Contabilidade eleitoral: uma oportunidade pouco explorada

Um nicho de mercado promissor foi apresentado, nesta quinta-feira (21), ao público da XXXIV Conferência Interamericana de Contabilidade (CIC) e da XVIII Convenção de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CCRS): a contabilidade eleitoral. Os eventos acontecem de forma híbrida e reúnem mais de 1700 participantes na modalidade on-line e mais de 700 pessoas na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre (RS).

Guilherme Sturm; Joaquim de Alencar, moderador; e Haroldo Santos Filho | Foto: Jackson Ciceri/Imprensa CIC-CCRS

A partir do painel intitulado “Contabilidade Eleitoral – O Novo Oceano Azul?”, o coordenador da Comissão de Contabilidade Eleitoral do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Haroldo Santos Filho, e o membro da Comissão Eleitoral do CFC, contador Guilherme Sturm, destacaram as grandes oportunidades que esse ramo da contabilidade pode trazer aos profissionais. Os painelistas também ressaltaram alguns números para ilustrar as oportunidades dessa área.

Sturm falou sobre a quantidade de candidatos que envolvem as eleições brasileiras e o montante de dinheiro que financia uma eleição. “Comparando duas eleições de igual natureza, a eleição que nós temos como referência para o ano que vem é a eleição de 2018. Em 2018, nós tivemos, mais ou menos, 26, 27 mil candidatos e um investimento público nas campanhas, só em Fundo Especial, foi o primeiro ano, foi o nascimento do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o FEFC, de mais ou menos 1,7 bilhões”, explicou. Segundo o painelista, para 2022, é esperado um número parecido ou um pouco menor de candidaturas. Contudo, o financiamento, via FEFC, será de, no mínimo, 4,5 bilhões de reais.

Diante desses números, Santos Filho e Sturm lembraram o público que todo esse montante, necessariamente, precisa passar pelo cuidado, pela gestão, dos contadores. “Na eleição geral passada, não vimos mais que 800 contadores trabalhando. Então, este mercado, abre aspas, está na mão dessa turma, de uma turma muito pequena”, disse Sturm para ressaltar a pequena parcela de profissionais que atuam nesse mercado, que envolve muitos clientes e grande movimentação de capital.  Vale ressaltar que, desde 2012, a presença do contador é obrigatória no processo eleitoral.

Santos Filho também destacou que, atualmente, alguns candidatos contratam contadores por um período de tempo maior do que aquele que compreende o processo eleitoral. “Nós temos candidatos que pedem ajuda hoje, para vocês verem o que é mudança de cultura, que querem que o contador, pela sua capacidade, pela sua expertise, pela sua vocação, acompanhe o partido ou o candidato muito antes até do início do processo eleitoral”, relatou.

O vice-presidente de Política Institucional do CFC, Joaquim de Alencar Bezerra Filho, foi o moderador do painel e contou a história de desenvolvimento e de aprovação dos normativas que envolvem os contadores e o processo eleitoral, na qual o CFC trabalhou ativamente durante anos. O contador também explicou como era o gerenciamento das contas das eleições antes da criação dessas normas. “Quando as prestações de contas eleitorais surgiram no país, com a dinâmica da Justiça Eleitoral, podiam ser feitas e exercidas por qualquer cidadão. Não havia uma obrigatoriedade de ser feita por um profissional da contabilidade e aquilo nos incomodava muito”, lembrou. Após alguns anos de diálogo e da demonstração da essencialidade do contador dentro desse processo, a presença desse profissional tornou-se obrigatória. Dentro desse processo de negociação, segundo Joaquim Bezerra, o CFC, inclusive comprometeu-se a capacitar a classe para a realização dessa atividade.

Esses treinamentos acontecem até hoje. Somente ano passado, foram mais de 30 eventos sobre o assunto. “Nós treinamos 3 mil pessoas diretamente, em todos os estados, e 30 mil pessoas, indiretamente, por meio da participação nos seminários”, informou Santos Filho sobre o alcance dos treinamentos em 2020.

Por Lorena Molter
Comunicação CFC/Apex

Lendas da Contabilidade – Edição especial com Antônio Carlos Nasi: a história da Contabilidade contada por um de seus protagonistas

Na manhã desta quinta-feira, os participantes da 34ª CIC e 18ª CCRS embarcaram em uma viagem no tempo, conduzidos pela lenda Antônio Carlos Nasi, testemunha e protagonista de momentos que escreveram a história da Contabilidade. Com a experiência de quem atua há 60 anos na profissão, 54 dos quais como empresário contábil no ramo de auditoria, o detentor da Medalha do Mérito Contábil João Lyra, honraria máxima concedida a integrantes da classe, brindou os convencionais com relatos sobre suas vivências, em um bate-papo conduzido pelo presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Zulmir Breda, tendo como debatedoras as presidentes da Associação Interamericana de Contabilidade (AIC), Maria Clara Bugarim, e do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CRCRS), Ana Tércia L. Rodrigues.

