CRC ao vivo com Você realiza “Bate-papo tecnológico: mitos e verdades sobre o mercado da contabilidade”

“Bate-papo tecnológico: mitos e verdades sobre o mercado da contabilidade” foi o tema do CRC ao vivo com Você, realizado em 28 de outubro, que reuniu o vice-presidente de Relações Institucionais do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CRCRS), Ricardo Kerkhoff, o integrante da Comissão de Estudos de Tecnologia da Informação Clóvis da Rocha e o conselheiro Tairo Rolim Fracasso, que também integra a Comissão de Estudos CRCRS Jovem e o Grupo de Trabalho para Realização de Estudos sobre Experiência do Usuário.

A primeira provocação de Ricardo Kerkhoff foi “o mercado da Contabilidade está ameaçado pela tecnologia. Mito ou verdade?” Para Clóvis da Rocha, “é, ao mesmo tempo, mito e verdade”. Ele lembrou as mudanças advindas da chegada do computador aos escritórios contábeis, em meados da década de 1980, e a evolução das tecnologias que têm agilizado muito, especialmente a apresentação das obrigações assessórias. Em contrapartida, os órgãos governamentais vêm aumentando as exigências, demandando a adaptação contínua dos profissionais da contabilidade. “Mas, a profissão não acabou por isso, ela se beneficiou com isso”, comenta Clóvis, que acredita que estamos vivendo uma segunda transformação, com os processos de robotização e a inteligência artificial. Por outro lado, para o profissional que usa a informação contábil para suprir seu cliente com vistas à tomada de decisão, abre-se um horizonte muito grande. Sobre esse contexto, Ricardo Kerkhoff acrescenta que o avanço tecnológico tem propiciado uma abreviação do tempo para o fornecimento de informações aos clientes.

Tairo Fracasso concorda que o impacto da tecnologia na contabilidade é positivo e ressalta que a pandemia tem contribuído para reduzir a resistência, por parte de alguns profissionais que ainda tinham dúvidas, quanto ao uso de recursos como acesso remoto, videoconferências, importação e exportação de arquivos, entre outros. Segundo ele, é necessário adaptar-se às tecnologias para não ser substituído por um profissional mais atualizado.

A adaptação às novas tecnologias, embora imprescindível, nem sempre é fácil. Ricardo Kerkhoff, que pertence à segunda geração de um escritório contábil, também fala sobre o peso da cultura para quem herda um negócio familiar. Ele alerta para a tendência de seguir “fazendo as coisas da mesma maneira, sem parar para pensar estrategicamente sobre como as coisas precisam ser feitas”.

O pensamento estratégico é a parte da contabilidade à qual a tecnologia não poderá se sobrepor, prevê Clóvis da Rocha. “A tecnologia vai substituir o trabalho rotineiro, mas não será capaz, de maneira nenhuma, de substituir as relações humanas”, conclui.

Confira o CRC ao vivo com Você “Bate-papo tecnológico: mitos e verdades sobre o mercado da contabilidade” na TV CRCRS.

 

Artigo: O profissional da contabilidade: peça fundamental no processo de prestação de contas eleitorais

Por Joaquim Bezerra Filho,
vice-presidente de Política Institucional do CFC

            No próximo dia 15 de novembro serão realizadas as eleições municipais de 2020, com segundo turno previsto para 29 de novembro, onde houver. A votação deve reunir cerca 750 mil candidatos ao pleito dos cargos municipais em todo o país, dentre prefeitos e vereadores. De acordo com a Resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) n.º 23.609/2019, poderão participar das eleições os partidos que tenham registrado seus estatutos no TSE até seis meses antes do pleito e que, até a data da convenção, possuam órgãos de direção formados na circunscrição, de acordo com os estatutos.

