também recomenda uma série de medidas, como: criar um plano de ação; mapear os processos da empresa; alinhar procedimentos com a equipe de TI; treinar os colaboradores, padronizar ferramentas; agendar reuniões frequentes; e comunicar clientes e parceiros.

Foram inúmeras as perguntas do público, apresentadas pela debatedora Regina Pedra, principalmente, sobre as dificuldades de acesso para consultas eletrônicas na Justiça do Trabalho da 4ª Região (TRT4). Alves explicou que algumas varas estão com  dificuldades nesse quesito.

Ele também, demonstrou, detalhadamente, procedimentos e o uso de ferramentas para acessar processos e para realizar e remeter cálculos diretamente ao sistema.

A palestra “Inovações Tecnológicas em Perícias Trabalhistas” está disponível na TV CRCRS, no YouTube.

A relevância do contador na recuperação judicial

Em 30 de junho, foi a vez do painel “A relevância do contador na recuperação judicial”, com a palestrante Eliza Fazan, contadora, perita e administradora judicial, membro do Grupo de Estudo para Regulamentação da Prestação de Contas do Administrador Judicial das Massas Falidas; dos integrantes da Comissão de Estudos de Perícia Contábil de CRCRS, Edi Cristiano Siqueira e Rosana Lavies Spellmeier, como mediadores; e Gilberto Schäfer, juiz da Vara de Direito Empresarial e Recuperação Judicial de Porto Alegre (RS), como debatedor.

A abertura dos trabalhos foi conduzida pela coordenadora da comissão, Sandra Rasquin Rabenschlag.

Em sua palestra, a contadora Eliza Fazan tratou, inicialmente, sobre o sistema de insolvência empresarial no Brasil, sob quatro aspectos – recuperação judicial, recuperação extradjudicial, falência e autofalência -, regidos pela Lei 11.101/2005, recentemente alterada pela Lei 14.112/2020, que passou a vigir em janeiro de 2021. Segundo ela, no âmbito da insolvência empresarial, o contador tem duas possibilidades de atuação: como perito contador e como administrador judicial. Ela explica que o perito contador atua tanto na fase extrajudicial – fase administrativa, da apuração de créditos – como também na fase judicial, na qual é nomeado pelo magistrado para dirimir tecnicamente eventuais controvérsias existentes no processo. Nessa etapa, encontram-se a elaboração de relatórios, nos processos de recuperação judicial de falência, e de laudos, nos processos de habilitação e impugnação de créditos.

No processo de recuperação judicial, o contador é um dos profissionais aptos a se habilitar para ser nomeado pelo juízo como administrador judicial, uma função que não deve ser confundida com a do gestor da empresa. O administrador judicial tanto poderá atuar como fiscalizador do devedor ou de seus administradores, caso estes sejam mantidos na condução da atividade empresarial durante o processo, quanto poderá exercer as funções de gestor da empresa, quando os gestores forem afastados. Quando houver afastamento dos gestores, o juiz convocará uma assembleia geral de credores para deliberar sobre o nome do gestor judicial que assumirá a administração das atividades do devedor. É durante o período em que estiver sendo aguardada a deliberação de assembleia geral sobre o nome do gestor judicial que o administrador judicial exercerá as funções de gestor da empresa. “A função de administrador judicial é multidisciplinar, portanto, necessita de economistas, administradores, contadores e advogados, para que o processo funcione corretamente”, alerta Eliza Fazan. 

O juiz Gilberto Schäfer enalteceu o papel dos contadores que atuam na perícia judicial, especialmente, por conferirem transparência aos processos. De acordo com Schäfer, cabe aos peritos o desafio de converter as constatações técnicas em uma linguagem facilmente compreensível para operadores jurídicos e por todos os demais participantes do processo. Entende que se trata de um trabalho de grande relevância social, uma vez que é com base nas informações desses profissionais que os magistrados decidem os processos, interferindo diretamente na vida das pessoas envolvidas.

Schäfer entende que as alterações da legislação e as recomendações do Conselho Nacional de Justiça vêm no mesmo sentido, como regramentos que também visam a atender à necessidade de maior transparência nos processos judiciais.

Finalizando o painel, os mediadores Rosana Spellmeier e Edi Cristiano Siqueira encaminharam diversos questionamentos da plateia, sobre uma grande variedade de aspectos da perícia na recuperação judicial, que foram esclarecidos pela palestrante e pelo debatedor. Confira, na TV CRCRS, no YouTube.