Antônio Carlos Nasi, Medalha João Lyra, na edição especial do Lendas da Contabilidade, com os presidentes do CFC, Zulmir Breda, da CIC, Maria Clara Bugarim, e do CRCRS, Ana Tércia L. Rodrigues | Foto: João Mattos / Imprensa CIC_CCRS

Ao apresentar a “lenda” Antônio Carlos Nasi, o presidente Zulmir Breda falou do orgulho de tê-lo como colega e destacou sua reputação ilibada, lembrando sua atuação no final do anos 1980, no CFC, no qual contribuiu para a edição dos Princípios Fundamentais da Contabilidade e das Normas Brasileiras de Contabilidade. Também foi fundador do Instituto de Auditores Independentes do Brasil (Ibracon), a partir da união do  Instituto dos Contadores Públicos do Brasil (ICPB) com o Instituto Brasileiro de Auditores Independentes (Ibai). No CRCRS, foi vice-presidente de Desenvolvimento Profissional (1994-1995) e Controle Interno (1996-1997), nas duas gestões de Olivio Koliver, de quem foi aluno na Universidade.

Dono de um vasto currículo, Nasi se disse honrado com o convite para participar dessa sétima edição do Lendas da Contabilidade – a primeira em formato presencial desde que o programa foi lançado, em setembro de 2020, pelo CRCRS em parceria com a Abracicon. Lembrou sua primeira participação na Conferência Interamericana de Contabilidade, em Porto Rico, no ano de 1974, quando ainda iniciava a trajetória profissional que o levaria à presidência da AIC, de 1999 a 2001, e à construção de um legado que muito contribuiu e ainda contribui com a profissão contábil.

O adolescente que um dia sonhou ser piloto da Varig, importante companhia aérea da época, acabou seguindo a orientação do pai e cursando técnico em contabilidade, no Colégio Rosário, tradicional escola da rede particular, em Porto Alegre. O estágio em um escritório de advogacia consolidou o gosto pela profissão contábil e, em vez de ceder aos apelos dos patrões e cursar Direito, o levou a se graduar Ciências Contábeis pela PUCRS, onde hoje se realizam a CIC e a CCRS. “Sou um filho da PUC”, conta bem-humorado, recordando que o campus e seu entorno eram muito diferentes, com terrenos vazios e sem vias pavimentadas.

Emocionada, a presidente Ana Tércia observou a admiração dedicada pela classe contábil a personagens que, como Nasi, são exemplos. “Hoje a sociedade está carente de líderes de verdade como as ‘lendas’ que já abrilhantaram nosso programa. E a série tem esse papel, de resgatar a história da Contabilidade e inspirar os profissionais,” afirmou a presidente do CRCRS.

A experiência de Nasi com as entidades começou ainda na graduação, em 1966, período no qual havia duas chapas concorrendo ao DCE, polarizadas em direita e esquerda. Foi quando o reitor à época, Ir. José Otão, o convidou para coordenar uma chapa à presidência diretório, como uma terceira via. Em uma negociação, a reitoria concordou em transformar o terreno baldio defronte ao campus, em campo de futebol. Com essa plataforma, Paulo Chanan, aluno do curso de Direito apoiado por Antônio Carlos Nasi, venceu a disputa eleitoral e tornou-se presidente do DCE.

Em 1967, já formado e sem nunca abandonar o exercício da política classista, iniciou sua vida empresarial, fundando, em sociedade com o amigo Arthur Nardon Filho, a Nardon Nasi – Auditores & Consultores, que permanece em atividade, com forte presença no mercado.

Apesar de muito exigido pela profissão e das adversidades, nunca deixou de se dedicar às entidades de classe. Em 1999, por exemplo, não pode estar presente à própria cerimônia de posse como presidente da AIC, em decorrência de um acidente sofrido pelo filho, que ficou mais de 50 dias em coma.

De outro lado, porém, há o reconhecimento por tanta dedicação. A presidente Maria Clara, perguntou sobre o sentimento de ter sido agraciado com a Medalha do Mérito Contábil João Lyra, no ano 2000. Ele relata que estava no escritório quando recebeu a notícia, que foi como o coroamento da profissão, uma grande realização, em especial, porque foi uma decisão unânime dos 27 CRCs, e “ser reconhecido pelos colegas, é um grande legado”, considerou.

Entre os colegas que também trabalharam pelo engrandecimento da classe contábil, rememorou também o nome de Ivan Carlos Gatti que, já no ano de 1984, lançou o lema “Contador: a grande profissão do ano 2000”, uma máxima que, segundo Nasi, o ex-presidente do CRCRS (1986-1989) levou para a vida e que pautou sua atuação como presidente do CFC (1990-1993), onde revolucionou a estrutura do Conselho e da profissão.

Nasi salientou, ainda, seu vínculo com a educação, que foi além da função como professor universitário. Quando era vice-presidente do CRCRS, levou o Conselho a participar da Feira das Profissões, realizada no estacionamento do Shopping Iguatemi. No primeiro ano, constatou que poucos estudantes se interessavam em conhecer a Contabilidade como opção para o vestibular. No segundo ano, produziu um folder, com informações sobre a profissão e o resultado foi a conquista de alunos que ingressaram nos cursos de Ciências Contábeis já no ano seguinte. De lá para cá, a profissão só faz crescer e hoje figura entre as mais atrativas do País.