            Atualmente, grande parte da fonte de financiamento dos candidatos e partidos políticos é oriunda de verba pública, portanto, é indispensável que o processo de arrecadação seja feito de forma idônea e transparente, pautado nos princípios da integridade e conformidade, realizando-se o constante monitoramento das contas de campanha e as devidas prestações de contas formais responsáveis. Os recursos de campanha são todos os bens, valores e serviços utilizados por partidos políticos e candidatos durante o período eleitoral, sendo categorizados, segundo o Art. 15 da Resolução TSE n.º 23.607/2019, em: (1) recursos financeiros, (2) recursos próprios do candidato, (3) doações estimáveis de pessoas físicas, (4) doações de outros partidos políticos e de outros candidatos, (5) recursos próprios dos partidos políticos, (6) Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), (7) receitas decorrentes da comercialização de bens e/ou serviços e/ou da promoção de eventos e (8) receitas decorrentes de aplicação financeira. Alerta-se também para vedação das seguintes fontes de financiamento: (1) pessoas jurídicas, (2) origens estrangeiras, (3) pessoa que exerça atividade comercial decorrente de permissão pública e (4) Recursos de Origens Não Identificadas (Roni).

            Entende-se que o profissional da contabilidade deva ser um dos primeiros a compor a equipe estratégica do planejamento de campanhas eleitorais, afinal, é ele quem deverá direcionar a devida alocação dos bens e recursos disponíveis, de modo que sejam atingidos os objetivos almejados na campanha e o alcance de seu público-alvo. O gasto eleitoral será mensurado a partir das estratégias traçadas no início da campanha, desta forma, o custo efetivo será a principal diretriz a ser seguida na discussão acerca da arrecadação de recursos financeiros e não financeiros para o financiamento. Espera-se então que, nessa fase, o profissional da contabilidade, munido de todo conhecimento que se fizer necessário, demande ações que atendam ao interesse do poder público e em benefício da coletividade, sempre calcadas em princípios éticos e morais.

            Segundo o Art. 26 da Lei n.º 9.504/1997, são considerados gastos eleitorais despesas realizadas por candidatos e/ou partidos durante uma eleição, para alcançar o objetivo de eleger-se ao poder. Esses gastos, por sua vez, devem ser registrados e possuem limites pré-fixados para a campanha eleitoral, sendo divididos em gastos financeiros e gastos não financeiros.

  • Gastos eleitorais financeiros: bens e serviços aplicados à campanha eleitoral por candidatos ou partidos políticos, obtidos mediante pagamento.
  • Gastos eleitorais não financeiros: bens e serviços aplicados à campanha eleitoral por candidatos ou partidos políticos, que possuem valor, porém são recebidos por meio de doação ou cessão de uso, sendo vedado o pagamento na forma de desembolso financeiro.

A partir das eleições municipais de 2020, as contratações de serviços de consultoria jurídica e de contabilidade não estão mais sujeitas aos limites propostos para gastos eleitorais, sendo o gasto retirado do rol de doação de bens e serviços estimados em dinheiro, de modo que não se possam impor dificuldades ao exercício legal da ampla defesa. Todavia, mesmo estando à margem do limite proposto e não sendo considerados recursos não financeiros ou estimáveis em dinheiro, os serviços de consultoria jurídica e contábil ainda são considerados gastos eleitorais e devem ser registrados pela contabilidade eleitoral. Considera-se que a contabilidade eleitoral opera em regime de competência, ou seja, todos os gastos eleitorais devem ser registrados no ato de sua contratação, para fins de prestação de contas, independentemente da ocorrência de desembolso financeiro no momento inicial. É essencial que os profissionais da contabilidade envolvidos no processo eleitoral observem não somente as normas e os princípios contábeis em geral, como também adotem o disposto em normativos específicos que tratam do processo de contabilidade eleitoral.

            Findado o período eleitoral, após os resultados das eleições, inicia-se o prazo para o cumprimento da obrigação dos candidatos e partidos políticos de prestar contas da campanha. Nesse momento devem ser informados à Justiça Eleitoral e à sociedade os montantes arrecadados como forma de financiamento das campanhas e  os gastos eleitorais realizados. Como anteriormente citado, é fundamental a presença do profissional da contabilidade em todo o processo eleitoral, com ênfase no momento da prestação de contas, no qual será realizada a devida classificação das receitas e dos gastos incorridos ao longo do período de campanha, bem como deverá proceder às instruções necessárias quanto à impossibilidade da utilização de recursos oriundos de fontes vedadas e documentos hábeis legais de comprovação de gastos. A participação do profissional da contabilidade no processo eleitoral reafirma a figura de agente protetor da sociedade, viabilizando o controle social, a boa gestão de recursos públicos e assegurando a devida transparência no processo de prestação de contas.