Ferramentas digitais para a atuação ténico-administrativa no trabalho pericial

O painel de encerramento do IX Encontro de Peritos Contábeis, em 1º de julho, contou com a presença da presidente do CRCRS, Ana Tércia L. Rodrigues, que cumprimentou os profissionais participantes da jornada de conhecimento e atualização na perícia contábil e parabenizou a Comissão de Estudos de Perícia Contábil e a Divisão de Desenvolvimento Profissional, pela exitosa realização do evento. A presidente também agradeceu aos palestrantes que abrilhantaram os quatro dias do encontro e enfatizou a expectativa de que, já em pouco tempo, todos tenham condições de se reencontrar presencialmente, na XXXIV Conferência Interamericana de Contabilidade e XVIII Convenção de Contabilidade do RS – megaevento conjunto, que será realizado, de 19 a 21 de outubro, em formato híbrido, em Porto Alegre (RS).

Com a participação de profissionais de todo o Brasil, a professora universitária e pós-doutora em Empreendedorismo, Estratégia, Planejamento e Inovação em Negócios Wendy Beatriz Witt Haddad Carraro foi apresentada pela mediadora Andreia Federizzi, integrante da comissão, e iniciou a palestra “Ferramentas digitais para a atuação ténico-administrativa no trabalho pericial” interagindo com a plateia.

Inicialmente, Wendy demonstrou a ferramenta Mentimeter, que permite criar apresentações a partir da interação com o público, em diferentes formatos, como campo aberto, nuvens de palavras, ranking, dentre outros. A utilização pode ser em tempo real ou por meio de arquivos, presencial ou assíncrona, e os resultados podem ser compartilhados. O cadastro para usuários é simples e a operação bastante fácil.

A seguir, explicou que as possibilidades oferecidas pelas ferramentas digitais são praticamente infinitas e permitem otimizar a construção de conhecimentos em todas as áreas. Provas disso, são o link que compartilhou durante o evento, com todas as ferramentas que ela mesma utiliza em aulas e em atividades de extensão e pesquisa, https://padlet.com/wendy_carraro/mytechnologytoolsatclass, e o seu canal Wendy Ensina, no YouTube, onde seguidamente disponibiliza novos tutoriais.

A palestra também detalhou outras ferramentas, muitas delas com versões gratuitas, como o mural digital Padlet, que permite organizar arquivos digitais e links, em diferentes formatos, muito apropriado para treinamento de equipes e outras funcionalidades. Wendy chamou a atenção, ainda, para a possibilidade de criação de playlists que podem reunir não só materiais desenvolvidos pelo dono do repositório, como conteúdos diversos, que sejam de interesse do profissional ou da equipe.

Outras ferramentas demonstradas foram o Canva, destinada à criação de leiautes para diferentes mídias; a Sala Elos, o Google Meet e a Plataforma Microsoft Teams, para videoconferências; além de ferramentas para gestão de equipe, como Moodle, Trello, Slack, Evernote e Google Drive.

A coordenadora da Comissão de Estudos de Perícia Contábil e debatedora do painel, Sandra Rabenschlag, apresentou as ideias trazidas pela plateia para o uso dessas ferramentas, como a produção de laudos e trabalhos periciais, além  da divulgação de informações relevantes em redes sociais. As perguntas também foram bastante diversificadas e as respostas estão disponíveis no vídeo do painel, na TV CRCRS, no Youtube. Acompanhe!

Vêm aí dois grandes eventos: XXXIV Conferência Interamericana de Contabilidade e XVIII Convenção de Contabilidade do RS. Lançamento em abril.

No próximo dia 6 de abril, às 17h, será dado o primeiro passo para a realização de dois grandes eventos: o lançamento virtual da XVIII Convenção de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CCRS) e da XXXIV Conferência Interamericana de Contabilidade (CIC), que pela primeira vez será realizada no Estado. A solenidade será transmitida em português e espanhol e poderá ser acompanhada pelo YouTube, no canal da TV CRCRS, em espanhol, e TV CFC, em português.

Os eventos, que ocorrerão  em conjunto, de 19 a 21 de outubro, terão como tema central a  “Contabilidade e Tecnologia – Aliança para o Desenvolvimento das Nações”, que proporcionará debates em torno de temas contemporâneos, com reflexos no cotidiano da profissão, a partir palestrantes renomados no cenário contábil nacional e internacional. Será uma oportunidade imperdível de atualização para os profissionais da contabilidade, que há 18 edições vivenciam a tradição da Convenção de Contabilidade do RS e, dessa vez, poderão somar à experiência a participação simultânea em um evento de caráter internacional, importante para o nosso País e para as Américas – a Conferência Interamericana de Contabilidade, evento de cúpula da Associação Interamericana de Contabilidade que, desde 1949, tem como principal objetivo unir os contadores do continente americano, contribuindo para o fortalecimento das organizações profissionais de livre associação que a representam em cada país da América.