Lamentando ter deixado o magistério e dizendo-se muito orgulhoso de figurar entre os fundadores do Ibracon, a ‘lenda’ declarou: “eu amo a Contabilidade!” e recomendou a todos que “estudem, estudem, estudem”, fazendo como ele que nunca estudou tanto, principalmente, para aprender sobre tecnologias.

Em resposta, a presidente Ana Tércia reiterou que a CIC e a CCRS não são sobre Contabilidade, mas sobre pessoas, sobre a vida das pessoas, e sentenciou: “Nasi, a Contabilidade também te ama!”

Essa edição especial foi a sétima da série “Lendas da Contabilidade”, lançada em setembro do ano passado, e a primeira em formato presencial. As edições anteriores do Lendas da Contabilidade estão disponíveis na TV CRCRS, no YouTube.

Por Ruvana De Carli
Comunicação CRCRS

O papel crucial do contador no lançamento do IPO para as empresas

No painel sobre a Participação dos Contadores na Estruturação de Governança das Empresas para IPOS e A Captação De Investimentos, os palestrantes Sérgio Laurimar Fioravanti, Thiago Grechi e Rafael Biedermann Mariante destacaram a grande oportunidade que as empresas têm quando decidem fazer uma IPO, ou seja, em tradução para o português, uma oferta pública inicial de ações na bolsa de valores, em relação à busca de capital.

Letícia Medeiros, Sérgio Laurimar Fioravanti, Tiago Grechi e Rafael Biedermann | Foto Jackson Ciceri / Imprensa CIC-CCRS

Contudo, ressaltaram que a jornada para essa tomada de decisão, em transformar o negócio em uma empresa de capital aberto, demanda uma bem estruturada organização contábil e de governança para o sucesso do lançamento das ações, bem como a plena continuidade dentro desse lucrativo, mas exigente cenário.

O contador e auditor Sérgio Laurimar Fioravanti, consultor em finanças, com 28 anos de experiência em auditoria, destacou que a aderência ao IPO exige uma mudança de mentalidade dos empresários, em relação à prestação de contas da empresa. “O empresário está preparado para dividir o poder? A partir do momento do IPO, ele vai perceber que a empresa tem novos sócios. Ele está disposto a abrir os números do balancete para todos? Tem que mudar o pensamento”, ponderou Fioravanti. “Muda o modo de agir dos executivos. Muda, pois agora eu tenho que prestar contas a alguém constantemente. Não só trimestralmente, mas quando demandado”, alertou.

Fioravanti também ressaltou que a aderência ao IPO é importante para sinalizar a longevidade do negócio e destacou que os pilares de governança devem estar bem sólidos nas empresas e as informações repassadas ao mercado devem ser transparentes. “Ética em primeiro lugar. O mercado não compra informação, não precisa. Os procedimentos devem ser transparentes, qualquer deslize compromete o processo”, destacou.

Para a abertura de capital ao mercado é importante que as empresas avaliem a aplicação de compliance, a implementação de gestão de risco, o valuation, o plano de negócios, entre outros quesitos. Para Fioravanti, “o contador deve assumir o papel de protagonista no processo de abertura de capital”.

O Chief Financial Officer (CFO) da Neogrid, Thiago Grechi, profissional com mais de 15 anos em empresas no Brasil e no exterior, falou sobre a complexidade e dificuldade da preparação da documentação para a efetivação do processo de lançamento das ações de uma empresa na bolsa de valores. “É um processo dolorido para a empresa, no sentido de esforço. Quanto mais preparada, mais estruturada a empresa, mais fácil. Quando inicia parece uma maratona, mas depois, em três, quatro meses, parece uma corrida de 100 metros para empresa como um todo, equipe de contabilidade, controladoria e todos que estão envolvidos no processo”, afirmou Grechi. “Todo o empreendedor precisa pensar que o IPO não é um final.  Muitos empreendedores pensam em fazer liquidez com essa ação, porém, o IPO é um novo começo”, ponderou.

O expert em finanças disse que muitas empresas desistem no meio do caminho quando iniciam o processo do IPO e reforçou que para avançar a esse nível, a “empresa tem que estar muito bem organizada, pois entra em um nível de governança muito alto”.

Na preparação da documentação, de acordo com Grechi, além da sintonia de uma boa estrutura organizacional, primeiro é importante formar o consórcio de bancos, com dois ou três bancos e a contratação de advogados, locais e internacionais. “O processo passa pelo conselho fiscal, administrativo, pela auditoria interna e por um comitê de auditores. Os advogados fazem análise dos sócios, dos administradores, para poder realizar essa abertura de capital. Importante uma auditoria dos três últimos anos para ficar dentro do mesmo padrão”, elencou.

Em seguida, para encerrar o painel, Rafael Biedermann Mariante, sócio da PwC Brasil e Presidente da ADVB/RS, disse que contadores e administradores têm um papel crucial,nessa visão do IPO para as empresas. “Eu brinco que são os contadores e os auditores que vão virar as noites nesse processo”, descontraiu, em relação ao exigente trabalho.