Referências: CONTABILIDADE ELEITORAL – ASPECTOS CONTÁBEIS E JURÍDICOS – ELEIÇÕES 2020 – CFC

Fonte: Comunicação CFC

Gestão de Riscos é tema de webinar

A gestão de riscos no contexto da retomada das atividades econômicas, considerando-se a situação anterior ao início da pandemia e a expectativa em relação ao que virá, foi tema do webinar, realizado em 27 de outubro, pelo CRCRS, com as participações do vice-presidente do Conselho de Administração da Marcopolo S/A, Paulo Cezar Nunes, e da gerente de Contabilidade da Taurus S/A, Cláudia Teresinha da Costa Caletti. A mediação foi do contador Denis Carraro, integrante da Comissão de Estudos de Governança e Compliance do CRCRS.

Cláudia Caletti contou um pouco da caminhada da Taurus para a adaptação ao período de pandemia, com o desenvolvimento de uma política de gestão de riscos. Ao grande impacto da paralisação dos fornecedores da companhia, somaram-se a preocupação com a saúde dos funcionários e o compromisso em manter a produção para seguir atendendo o mercado mundial de segurança – uma área estratégica na qual a demanda por armas cresceu, especialmente nos Estados Unidos. Nesse contexto, como conciliar a continuidade da produção com a redução do número de colaboradores na fábrica? Como garantir o embarque dos produtos quando a disponibilidade de vôos estava reduzida? Para agilizar as respostas para essas e muitas outras questões, foi criado um comitê de covid-19, que se reúne diariamente, desde março. Para Cláudia, o grande aprendizado foi sobre a importância da agilidade nas respostas às demandas que se apresentam subitamente e, também, quanto à necessidade de as empresas se estruturarem, com a criação de um plano para a gestão dos riscos.

Para Paulo Cezar Nunes, na maioria das empresas de porte, a estrutura do planejamento e da gestão de risco está conectada ao planejamento estratégico e sempre inserida em um processo de boas práticas: “se identifica o risco, se avalia a gravidade deste e as possibilidades de gestão”, explica. Segundo ele, uma dinâmica importante é que os conselhos das empresas, principalmente as de capital aberto, acompanhem com cuidado a gestão de riscos, bem como as avaliações dessas ameaças. “Esses processos são muito relevantes para as atividades das empresas e, inclusive, para o gerenciamento e comunicação do que é importante para o mercado”, salientou Nunes.

O contador Denis Carraro observou que, após a instauração do ambiente de crise, grande parte dos problemas foram comuns a praticamente todas as empresas: home office, dificuldades de fornecimento, alterações no mercado consumidor, entre outros, apenas com variações de amplitude e complexidade. Ele lembrou, ainda, que alguns ramos de negócios foram mais impactados, como turismo e eventos, mas, “quanto aos problemas, cada empresa teve que encontrar a sua solução, de forma imediata”, avaliou.

O webinar “Gestão de Riscos (antes e depois)” está disponível na TV CRCRS, no YouTube. Confira!

 

 

Importantes conquistas da história da Contabilidade narradas por uma das “lendas” da profissão. Confira a segunda edição do “Lendas da Contabilidade”, com José Martonio Alves Coelho

Na manhã de sábado (24/10), o contador José Martonio Alves Coelho narrou fatos históricos e curiosos que marcaram a Contabilidade, especialmente sob o enfoque classista, na segunda edição do Lendas da Contabilidade.

Martonio foi presidente do Conselho Federal de Contabilidade por três mandatos (2004-2005, 2014-2015 e 2016-2017) e detentor da medalha Mérito Contábil João Lyra, maior distinção da classe contábil brasileira.

Em tom descontraído, o bate-papo foi conduzido pelas presidentes do CRCRS, Ana Tércia L. Rodrigues, e da Associação Interamericana de Contabilidade (AIC) e Abracicon, Maria Clara Bugarim.

Há mais de quatro décadas integrado ao movimento classista da contabilidade e  visivelmente emocionado ao receber o tratamento de “lenda da contabilidade”, José Martonio iniciou falando sobre a importância da articulação política para construir gestões – uma das suas características mais marcantes, como observou a presidente Ana Tércia.

