A profissão contábil abraça a tecnologia da informação

O painel “A importância da tecnologia para o desenvolvimento da profissão contábil” integrou as atividades da tarde do dia 19, trazendo importantes pontos de vista dos presidentes da Ifac, do Glenif, do Cilea e da AIC sobre o tema em questão. O presidente do Conselho Federal de Contabilidade, Zulmir Ivânio Breda, ao abrir o evento e ao atuar como moderador do painel, agradeceu as presenças, enfatizando a participação e o posicionamento de entidades globais da profissão acerca da importância da questão da tecnologia no desenvolvimento da profissão contábil.

Presidente da Ifac, Alan Johnson, participou virtualmente

 

O evento, que aconteceu na modalidade híbrida, contou com a participação virtual do presidente da Ifac, o britânico  Alan Johnson, e  do argentino Jorge José Gil, que é presidente do Glenif.  Marcaram presença o francês Philippe Arraou, presidente do Cilea, e a brasileira presidente da AIC, Maria Clara Bugarim.

No telão, Jorge José Gil, presidente do Glenif

Em uma visão geral, as opiniões dos painelistas convergiram para vários pontos, quais sejam o de que a aliança entre contabilidade e a inovação tecnológica é um caminho sem volta e de que os profissionais da contabilidade devem se adequar às inovações para não se tornarem obsoletos e arrastados por uma avalanche de ferramentas tecnológicas, ou seja, em um rápido resumo, quem não se atualizar e se render às novas tendências se perderá no meio do caminho.

Além disso, todos concordam que a pandemia de Covid-19 trouxe mais celeridade ao emprego dessas ferramentas de trabalho. A revisão curricular dos cursos de Ciências Contábeis também mereceu grande destaque nas abordagens, quando todos corroboraram a ideia de que o ensino contábil precisa dar aos cursos uma nova roupagem, um novo leiaute, apresentando em suas grades disciplinares matérias voltadas à inovação digital.

Além de várias outras análises voltadas a aspectos mais particulares de suas respectivas entidades, os painelistas conseguiram trazer para o público questão comuns primordiais para a saúde e sobrevivência da profissão contábil, demonstrando que ela tem que se reinventar rapidamente a partir da adoção de práticas tecnológicas e de uma reformulação conceitual, partindo de uma nova leitura da profissão. A ideia é que o profissional adote uma postura de assessoramento, saia de trás do bureau e abandone o conceito puro e simples do crédito e débito.

Philippe Arraou, presidente do Cilea, abriu o painel

Philippe Arraou – Ao abrir o painel, Philippe Arraou revelou que tomou consciência da importância da tecnologia digital em viagem feita à França, há sete anos, e que abraçou a ideia da relevância do tema, vindo a apresentar o tema digital ao Comitê na Ifac. Com relação à ideia de que a profissão vai desaparecer, enfatizou que “não vamos desaparecer, pois a Contabilidade vai ser feita de uma outra forma. Por outro lado, afirmou que esse perigo existe se o contador continuar fazendo o serviço básico de introdução de dados, de fazer contas e não se inovar. “Isso realmente vai acontecer; isso pode ser feito de uma forma automatizada, pois já existem plataformas que propõe essa automatização”.

Na visão do presidente do Cilea, a oportunidade para os profissionais seria oferecer mais valor agregado à profissão, dando mais atenção ao cliente no futuro, como, por exemplo, oferecer o devido assessoramento para a tomada de decisões, e essa amplitude de visão é que fará toda a diferença. “Estamos vivendo a automação e existe o processo da tecnologia, que não devemos deixar apenas do pessoal da informática”. Arraou enfatizou ainda que é necessária a presença de profissionais que atuem com a “nossa ética e dentro da contabilidade pública”, ou seja, com a visão de um contador. Por fim, ressaltou que tecnologia não deve ser vista como um risco, mas como uma ferramenta útil para os serviços contábeis.