Segundo Biedermann, o documento mais importante para a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para a abertura de capital é a demonstração financeira. “É importante explicar para os stakeholders, que aquele documento, as demonstrações financeiras, é o que vai ser mais escrutinado. O relatório de auditoria não pode ter ressalva. Os órgãos reguladores não aceitam ressalvas”, disse, destacando que é um trabalho que pode ser executado em curto prazo, mas normalmente demanda até três anos.

O experiente profissional também ressaltou que é importante o contador saber os planos da administração com antecedência para que quando for tomada a decisão pelo IPO, o trabalho possa ser realizado com mais fluidez, sem atropelos. “Quando a gente sabe o plano dos administradores, se consegue uma melhor preparação. Menos doloso fazer essa jornada com a empresa”, finalizou.

Sobre o evento

A XXXIV Conferência Interamericana de Contabilidade (CIC) e a XVIII Convenção de Contabilidade do Rio Grande do Sul vão até a quinta-feira (21). A iniciativa é uma realização da AIC, do CFC e do CRCRS, com a organização da Academia de Ciências Contábeis do Rio Grande do Sul (ACCRGS). Para acessar a página oficial do evento, clique aqui. https://cic-ccrs.com/

Comunicação CFC/APEX

Arthur Bender faz público refletir sobre reputação, propósito e carreira

Você já se imaginou como uma marca ou saberia se gerir como uma? As respostas a essas perguntas deram a tônica da apresentação do empresário e escritor, Arthur Brender, no painel intitulado “Personal Branding, Propósito e Carreira”. A explanação deu início às atividades do terceiro e último dia (21) de realização dos eventos XXXIV Conferência Interamericana de Contabilidade (CIC) e a XVIII Convenção de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CCRS).

Arthur Bender | Foto: João Mattos/Imprensa CIC_CCRS

Brender, que é especialista em estratégia e branding, autor dos livros “Personal Branding – Construindo sua Marca Pessoal” e “Paixão e significado da marca – Ponto de virada de marcas pessoais, marcas corporativas e organizações”, fez os espectadores refletirem sobre como as pessoas nos percebem a partir das informações (verbais e não verbais) que transmitimos a elas.

“Todos nós nos tornamos uma palavra que tem o poder de abrir portas, o poder de atrair outras pessoas, que tem o poder de gerar valor, que tem o poder de empolgar outras pessoas, ou temos uma palavra que fecha portas, que nos exclui das redes, que deleta s os convites, que faz com que as pessoas não percebam nosso valor”, afirmou.

Partindo desse raciocínio, o painelista lembrou que a percepção alheia é uma construção de longo prazo que edificamos em nossas vidas pessoais e profissionais. Na sequência, Bender lançou um questionamento para a plateia: Que palavra te resume?

“Eu conheço gente que não tem a mínima ideia de que palavra os resume. Tem gente que tem problemas na vida, tem gente que parece que a carreira não decola, mas não se dá conta de que muitas vezes é esse adjetivo que funciona como uma âncora para manter a pessoa no passado e não prospere”, ponderou.

 O especialista destacou que esses adjetivos que nos resumem vão sendo acumulados ao longo da vida, constituindo nosso patrimônio imaterial e que assume grande valor para o mercado profissional, pois é a partir desse patrimônio que definimos nossa reputação.

“Em algum momento, essa palavra (reputação) tem um poder muito grande em nossas vidas. A gente pode viver dessa palavra, a gente pode ganhar dinheiro com essa palavra ou a gente pode passar a vida inteira se defendendo dela”, declarou.

Bender lembrou ainda que a reputação, muitas vezes, nos precede, e isso é determinante à definição de uma escolha, uma definição profissional. O painelista exemplificou a afirmação ao falar sobre uma entrevista de emprego. Dependendo de como nos referenciarem, isso afeta a dinâmica do processo de escolha (fera ou mau profissional). “A reputação desequilibra as negociações mesmo antes de elas acontecerem”, disse.

O painelista discorreu ainda sobre como se forma uma reputação: “por meio da imagem pessoal, das atitudes e da obra que construímos”. Arthur destacou que a imagem é algo muito importante e não deve ser jogado na vala do fútil. “Somos um painel multimídia emitindo a todo tempo sinais”, acrescentou.

O painelista falou ainda sobre o autoconhecimento, a importância do próprio entendimento para assim poder descobrir o propósito de cada um e conferir significado às próprias ações. “Significado como propósito de vida. O ser humano precisa disso”, concluiu.

A XXXIV Conferência Interamericana de Contabilidade (CIC) e a XVIII Convenção de Contabilidade do RS (CCRS) acontecem até o final da tarde de hoje. Informações sobre a programação e visita à Feira Digital de Negócios podem ser obtidas no site dos eventos (https://cic-ccrs.com/).

Por Luciana Melo Costa
Comunicação CFC

Questões de sustentabilidade do planeta e o papel dos contadores são discutidos em painel

As responsabilidades dos profissionais da contabilidade, em relação ao processo global de integração de informações contábeis às de natureza “pré-financeiras” em relatórios corporativos, foram destacadas pelos palestrantes José Luis Lizcano Álvarez e Vania Borgerth, no painel Relato Integrado, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e os Indicadores de Sustentabilidade.