Inspirado por um dos grandes ícones da contabilidade, o gaúcho Ivan Carlos Gatti, José Martonio passou a participar de reuniões, a partir das quais foi incentivado e estimulado a realizar um trabalho em prol da profissão contábil brasileira, por meio da participação no Conselho Federal de Contabilidade (CFC).

Maria Clara Bugarim, que também presidiu o CFC e é esposa de José Martonio, o questionou sobre qual seria, para ele, a maior conquista alcançada até aqui, aquela pela qual ele gostaria de ser lembrado. Martonio recordou duas de suas muitas conquistas, as que considera como muito importantes em seu percurso de líder classista, ambas, resultados de muita articulação política. Primeiramente, em sua passagem pelo CFC como vice-presidente, destacou a luta e a aproximação com o Congresso Nacional para que fosse apresentado um projeto de lei que permitisse que todos os Estados da Federação fossem representados no Conselho Federal – até aquele momento, apenas 15 regionais tinham assento na entidade. Foi um processo longo, que culminou em 2013, com a aprovação da Lei nº 12.932, conhecida como Lei da Representatividade, que trata da composição do Plenário do CFC.

Outro êxito, obtido no âmbito do ensino da Contabilidade, foi a conquista da previsão legal para realização do Exame de Suficiência. Foram muitas as viagens pelo País e as participações em eventos para debater com representações estudantis e professores sobre a importância de que os graduandos em Ciências Contábeis se submetessem a essa avaliação, no final do curso, como uma das formas de valorizar a profissão contábil. Mais uma vez, foi uma luta que “começou por resolução, foi barrada pela Justiça, teve embates no Congresso Nacional e tentativas de mudar a Lei de Regência, para que, por fim, se criasse a Lei nº 12.249/2010, que institui o Exame de Suficiência como um dos requisitos para obtenção do registro profissional em Conselho Regional de Contabilidade”, relatou Martonio. Ele fez questão de lembra que todas as conquistas foram frutos de um trabalho conjunto. “Nunca tomei decisões isoladas, acho que, por isso, nunca me senti no ostracismo, no sentido de ficar na presidência sem conversar com ninguém”, afirmou.

“Lendas da Contabilidade” é um projeto idealizado pelo Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CRCRS) e realizado em parceria com a Associação Brasileira de Contabilidade (Abracicon). O objetivo é resgatar um pouco da história da Contabilidade, por meio de experiências vividas por ícones da profissão

Na TV CRCRS, canal do Conselho no YouTube, você confere essa “aula de história da Contabilidade”, na íntegra. Imperdível!

 

CRC ao vivo com Você debate a transformação digital e seus impactos no ambiente dos serviços de auditoria independente

“A transformação digital e seus impactos no ambiente dos serviços de auditoria independente” foi o tema do CRC ao vivo com Você desta quarta-feira, que teve como convidados o coordenador da Comissão de Estudos de Auditoria Independente do CRCRS, Jarbas Lima da Silva, e o conselheiro Marcelo de Deus Saweryn . A apresentação do programa ficou a cargo do vice-presidente de Controle Interno do CRCRS, Vilson Fachin.

Ao iniciar a live, o vice-presidente ponderou que o auditor nunca teve tanta importância como agora. “Assunto que envolve controle interno, parte administrativa, financeira, patrimonial e até ambiental – aspectos que oferecem diretrizes para a contabilidade -, a auditoria independente ajuda organizações a identificarem tempestivamente os riscos que podem levar a perdas significativas ou, até mesmo, à falência de empresas”, afirmou. Além disso, para Fachin, a contratação desse profissional pode trazer grande economia, com redução de custos consideráveis às empresas. Com o aumento da cultura da conformidade e o aumento da demanda pela auditoria, a tendência é que a profissão cresça muito mais nos próximos anos, avaliou.

