Professores avaliam o ensino remoto em período de pandemia

“Avaliação em tempos de aula remota” foi o tema do webinar realizado, em 19 de novembro, com a participação das professoras integrantes da Comissão de Estudos de Acompanhamento da Área do Ensino Superior do CRCRS, Charline Barbosa Pires Doutora em Ciências Contábeis; Márcia Rosane Frey, Doutora em Desenvolvimento Regional; e Maria Ivanice Vendruscolo, Doutora em Informática na Educação, que atuou como mediadora do debate. Entre os tópicos discutidos, foram abordados a forma como se dá a aprendizagem, os instrumentos avaliativos para mensurá-la e o modo como o professor se apropria dos novos instrumentos virtuais para acompanhar a construção do conhecimento por parte dos estudantes, juntamente com os princípios teóricos que fundamentam as novas práticas.

O cenário de isolamento social produzido pela pandemia exigiu adaptações praticamente instantâneas ao ensino remoto, em um contexto no qual as instituições de ensino não estavam preparadas para uma migração imediata como ocorreu, lembra a professora Maria Ivanice. Segundo ela, a rede particular foi mais rápida em atender às demandas, como recursos de infraestrutura e capacitação do corpo docente para atuar nos ambientes virtuais de aprendizagem. “Esses ambientes foram a nossa salvação, porque têm interfaces que permitem a interação entre professores e alunos e oferecem ferramentas de avaliação”, afirmou. “Atender às perspectivas e manter as funções da avaliação, antes, durante e depois do ensino, permitem acompanhar o processo do aluno, na modalidade remota”, explica a professora. Detectar o que o aluno aprendeu ou não e porquê é essencial para que se tomem as medidas corretivas, a exemplo das recuperações, bem como para que, ao final, seja possível mensurar a aprendizagem, cumprindo, assim, a função classificatória da avaliação.

No segundo momento do webinar, as professoras Charline Pires e Márcia Frey apresentaram relatos de experiências. O uso de questionários e o envio de tarefas via plataformas digitais foram descritos por Charline Pires, que salientou um ponto sensível da avaliação: “a cola”, que talvez fosse mais facilmente evitada no modelo de aulas presenciais. Existem possibilidades tecnológicas que pelo menos dificultam o compartilhamento de respostas nas avaliações, entretanto, “também nos provocam a avançar na reflexão de que, independentemente de o aluno estar ali conosco ou participando de forma remota, é preciso desenvolver instrumentos que nos permitam enxergar o processo desse aluno e o uso que ele faz do conhecimento desenvolvido ao longo das aulas”, ressalta.

A professora Márcia Frey sugere, entre as ferramentas avaliativas, o uso dos bancos de questões, com adaptações e transparência. Quando utiliza uma dessas questões em sala de aula, ela faz adaptações e identifica a origem do exercício no cabeçalho da prova. Isso permite que o aluno vá buscar a questão e a resposta correspondente e acabe desenvolvendo habilidades como atenção, cuidado na leitura para avaliação crítica, salienta.

O material que balizou a discussão no webinar está disponível na TV CRCRS, canal do YouTube.