José Luis Lizcano Álvarezpainelista | Fotos: Jackson Ciceri/CIC-CCRS

Realizado na manhã desta quinta-feira (21), durante a XXXIV Conferência Interamericana de Contabilidade (CIC) e XVIII Convenção de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CCRS), o painel foi moderado pela conselheira do CFC Ticiane Lima dos Santos.

Ticiane Lima dos Santos, moderadora, e Vania Boghert

“A sustentabilidade do planeta não é apenas uma questão de políticas de governo ou de estratégia de empresas, mas algo que deve ser compromisso de toda a sociedade”, afirmou Vania, destacando a capacidade técnica dos profissionais da área contábil para assumir esse papel: “Nós somos agentes de transparência do mercado”.

Membro do Grupo de Trabalho (GT) do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) que elaborou a minuta da NBC CTG 09 – Correlação à Estrutura Conceitual Básica do Relato Integrado, Vania é coordenadora da Comissão Brasileira de Acompanhamento do Relato Integrado e possui ampla participação internacional em entidades reguladoras da área.

Para a palestrante, os contadores são os profissionais que melhor sabem reportar as informações corporativas, transmitindo confiabilidade, responsabilidade, evidenciação e transparência. “Estamos acostumados a olhar para informações econômicas, dando pouco valor às questões sociais, ambientais e de governança, mas se tornou essencial também prestar atenção aos itens da Agenda ESG”, afirmou.

Vania destacou ainda que, com o avanço dos entendimentos globais em torno dos relatórios de sustentabilidade e, especialmente, com a criação do International Sustainability Standards Board (ISSB) pela Fundação IFRS – International Financial Reporting Standards (IFRS), esse tipo de relatório corporativo deverá se tornar obrigatório em futuro breve.

O outro palestrante do painel, José Luis Lizcano Álvarez, diretor gerente da Asociación Española de Contabilidad y Administración de Empresas (AECA), apresentou, de forma virtual, informações de entidades internacionais da classe e diversas iniciativas que estão sendo desenvolvidas no sentido de padronizar informações corporativas relevantes para a tomada de decisões, considerando os impactos ambientais, sociais e de governança.

Por Maristela Girotto
Comunicação CFC

 

Empresária e escritora best-seller palestra na Conferência Interamericana de Contabilidade (CIC)

Ícone multidisciplinar na América Latina nas áreas de negócios, tendências e inovação, a palestrante Martha Gabriel participou da Conferência Interamericana de Contabilidade (CIC) na tarde desta quarta-feira, dia 20.

Martha é autora dos best-sellers “Marketing na Era Digital”, “Educar: A (R)Evolução Digital na Educação” e “Você, Eu e os Robôs”. Além disso, ela é consultora, professora de Inteligência Artificial, Futurista pelo IFTF (Institute For The Future) e palestrante em 6 TEDx e keynote internacional.

O tema da palestra ministrada hoje no CIC foi “O Líder Digital”, que abordou a disseminação de tecnologias na sociedade e como isso tem impactado a humanidade em uma velocidade sem precedentes na história. “Essa aceleração em todas as áreas do conhecimento tem causado mudanças constantes no cotidiano e, como consequência, nos deparamos com oportunidades e desafios inéditos todos os dias”, explica Martha.

Nesse contexto, uma das principais habilidades que as empresas e indivíduos precisam ter para sobreviver e ter sucesso é a capacidade de inovar. Assim, a palestrante falou sobre a inovação como metodologia e estratégia, pessoal e empresarial, além de trazer para um debate o tema da criatividade, que é uma área intimamente conectada ao assunto.

A empresária instigou o público a pensar sobre o que é preciso fazer, especificamente na área de contabilidade, para inovar. “Hoje, no mundo, existem poucos lugares que ensinam como fazer para criar o que não existe, criar o novo”, disse.

Segundo ela, o mercado digital tem outras engrenagens, muito diferentes das que estávamos acostumados nas últimas décadas. “O que devemos nos perguntar sempre é: será que a nossa empresa está aproveitando ao máximo o que está disponível neste mercado atual?”, provoca a autora.

Durante a palestra os participantes puderam acompanhar diversos cases apresentados por Martha para ilustrar os conceitos discutidos sobre inovação. “Atualmente, a mudança e a inovação digital são constantes e acontecem em um ritmo muito acelerado. Entre 2000 e 2010 nós mudamos a nossa vida e, de 2010 para 2020, mudamos mais ainda. Mas o ritmo continua acelerando e precisamos nos acostumar. Portanto, não se consegue resolver problemas novos com fórmulas antigas e é necessário criar soluções novas, constantemente”, encerrou Martha Gabriel.

Por Carol Veiga – Comunicação CFC 

 

Painel aponta verdades necessárias para o fortalecimento da contabilidade

A presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CRCRS), Ana Tércia Rodrigues, e o auditor e conselheiro de empresas, Rogério Rokembach, comandaram o painel “Contabilidade – ética, protagonismo, verdades [in]convenientes” nesta quarta-feira (20). A apresentação fez parte da agenda do segundo dia da XXXIV Conferência Interamericana de Contabilidade (CIC) e da XVIII Convenção de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CCRS). O painel foi moderado pela contadora Grace de Avila Rodrigues.