No contexto da reflexão proposta pelo programa, Fachin questionou Jarbas Lima da Silva sobre as novas exigências que impactam o ambiente de trabalho, com a realização de auditorias não presenciais, o uso de drones e, inclusive, sem intervenção humana. Há 35 anos atuando na profissão, o coordenador da Comissão de Estudos de Auditoria Independente do CRCRS cita, entre as novas exigências que recaem sobre o profissional da auditoria independente, as habilidades para uso de plataformas e ferramentas tecnológicas, disponibilidade para trabalho remoto e criatividade para lidar com uma realidade que segue se transformando rapidamente, não só por causa das mudanças tecnológicas, mas, também, em decorrência do avanço da desburocratização dos processos. Já, para Saweryn, hoje, a disponibilidade on-line dos arquivos de informações não só evita o deslocamento dos auditores independentes até as empresas, onde antes ficavam os documentos, como também permite a realização de testes por amostragem, o que representa uma grande evolução para a precisão dos resultados do trabalho.

Saweryn também falou sobre o contexto de valorização do profissional de auditoria independente, que tem entre suas principais funções o exame das demonstrações financeiras para empresas, atestando que estão corretamente apresentadas e verificando os controles internos. É a auditoria independente que dá credibilidade às demonstrações financeiras vinculadas a terceiros que são divulgadas ao mercado, como  a publicação dos balanços. Destacou que a profissão de auditor independente está cada vez mais presente em várias situações do cotidiano dos negócios e tem se tornado muito interessante por propiciar contato com empresas de vários ramos de atividade, o que resulta na aquisição de uma diversidade de conhecimentos para os profissionais, que podem aprender como funciona cada atividade. “Isso contribui com a capacitação do auditor independente, que também tem sido muito demandado, atualmente, para a revisão de controles internos, de sistemas de compras e de vendas ou, ainda, para a certificação de que processos estão funcionando corretamente no interior das empresas, entre outras atribuições”, ressaltou.

No mesmo sentido, Jarbas da Silva lembrou que, em um ambiente de governança, a auditoria independente é um pilar, baseado em um código de ética reformado, bastante amplo e rígido, que conta com dezenas de órgãos de regulação, como o próprio CRCRS, que tem regras complexas e uma fiscalização atuante. Segundo ele, de acordo com listagem do Ibracon, são 71 atividades de auditoria independente que contribuem com a crescente valorização das opiniões dos profissionais  do segmento pelas empresas, em especial, na realidade de compliance e Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Jarbas da Silva salientou, ainda, o papel e o funcionamento da Comissão de Estudos de Auditoria Independente do CRCRS, que tem entre seus objetivos o de propor discussões e trazer novidades do segmento, por meio de cursos e seminários, contribuindo, dessa forma, com o Programa de Educação Profissional Continuada. Ao todo, a Comissão conta com oito profissionais, que atuam em regime de voluntariado.

Essas e muitas outras reflexões sobre o impacto da transformação digital no ambiente dos serviços de auditoria independente estão no CRCRS ao vivo com Você, na TV CRCRS. Confira!

 

Exame de Suficiência 2020.2: últimos dias de inscrição

Está chegando ao fim o prazo para inscrição na segunda edição de 2020 do Exame de Suficiência do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). As inscrições podem ser realizadas pelo site da Consulplan (www.consulplan.net) ou do CFC (www.cfc.org.br) até às 16h (horário de Brasília) da próxima quinta-feira (22). A taxa é R$50,00, devendo ser recolhida em guia própria, em favor do CFC. Assim como na primeira edição do ano, a prova acontecerá de forma on-line, no dia 8 de novembro, das 9h30 às 14h.

Criado a partir da Lei n.º 12.249/2010, o Exame de Suficiência é um pré-requisito para obtenção do registro de contador. Para ler o edital, clique aqui.

Fonte: Comunicação CFC

Artigo: A delegação de competência no âmbito dos Conselhos Regionais de Contabilidade

Por João Altair Caetano dos Santos,
vice-presidente de Desenvolvimento Operacional do CFC

Os Conselhos de Contabilidade – o Federal (CFC) e os Regionais (CRCs) – possuem uma série de funções estabelecidas no Decreto-Lei nº 9.295/1946, a exemplo da fiscalização e do disciplinamento normativo da profissão, envolvendo aspectos técnicos e éticos da atuação profissional e, quando necessário, a aplicação de penalidades previstas em ato regulamentar para coibir infrações às normas. O registro e a habilitação para o exercício da contabilidade constituem outro ponto basilar da missão dos Conselhos, assim como a execução de mecanismos de educação continuada, visando assegurar à sociedade serviços prestados por contadores com perfil técnico atualizado.