CRC ao vivo com Você debate “Perspectivas da Perícia Contábil”

No “CRC ao vivo com Você”, deste 4 de novembro, a presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CRCRS), Ana Tércia L. Rodrigues, conversou com a coordenadora da Comissão de Estudos de Perícia Contábil, Sandra Rasquin Rabenschlag, e com o conselheiro do CRCRS Mártin Lavies Spellmeier, sobre as “Perspectivas da Perícia Contábil”.

A inserção imediata e urgente no mundo virtual, decorrente da pandemia, não chegou a ser um problema para os peritos contábeis, já bastante habituados a lidar com o processo judicial eletrônico e a trabalhar de forma virtual. Para  Sandra Rabenschlag, houve uma grande migração de profissionais para a área da Perícia, o que causa preocupação, devido à experiência e profundidade profissional demandadas, bem como à necessidade de cumprimento das rígidas normas técnicas e éticas que regulam a atuação do segmento. “Isso nos preocupa no sentido da profundidade que o profissional precisa ter, porque a Perícia Contábil faz prova dentro do processo e, uma perícia na fase de instrução, por exemplo, se mal conduzida, prejudica o bom andamento do processo todo”, explicou.

A coordenadora da Comissão de Estudos de Perícia Contábil do CRCRS lembrou, também, que a Justiça Trabalhista está em fase de adequação ao PJ e-Calc – ferramenta padrão de elaboração de cálculos trabalhistas e liquidação de sentenças, utilizada na Justiça do Trabalho. Os peritos ainda estão se adaptando a apresentar cálculos por meio do programa, o que exige grande atenção e dedicação dos profissionais. “É preciso  preparo e responsabilidade, pois nós temos implicações éticas e implicações cíveis na Perícia”, destaca Sandra, esclarecendo que o perito não é aquele que faz cálculos.

Sobre a questão referida por Sandra, a presidente Ana Tércia mencionou que “é o que nós vivenciamos muito no Plenário do CRCRS, com julgamentos de processos que muitas vezes são denunciados pelo próprio Judiciário por atuação indevida do perito”.

A respeito desta preocupação do Plenário do Conselho, Mártin Spellmeier afirmou que “o profissional que está oferecendo seus serviços ao juiz, às partes ou advogados, tem que ter cuidado com os honorários, que têm que cumprir a tabela, têm que ter um parâmetro específico, porque o aviltamento de honorários é ruim para toda a classe”, afirmou. Segundo ele, é preciso ter claro que a prática de um preço justo pelo justo pelo serviço, que cubra os custos e remunere o trabalho, é um fator de fortalecimento da classe de peritos contábeis como um todo.

Ainda sobre honorários, Sandra Rabenschlag salientou a necessidade de considerá-los como faturamento e não apenas como remuneração, porque o profissional arca com custos elevados e muitas vezes invisíveis, entre os quais, muitos programas e plataformas para reunião com clientes.

Outro aspecto, abordado pela presidente Ana Tércia, foi a velocidade do avanço da tecnologia na profissão, com a robotização de processos e uso da inteligência artificial. Para Sandra Rabenschlag, a aceleração tanto da virtualização como da análise de sistemas e de dados, passa e exigir do perito contábil um conhecimento muito maior sobre informática e a busca por um bom assessoramento em Tecnologia da Informação. Do mesmo modo, nas diferentes esferas do Judiciário, o avanço tecnológico é rápido, com o uso casa vez mais amplo de programas como  Processo Judicial Eletrônico (PJe) e Sistema de Transmissão Eletrônica de Atos Processuais da Justiça Federal da Primeira Região (e-proc), o que requer atualização dos servidores, dos advogados e também dos peritos, que irão precisar de equipamentos adequados, uma boa internet e desenvoltura para trabalhar nessa nova realidade, respondendo às demandas com qualidade e velocidade. “O perito acaba sendo especialista em diversas áreas e, para ser o braço direito do juiz, precisa estar atento a todos os detalhes, afirmou Mártin, lembrando, ainda, que um dos maiores desafios para o profissional da área de Perícia Contábil é a necessidade de atualização permanente.

Estes e outros aspectos do segmento da Perícia Contábil estão na TV CRCRS, canal do YouTube. Confira!

 

CRCRS na mídia

A recondução da contadora Ana Tércia, em 6 de janeiro, à presidência do CRCRS para o biênio 2020-2021 foi notícia nos principais jornais do RS. Em Porto Alegre,  Correio do Povo, no dia 7; Jornal do Comércio e Zero Hora, no dia 8, destacaram o assunto.

A eleição do Conselho Diretor 2020-2021 e a posse dos conselheiros eleitos em novembro também foram divulgadas em sites, blogues e outras mídias.