Durante o painel, a dupla convidou o público para uma mudança de postura que esteja alinhada com as transformações tecnológicas, sociais e culturais que marcam o século XXI. Os profissionais da contabilidade foram levados a refletir sobre a necessidade de se abandonar antigas verdades tidas como absolutas. Inovação, protagonismo, ética, consciência social e sustentabilidade foram alguns dos temas que nortearam o bate-papo.

Dentro do bloco que tratou das verdade “[in]convenientes”, os painelistas falaram sobre a valorização profissional, destacando que a construção de um posicionamento favorável depende das ações e da postura dos próprios contadores, a partir da busca pelo aprimoramento, pela ampliação da visão horizontal, por mais preocupação com a sustentabilidade e ainda em garantir impactos positivos para a sociedade. “Cada um vai ter que fazer o seu melhor. Nós vamos ter que nos reconstruir, que nos aprimorar”, afirmou Rokembach.

Outro ponto dentro dessa temática foi a reflexão sobre a atratividade da profissão e a capacidade da contabilidade de continuar atraindo jovens para seguir a carreira. Sobre essa pauta, Ana Tércia destacou elementos, como propósito, valor agregado e a capacidade de se reter talentos. “Falar da atratividade da profissão é pensar em propósito porque o jovem de hoje não está mais guiado só por dinheiro”, pontuou a presidente do CRCRS.

O conhecimento técnico, a atualização constante, assim como a importância do networking também foram apontados pelos painelistas. No entanto, Rokembach alertou o público que não adianta o profissional ter conhecimento técnico se não o transformar na busca por um mundo melhor.

O último tópico apresentado, dentro desse bloco, foi a questão do mercado. Nessa etapa do painel, Ana Tércia, defendeu a integração e o diálogo entre a universidade e o mercado de trabalho como uma forma de fortalecer as duas partes.

O próximo bloco da exposição tratou da necessidade de os contadores adotarem uma postura ética no seu dia a dia e estarem atentos para assuntos, como gênero, inclusão e sustentabilidade.

Para fechar a apresentação, os painelistas convidaram os contadores a ser protagonistas. A orientação ao profissionais foi de pararem de colocar a culpa e assumir uma postura ativa. “É parar de se sentir a vítima e passar a ser o agente de qualquer coisa que a gente queria fazer mudar”, enfatizou Ana Tércia.

Por Lorena Molter – Comunicação CFC/Apex

Você sabe quanto vale o seu tempo?

Durante a CIC e a CCRS, desta quarta-feira (20), o empresário e contador Douglas Gomes, falou sobre a importância do gerenciamento estratégico do tempo para viabilizar a execução de diferentes processos e a realização de projetos de forma eficiente. O momento se deu no painel “Tempo – Seu ativo mais estratégico”, moderado pela contadora Tanúbia Barbosa.

Gomes explicou, por meio de uma fórmula, que tempo é a única coisa no mundo que não importa o quanto de dinheiro uma pessoa possui, ela nunca poderá comprar.

Em um dos pontos altos da palestra, o contador explicou a necessidade de se estipular um escopo de trabalho para cada contrato que se assina com um cliente. “Se você não define o escopo, você não define o tempo. E, consequentemente não define o quanto tempo irá se dedicar àquele trabalho.

O palestrante também reforçou que a partir desse planejamento é possível evitar má interpretações que podem gerar desgastes e eventualmente perda de rendimento e dinheiro. “Quando estou em uma relação que não é clara, significa que qualquer um dos lados, pode ter a interpretação que quiser. Assim, quando eu contrato um contador que não define o escopo comigo, eu posso entender que ele pode fazer tudo. Então torna-se algo primordial saber quais funções cabem ao trabalho”, finalizou Gomes.

Por Ingrid Castilho – Comunicação do CFC

 

 

 

PEC 110 foi tema do painel “Posicionamento da classe contábil frente ao projeto da reforma tributária”

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 110, texto principal da pretendida reforma tributária, foi o objeto das discussões do painel “Posicionamento da classe contábil frente ao projeto da reforma tributária”, realizado na manhã desta quarta-feira (20), na XXXIV Conferência Interamericana de Contabilidade (CIC) e a XVIII Convenção de Contabilidade do RS (CCRS). A PEC relatada pelo senador Roberto Rocha (PSDB/MA), unifica a base tributária do consumo e recomenda a criação de um novo tributo, o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) Dual.

De acordo com o senador, o IVA deverá ser aplicado à União, unificando os tributos de IPI, PIS e Cofins dando origem à Contribuição sobre Bens e Serviços, e aos estados, unificando o ICMS e o ISS, criando o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). “A ideia é acabar com o IPI. Nós não entendemos por que tem um imposto só para produtos industrializados? Por que não tem para agricultura, o IPA? Ou para serviços, o IPS? Isso não tem cabimento.”, afirmou Roberto Rocha.