Dentro dessa ampla estrutura de prerrogativas institucionais, uma parte significativa das ações desenvolvidas pelas gestões regionais, atualmente, já é executada com o auxílio de diferentes tecnologias, que encurtam caminhos e possibilitam a realização de atividades com alcance abrangente. Especialmente nesses meses em que vivemos o isolamento social decorrente da pandemia de Covid-19, as ferramentas tecnológicas têm possibilitado a continuidade da prestação dos serviços pelos Conselhos Regionais.

No entanto, por uma série de motivos, de diferentes ordens, ainda não é possível substituirmos totalmente as atividades que hoje são feitas de forma presencial. Além disso, temos ciência de que a capacidade humana individual, reunindo atributos como conhecimento, habilidades e atitudes, é capaz de agregar valores aos serviços realizados.

Contando com essa força de trabalho para multiplicar a sua capilaridade no território nacional, os Conselhos Regionais, locados nas 27 capitais das unidades federativas, possuem representações fora das suas sedes para chegar aos mais de 500 mil profissionais, atuantes nos mais longínquos municípios brasileiros, e conseguir cumprir sua missão institucional. São as chamadas delegacias regionais, uma forma de delegação de competência prevista no Sistema CFC/CRCs desde os primeiros anos da criação dos Conselhos.

Em 1948, a Lei nº 570, que alterou dispositivos do Decreto-Lei nº 9.295/1946, já previa, no Art. 7º, que os Regionais poderiam “firmar acordos para a criação de Delegacias Municipais e Distritais de inscrição e fiscalização, dentro dos respectivos recursos financeiros”.

Essa previsão ganhou força a partir da Resolução CFC nº 374, assinada pelo então presidente Ynel Alves de Camargo, em 8 de fevereiro de 1974, que alterou o modelo de Regimento Interno dos Conselhos Regionais de Contabilidade para incluir a descentralização administrativa, mecanismo que constitui um princípio fundamental da administração pública. Esse ato normativo do CFC considerou que a finalidade da delegação de competência “é assegurar maior rapidez e objetividade às decisões, situando-as próximas aos fatos, pessoas ou problemas a atender”.

A resolução assinada pelo saudoso presidente Ynel Alves de Camargo também deu legitimidade ao ato do presidente do Conselho Regional para constituir e delimitar a delegação de competência “que se fizer necessária à descentralização operacional das atividades dos CRCs”.

Atualmente, a Resolução CFC nº 1.557, de 6 de dezembro de 2018, é o normativo que regula vários aspectos das unidades representativas dos CRCs fora de suas respectivas sedes. Neste documento, está descrito o papel dos delegados regionais, incluindo:

  • representar institucionalmente o CRC na sua base territorial, quando designado pela Presidência do CRC;
  • atender aos profissionais vinculados à sua jurisdição, orientando-os a encaminhar as suas solicitações de serviços ou outras demandas ao CRC;
  • efetuar contatos pessoais, periodicamente, com autoridades municipais, estaduais ou federais, dirigentes de entidades de classe, imprensa e Instituições de Ensino Superior (IES), da sua base territorial de atuação, quando designado pela Presidência do CRC;
  • zelar pelo prestígio e pelo bom nome do CRC, de seus registrados e da profissão;
  • manter colaboração e relacionamento cordial com as autoridades locais;
  • promover e divulgar, de maneira ampla, os atos do CRC, especialmente os de caráter normativo;
  • encaminhar ao CRC as consultas que forem formuladas, verbalmente ou por escrito, envolvendo matéria que exceda as suas atribuições; e
  • participar do processo de educação profissional continuada, representando o CRC em eventos, mesas-redondas, palestras e demais atividades afins.

Os CRCs têm autonomia para editar resolução específica para constituir representações fora de suas sedes, desde que essas decisões sejam aprovadas pelos respectivos plenários. No início de 2020, os CRCs tinham o total de 656 delegados espalhados por 612 delegacias, oito subsedes e 36 escritórios regionais instalados em cidades do interior do País.

O número de profissionais registrados nos municípios ou regiões, a conveniência administrativa e a disponibilidade orçamentária e financeira são os requisitos necessários para a designação de delegados, os quais, portadores de capacidade técnica e instituídos de competência por ato legal dos respectivos CRCs, auxiliam os Conselhos Regionais a chegarem mais perto dos profissionais e cumprirem suas funções institucionais. Trata-se de um capital humano de grande valor para o Sistema CFC/CRCs.