CRCRS e Sescon-RS se reúnem com secretário-adjunto da Casa Civil e encaminham pautas da classe contábil

O vice-presidente de Relações Institucionais, Celso Luft, representou o CRCRS, na manhã desta quarta-feira, 13 de março, em reunião com o secretário-adjunto da Casa Civil do Governo do Estado, Bruno Pinto de Freitas; o presidente do Sescon-RS, Célio Levandowski, e o vice-presidente, Flávio Dondoni Jr.. Na ocasião, foram encaminhados três assuntos importantes para a classe contábil: a reivindicação de que sejam indicados os novos vogais para a JucisRS; a participação do governo na campanha em prol da destinação de recursos do IRPF ao Funcriança; e a solicitação de que seja prorrogado o prazo para a entrega de informações do ICM-ST, que foi reiterada.

Bruno Pinto de Freitas, secretário-adjunto da Casa Civil; Celso Luft, vice-presidente de Relações Institucionais do CRCRS; Célio Levandowski e Flávio Dondoni Jr., respectivamente, presidente e vice-presidente Administrativo do Sescon-RS

CFC abre audiência pública sobre processo de convergência de NBC TSP

Estende-se até 9 de junho o período de audiência pública aberto pelo CFC para a discussão do processo de convergência das Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público de cinco normas: NBC TSP 06 – Propriedade para InvestimentoNBC TSP 07 – Ativo ImobilizadoNBC TSP 08 – Ativo IntangívelNBC TSP 09 – Redução ao Valor Recuperável de Ativo Não Gerador de Caixa; e NBC TSP 10 – Redução ao Valor Recuperável de Ativo Gerador de Caixa

As sugestões e comentários às NBC TSP deverão ser enviadas para o e-mail ap.nbc@cfc.org.br.

CRCRS discute projeto sobre orientação da contribuição previdenciária rural

Nesta sexta-feira (12), o CRCRS, representado pela vice-presidente de Desenvolvimento Profissional, Magda Wormann, e pelo Diretor Executivo Adjunto, João Victor de Oliveira, participaram de reunião na sede da Receita Federal em Porto Alegre. No encontro debateu-se o projeto de contribuição técnica entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), CRCRS, Receita Federal do Brasil e INSS. O objetivo é, por meio da distribuição de material específico, promover a participação em eventos, apresentações, seminários e palestras, capacitar os trabalhadores rurais e contadores sobre a contribuição previdenciária rural e seus benefícios.

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Na ordem: Angelo Rigoni; Magda Wormann; Paulo Renato Silva da Paz; Saulo José Ribas Gomes e João Victor de Oliveira.

Participaram da reunião, além dos representantes do CRCRS; o superintendente regional da Receita Federal, Paulo Renato Silva da Paz; o superintendente adjunto da Receita Federal Angelo Rigoni e o Chefe da Divisão de Gestão da Arrecadação do SENAR, Saulo José Ribas Gomes.

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Fotos: Comunicação/CRCRS

Professor da Unisinos fala sobre os cursos de doutorado e mestrado em Ciências Contábeis

No Programa Contabilidade em Debate desta semana, o apresentador da Rádio CRCRS, Luciano Biehl, conversa com Ernani Ott, professor dos cursos de Mestrado e Doutorado em Ciências Contábeis da Unisinos. Ott é presidente da Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Ciências Contábeis. O programa debate os cursos de doutorado e mestrado, as metodologias e oportunidades.

Confira o Contabilidade em Debate,  a partir de 8 de maio, em três edições diárias: às 11h30, 13h30 e 18h30, pela Rádio CRCRS Web.

Luciano Biehl (centro) conversa com Ernani Ott, professor dos cursos de Mestrado e Doutorado em Ciências Contábeis da Unisinos.

– Luciano Biehl (esquerda) conversa com Ernani Ott, professor dos cursos de Mestrado e Doutorado em Ciências Contábeis da Unisinos.

Comitê de Revisão Externa de Qualidade realiza treinamento para auditores

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Nesta segunda-feira (24), o Comitê de Revisão Externa de Qualidade (CRE) realizou, em Porto Alegre, treinamento para  auditores que atuam ou que irão atuar como revisores. O contador Rogério Rokembach, coordenador do Comitê Administrador do Programa de Revisão Externa da Qualidade e ex-presidente do CRCRS, participou do evento que ainda teve a presença de dois contadores membros do Conselho Federal de Contabilidade, Felipe Bastos e André Augusto Nascimento.

Durante à tarde, foram tratados os procedimentos que os revisores devem adotar para os trabalhos de revisão, principais falhas encontradas pelo Comitê e problemas que têm gerado a não aprovação de processos.

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Fotos: Comunicação/CRCRS