Para o senador, a proposta foi consensada pela maioria dos entes federados, graças ao acolhimento da forma dual. “O sistema proposto é viável, simples e justo. Ele é viável pelo que está colocado. Ele é um modelo dual que contempla os interesses nacionais. Tem uma transição de sete anos apara a adoção definitiva do IBS, ou seja, dois anos de teste, experiência, e cinco anos de transição, sendo que nos dois primeiros é completamente proibido pela Constituição aumento de carga tributária”, ponderou.

O senador lembrou ainda, que a referida proposta mantém o Fundo de Desenvolvimento Regional sendo mantido exclusivamente com recursos dos estados e dos municípios, ou seja, do IBS. “É importante dizer que, mesmo os estados tendo maior arrecadação com o IBS, bem maior (o ICMS arrecada algo em torno de dez vezes mais que o ISS), o conselho gestor do fundo é paritário”, afirmou Rocha.

A proposta do senador mantém ainda a Zona Franca de Manaus, o tratamento diferenciado para o Simples Nacional, o direcionamento para lei complementar de regimes diferenciados ou favorecidos (produtos e serviços que devem ter tratamento tributário especial como gás de cozinha, educação, saúde, entre outros, poderão ter alíquota diferenciada definida por lei complementar) e o direcionamento para lei complementar para a transição para o Imposto Seletivo (IS), entre outras coisas.

De acordo com o senador, a proposto é boa porque é simples. “É uma legislação uniforme, harmonizada, uma base ampla, tem documento fiscal único e centralizado, administração tributária centralizada para o IBS nacional, possibilidade de cobrança automática, e redução do contencioso”, definiu.

Apesar das vantagens listadas por Roberto Rocha, a proposta encontra-se parada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Isso porque, o senador que preside a CCJ, Davi Alcolumbre (DEM/AP) paralisou as atividades da comissão. “Nós estamos diante de um impasse, em que o presidente da CCJ está num embaraço com o governo federal. Aí, não tem funcionamento da comissão. É inacreditável isso! Nós estamos a menos de cem dias de acabar o ano e ano que vem é ano de eleição”, disse o senador.

Por fim, o senador convidou à classe contábil a apoiar a PEC e encaminhar ao Senado uma alternativa à mitigação do impasse na CCJ. “Já que a CCJ está com dificuldade de se reunir, e o inusitado disso tudo é que o autor da proposta é presidente da CCJ, o primeiro signatário da PEC 110, é importante que vocês façam o pedido de forma coletiva.  Já que não há condição de votar a proposta na CCJ, que o presidente Pacheco puxe essa proposta para o plenário”, concluiu.

Findada a fala do senador, a palavra foi tomada pelo secretário Estadual de Fazenda do Rio Grande do Sul, Marco Aurélio Santos Cardoso, que reiterou o apoio à PEC 110. “Faço minhas as palavras do senador. Eu acho que, acima de tudo, a gente não pode continuar se conformando como fato de o Brasil ter inquestionavelmente um dos modelos tributários de pior eficiência para a sociedade no mundo.”, afirmou.

O secretário disse ainda que não resta dúvida que os impostos indiretos (ICMS, ISS e Pis e Cofins) estão no centro da dificuldade em se melhorar o modelo vigente e, por essa razão, reconheceu o esforço empenhado na elaboração da PEC. “Foi um trabalho de imensa complexidade, de muita qualidade, sobre o qual o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (CONSEFAZ) teve a oportunidade de fazer algumas contribuições e nós, os 27 secretários, apoiamos o texto-base da PEC, que pode vir a sofrer alterações, pois faz parte do debate da democracia, do legislativo, mas nós acreditamos que ali está o pressuposto da mudança constitucional que vai ter enormes benefícios para o país”, reiterou.

O secretário destacou ainda que a caracteriza o ICMS como imposto estadual e o ISS como imposto municipal e classificação entre bens e serviços já são, no Brasil, um dos principais motivos de litígios tributários. “Eu acredito que as dificuldades que a proposta traz num regime de transição tributária podem ser perfeitamente implementadas. Elas estão em geral previstas no relatório. Então as mudanças de origem para destino com o regime de transição, a possibilidade de regimes diferenciados com uma alíquota que não seja única pode ser regulada em lei complementar, embora a gente acredite que não devam ser tantos assim”, disse.

Por fim, o secretário destacou que a PEC contempla a possibilidade de produtos ou serviços de alta sensibilidade social, conforme já realizado no Rio Grande do Sul. “Nós lançamos, nessa semana, o programa Devolve ICMS, que é um modelo que está previsto na PEC 110. Embora não tenhamos mexido na legislação, adotamos como desenho geral, desonerar o público-alvo que ao invés de desonerar o produto. É muito mais eficiente”, constatou.

“Há uma inversão, a meu ver, na condução do país. Se a gente consegue convergir para o fato de que a gente tem um regime tributário ruim, que é preciso melhorar, não é possível que os debates sobre problemas, sobre transições, sobre as questões a serem abordadas, simplesmente empaquem a discussão. É isso que tem acontecido no país nos últimos anos e o resultado não é eficiente”, concluiu.