Lendas da Contabilidade: resgate e valorização da história da Contabilidade

Com o objetivo de aprender um pouco mais com o testemunho de quem protagonizou momentos importantes da profissão contábil, o CRCRS, em parceria com a Abracicon, lançou a série “Lendas da Contabilidade”. Nesta segunda edição, que se realizará em 24 de outubro, às 10h, vamos rememorar alguns episódios marcantes narrados pela “lenda” José Martonio Alves Coelho – presidiu o CFC por dois mandatos, de 2014 a 2017, e foi agraciado, em 2012, com a Medalha João Lyra. Imperdível essa trajetória!

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Webinar trata da importância da conformidade fiscal e da autorregularização

O tema reuniu os representantes da Receita Estadual do RS, André Luiz Gonçalves, membro do Grupo Especializado Setorial do Simples Nacional; Márcio Viana, coordenador do Grupo; Edison Franchi, chefe de divisão; e Rachel Einsfeld, chefe da divisão de Relacionamento e Serviços; e o vice-presidente de Relações Institucionais do CRCRS, Ricardo Kerkhoff, em webinar, realizado em 15 de outubro.

Edison apresentou a “Receita 2030”, a pirâmide de conformidade e a nova estrutura da Receita Estadual. Apontou como foco da Receita 2030 a simplificação extrema das obrigações, além da transformação digital.

Em relação ao novo modelo de atuação do órgão, o chefe da divisão explicou: “Até o ano passado, nós trabalhávamos focado no regionalismo, então, o contribuinte que pertencia a uma delegacia, normalmente, era vinculado àquela delegacia. A gente está mudando esse paradigma para um modelo integrado. Foram criadas duas estruturas novas: os Grupos Especializados Setoriais (GES) e as Centrais de Serviços Compartilhados (CSC). Essas unidades não estão vinculadas exatamente ao contribuinte, mas, sim, ao serviço ou na atividade econômica que o contribuinte está vinculado” .

Edison detalhou também duas novas formas de autorregularização que forma criadas. Uma chamada de Notificação Prévia e a outra, de Solicitação de Esclarecimento.

Márcio citou como ponto em comum entre a Receita e o contador a prestação de serviço ao empresário/contribuinte.

“Objetivos comuns, tanto para a Receita como para o contador, é orientar o contribuinte a não pagar nem mais nem menos imposto, mas o imposto correto”, afirmou o coordenador, que ainda esclareceu a importância do cumprimento voluntário das obrigações, os diversos perfis de contribuintes, o fluxo da conformidade, autorregularização, exclusão do Simples Nacional, sonegação fiscal, entre outros tópicos.

Dentro do fluxo de conformidade, André, falou sobre os erros mais comuns no que tange à qualidade do faturamento declarado. “Não adianta, simplesmente, declarar o faturamento se o faturamento for segregado ou classificado incorretamente dentro do PGDAS”,afirmou. Enumerou como erros frequentes a segregação incorreta, isenção indevida e/ou redução incorreta e ICMS versus ISS.

Informações importantes foram passadas pelos participantes do webinar. Imprescindível assistir ao vídeo, que está disponível na TVCRCRS no YouTube.

 

 

Dia do Professor e o ensino da Contabilidade no Brasil

Por Aécio Prado Dantas Júnior, vice-presidente de Desenvolvimento Profissional do CFC

No dia 15 de outubro de 1827, por meio de decreto, o então imperador Dom Pedro I cria o ensino elementar no Brasil, instituindo as chamadas escolas de primeiras letras em todas as cidades e vilas do país. Anos depois, por meio do Decreto nº 52.682, de 14 de outubro de 1963, o então presidente da República João Goulart declara que o dia 15 de outubro será dedicado ao professor e motivo de feriado escolar em território nacional, como forma de comemorar condignamente o dia desse grande profissional.