Jorge José Gil – Jorge José Gil, por sua vez, trouxe a ideia de como a tecnologia afeta o crescimento da profissão, com algumas linhas de mudança para se fazer esta  redefinição, a partir do equilíbrio e de uma visão integral. Ao avaliar sobre o momento pandêmico, ressaltou que a Covid-19 trouxe a necessidade de serem avaliadas novas formas de comunicação e de ensino. “Devemos escolher as prioridades para chegarmos ao resultado adequado. Estamos diante de novos cenários porque existe uma erupção de novas tecnologias cuja Covid-19 acelerou”, assegurou.

Para o presidente do Glenif, a tecnologia é uma ferramenta indispensável para uma serie de negócios, para o ensino e para os processos de auditoria. Ao propor uma estratégia, Gil Gil ressalta que há que se fazer uma campanha de marketing para os  serviços, com o desenvolvimento profissional contínuo, devendo envolver a  tecnologia. Para ele, a profissão está mais bem preparada para lidar com a tecnologia, ressaltando o benefício do que se pode alcançar com o XBRL. “Temos que levar em conta a formação do profissional em tecnologia, promover a educação continuada e usar a tecnologia como uma nova forma de fazer negócios”.

Alan Johnson – Por meio de um vídeo gravado, o presidente da Ifac, Alan Johnson, também teceu seu posicionamento a respeito de como a tecnologia pode impactar os serviços contábeis e os profissionais, asseverando que este é um tema global para a profissão. Assim como os demais palestrantes, Johnson também ressaltou o incremento do uso da tecnologia devido à pandemia, tanto em atividades profissionais como pessoais. Ele também falou sobre a consciência da questão da segurança cibernética e de outros aspectos das transações nas organizações e entre os clientes. “A transformação digital não é nova, mas a Covid-19 acelerou a linha do tempo e aumentou a urgência de abraçar as novas ferramentas digitais para apoiar as organizações e as economias sustentáveis”, disse.

Outro ponto fundamental em sua fala foi afirmar que os contadores do futuro precisarão desempenhar novas funções, muitas vezes com responsabilidade de consultoria em vez de funções exclusivamente técnicas. “Tenho a certeza de que a nossa profissão continuará evoluindo em meio à transformação digital para dominar ainda mais as ferramentas tecnológicas que podem tornar as conexões distantes mais fáceis, mais econômicas e para atender outro objetivo da profissão mais economicamente corretas”, ressaltou. O presidente falou ainda sobre a necessidade de uma educação mais voltada à tecnologia da informação, o sucesso do trabalho da Ifac sobre troca de ideias e melhores práticas dentro da entidade.

Maria Clara Cavalcante Bugarim – A última a dar o recado foi a presidente da AIC, Maria Clara Cavalcante Bugarim. A contadora ressaltou a grande importância da temática para a profissão contábil nos dias atuais. Ao corroborar o posicionamento dos demais painelistas, a presidente da AIC afirma que a profissão contábil jamais irá acabar e que a tecnologia veio para agregar valor e atuar como uma grande aliada. “A tecnologia não é uma ameaça, mas é algo extremamente positivo. Mas, no momento, o aprender a aprender se faz necessário”. Ao falar sobre a mudança de postura que o novo profissional tem que ter, Maria Clara ressaltou que “a transformação digital chegou para valer e por isso temos que mudar a nossa postura”.

Assim como os demais, a contadora também concordou com o fato de que a pandemia potencializou o processo tecnológico na profissão e essa mudança digital foi a virada de chave para se alcançar um novo olhar, uma nova consciência e uma adoção de uma postura diferente que impacte a oferta de produtos e serviços contábeis. Devemos ampliar a importância da nossa profissão. “Com a tecnologia, vamos ter uma contabilidade ainda mais respeitada e fortalecida, que sempre demonstrará a sua essencialidade”. Maria Clara também teceu considerações sobre a importância do ensino e dos currículos, observando que “não podemos utilizar um conteúdo que chegue pronto, pois devemos atuar de perto nesse processo. A tecnologia é primordial. Precisamos motivar a nova geração para que se debruce sobre esse novo e fundamental conhecimento”.

Ao final, os painelistas receberam os certificados de participação.

Por Maria do Carmo Nóbrega – Comunicação CFC