O último palestrante a explanar foi o empresário contabilista, Márcio Shuch Silveira, que inciou sua exposição falando sobre os aspectos de consenso da PEC, como a urgência de se modificar o sistema tributário, melhor a competitividade das empresas, melhorar a competitividade do país e elevar a segurança jurídica.

Márcio, apesar de apoiar parte da PEC, demostrou preocupação com a ausência da participação efetiva da classe contábil no desenvolvimento da proposta.  “Nós não podemos correr o risco de uma reforma tributária com tamanho impacto na nossa sociedade perder, inclusive, adesão da sociedade por questões técnicas que envolvam a apuração dos tributos, que envolvam as obrigações acessórias”, afirmou.

O empresário destacou o ponto sensível dessa ausência. “A minha preocupação como empresário contábil tem um ponto. Com essa unificação pela IBS, com a criação inclusive de um comitê nacional que vai cuidar das normas da unificação, pode haver, não estou dizendo que vai acontecer, um maior distanciamento desta relação que busca sempre a melhoria do ambiente econômico, disse.

Márcio finalizou sua fala reiterando a importância dessa participação e fazendo um pedido ao relator da PEC 110. “Há um anseio legítimo de quem promove a maior parte das atividades de apuração tributária no nosso país, senão a totalidade. Precisamos ter representação nesse conselho. É obvio que as discussões entre repartição da parcela do tributo, as discussões federativas, nós não queremos votar se a parcela vai para esse estado, se o município tem essa participação. Mas temos que ter o poder de participação na criação das regras tributárias. A nossa participação prévia, antes da implantação desses modelos, é fundamental para o sucesso desse projeto”, finalizou.

A XXXIV Conferência Interamericana de Contabilidade (CIC) e a XVIII Convenção de Contabilidade do RS (CCRS) acontecem até amanhã, dia 21. Informações sobre a programação e visita à Feira Digital de Negócios podem ser obtidas no site dos eventos (https://cic-ccrs.com/).

Por Luciana Melo Costa – Comunicação CFC

Minorais, gays, lésbicas, mulheres e pessoas pretas entram na pauta da CIC e da CCRS

“O Futuro da Contabilidade é mais Plural do que você imagina”, foi o que provaram os palestrantes Robert Juenemann, Daisy Christine Eastwood e Onila Araújo no palco da Conferência Interamericana de Contabilidade e da Convenção de Contabilidade do Rio Grande do Sul, nesta quarta-feira (20). O evento realizado em Porto Alegre (RS), é o maior do ramo contábil da América Latina e acontece até esta quinta-feira (21).

A palestra mostrou a partir do conhecimento e das experiências dos painelistas, uma visão de como é possível tornar a sociedade mais inclusiva para grupo de minorias no país, como o de mulheres, de LGBTqia+ e de pessoas pretas.

O tema foi aberto a partir do relato do contador Robert Juenemann que enfrentou diversos preconceitos ao se assumir como homossexual, aos seus 23 anos. Ele reforçou que discutir a diversidade da orientação sexual é tratar sobre a governança do país. Para ele, as iniciativas nesse aspecto continuam tímidas, inclusive para negros e mulheres.

“Tratar da diversidade de orientação sexual, virou um tema estratégico para as empresas. Mas, isso não é simplesmente pintar um arco-íris no mês do orgulho gay, em julho, e não investir em ações que promovam a inclusão. Mulheres, negros e homossexuais são pessoas. Nós somos pessoas sofridas e justamente por sermos muito sofridos, nós superamos esse sofrimento e o transformamos em força para levar esse assunto até vocês”, disse o contador.

A coordenadora do GT de Diversidade e Inclusão do Conselho Regional de São Paulo, Daisy Christine Hette Eastwood, trouxe, a partir de pequisas, em números, os reflexos das desigualdades no Brasil. “A presença de mulheres em cargos de CEO nas organizações representa apenas 16,4% do total. Além disso, mulheres recebem 22,5% a menos que homens, exercendo os mesmos cargos e as mesmas responsabilidades. Se formos olhar a população negra, 63% dos desempregados em 2017 eram negros. E dos que estavam no mercado de trabalho, 80% dos profissionais não ganhavam mais que dois salários mínimos”, apresentou.

O debate foi seguido pela empresária e contadora Onila Araújo. Vinda de uma família humilde, sendo uma mulher preta e lésbica, ela não entendia como se encaixaria na profissão contábil, devido aos estereótipos da sociedade e achava que não seria respeitada. Segundo a empresária, realmente, ela não chegou a ser reconhecida como contadora. Mas mudou sua trajetória ao enfrentar a sociedade e criar não só a sua própria empresa, como uma rotina flexível e inclusiva para as colegas de trabalho.

“Na minha empresa nós não temos hierarquia, trabalhamos com horário flexível e somos todas mulheres. Eu não acho que uma mulher deve escolher entre ser mãe ou profissional. Por isso, trabalhamos por produtividade. Se os resultados forem apresentados, não há problema em escolher como gerenciar o seu horário”, disse Onila.

Por Ingrid Castilho – Comunicação do CFC