No Brasil, o curso superior em Ciências Contábeis e Atuariais foi instituído pelo Decreto-Lei nº 7.988, assinado pelo presidente Getúlio Vargas, em 22 de Setembro de 1945, data na qual também é comemorado o Dia do Contador e que, em 2020, completa seus 75 anos de história. Muito se especula sobre as origens do ensino da contabilidade no Brasil: escolas de comércio, aulas de escrituração mercantil, aulas de práticas comerciais, entre outras modalidades correlatas. Todavia, com o passar dos anos, o ensino contábil tornou-se indispensável nas mais diversas áreas do conhecimento e o curso superior em Ciências Contábeis consolidou-se em todo o país.  Dados levantados pelo Instituto Nacional de Estudos
e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
 (Inep), no ano de 2018, apontavam a existência de mais de 350 mil matrículas nos 1.489 cursos de graduação em Ciências Contábeis existentes no Brasil, na modalidade presencial e a distância. No âmbito da pós-graduação, o levantamento apresentava a existência de 37 cursos de mestrado, sendo 31 acadêmicos e 6 profissionais, bem como 15 cursos de doutorado, sendo 14 acadêmicos e 1 profissional.

O ano de 2020 vem sendo marcado por uma série de desafios que afligem todas as classes profissionais, o principal deles é o enfrentamento à pandemia causada pelo novo coronavírus (Covid-19). Com a pandemia instaurada, o mundo se vê em situação de emergência generalizada e cria-se a necessidade de manter o distanciamento social, de modo a evitar o contato entre os indivíduos e, consequentemente, a propagação do vírus que deixara toda a população mundial temerária. Com a classe docente não foi diferente, professores que estavam habituados a aulas presenciais, salas de aula cheias e à utilização de recursos convencionais, se viram obrigados a utilizar novas tecnologias para garantir a manutenção de suas aulas de maneira remota e atender aos anseios de milhões de discentes que passavam pela mesma crise. É hora de enfrentar novos desafios!

Sensibilizado pelo tema, o Encontro Nacional de Coordenadores e Professores do Curso de Ciências Contábeis (ENCPCCC), que aconteceu nos dias 29 e 30 de setembro, na modalidade on-line, apresentou o painel sobre transformação digital no ensino superior e apresentou os resultados de uma pesquisa realizada com docentes de todo o Brasil. A pesquisa buscou dar significado ao processo de transformação digital na educação contábil no país, diante do fenômeno da pandemia, ao avaliar fatos, sentimentos e mudanças no processo de ensino e aprendizagem, na perspectiva do docente. O estudo foi organizado pelo professor Edgard Cornacchione (USP) e contou com a participação dos professores Cacilda Andrade (UFPE), Eduardo Nascimento (UFMG) e Marcelo Cunha (FIPECAFI). O painel foi moderado pelo também professor Elias Dib Caddah Neto, conselheiro do CFC.

Os resultados apontam que, dos 528 docentes que participaram da pesquisa, 92% estavam habituados a ministrar aulas presenciais antes da pandemia e 47% desses nunca havia sequer lecionado disciplinas em formato EaD anteriormente. Nota-se, então, que a realidade é nova para muitos, uma vez que 89% dos docentes participantes relataram que as Instituições de Ensino Superior (IES) às quais estão vinculados migraram o formato das aulas para a modalidade não presencial durante o período pandêmico. Ao analisar os relatos abertos apresentados pelos docentes, constata-se que muitos se queixam de experiências atribuladas na utilização de novas plataformas digitais, 51% desses receberam apenas de 0 a 5 horas de treinamento para lidar com as novas ferramentas. Quando questionados sobre os métodos avaliativos de aprendizagem, 56% dos respondentes afirmam que a prova continua sendo o principal meio de avaliação, entretanto, citam também outras soluções encontradas como forma de diversificação para o momento, tais como: atividades em grupo, debates, fóruns, seminários e exercícios. Quanto à retomada das aulas presenciais, 70% dos docentes afirmam que sua IES possui algum plano de retorno, 22% desses acreditam em um retorno das atividades presenciais ainda no ano de 2020 e cerca de 49% preveem o retorno somente para o ano de 2021.

A prática da constante busca por novos conhecimentos é habitual na carreira docente, e a realidade atual traz uma série de novas possibilidades que devem ser exploradas e utilizadas com magnificência nesse grandioso processo de aprendizagem entre professores e alunos. Feliz Dia do Professor!