Habilidades e competências necessárias aos contadores são apresentadas no Conexão Contábil

A primeira palestra do segundo dia do Conexão Contábil Sudeste tratou das habilidades e competências do profissional da contabilidade na visão do mercado. O evento acontece nos dias 27 e 28 de julho e reúne mais de mil participantes, em Vitória (ES), no modelo presencial, e pela plataforma Zoom e pelo canal do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) no YouTube, na modalidade digital.

Para falar sobre o assunto, estiveram presentes no painel, o diretor de finanças, estratégia e riscos e tecnologia da informação da ArcelorMittal Brasil, Paulo Wanick, o CEO da Fucape Business School, Valcemiro Nossa, e a presidente da Academia Brasileira de Ciências Contábeis (Abracicon) e ex-presidente do CFC, Maria Clara Bugarim. O presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRCSP), José Aparecido Maion, foi o moderador da apresentação.

Wanick iniciou a sua participação destacando a sua visão sobre a posição dos profissionais da contabilidade no mercado. “Ao nosso ver, o profissional da contabilidade está inserido dentro de um mundo de finanças. Eu costumo dizer que finanças é a língua dos negócios e a contabilidade é a gramática. Para você ter um bom entendimento do negócio, precisa entender de finanças, que é ainda mais abrangente que a Contabilidade, mas, se não falarmos a língua certa, não conseguimos nos comunicar direito, fazer [algo] bem compreendido, e passar uma mensagem adequada para o mercado, para os administradores, para os acionistas, para os demais stakeholders de uma organização e para o mercado de capitais de uma maneira geral”, contextualizou.

O palestrante explicou que os estudantes de Ciências Contábeis, assim como os profissionais já formados, devem ter uma visão mais ampla. “O profissional e o estudante de contabilidade, a meu ver, no meu julgamento, devem ampliar os seus horizontes, sair um pouquinho da caixa somente Contabilidade, olhar um pouquinho mais o espectro da organização, do entendimento do que é uma organização, de como essa organização deve funcionar, quais são os grandes atributos, qualidades, os diferenciais competitivos, as estratégias, os riscos e, entendo isso, terão condições de ascensão, de penetração maior, de empregabilidade”, afirmou.

O representante da ArcelorMittal apresentou algumas pesquisas internacionais e falou sobre tendências disruptivas globais no pré-pandemia que poderiam desafiar e/ou impactar as áreas de finanças e o mercado. Wanick ainda apresentou algumas orientações sobre como essas situações poderiam ser enfrentados pelos departamentos de finanças, que incluem a Contabilidade, assim como as formas de atuação desses profissionais e as competências necessárias àqueles que atuam nessa área, que podem ser diferenciais competitivos.

A apresentação, o olhar e os conceitos de Valcemiro Nossa estavam alinhados com as visões de Wanick. O representante da Fucape destacou os impactos dos avanços tecnológicos e a relevância de o profissional estar preparado para analisar outros aspectos que envolvem a organização. “Tenho que olhar muito a estratégia como um todo, onde que aquela contabilização, mensuração, geração de informação vão ser úteis em algum momento. Se temos um olhar ‘maior’ em relação ao negócio em si, mais utilidade eu consigo dar aos números contábeis”, pontuou.

Dando continuidade, refletiu com o público sobre os impactos da internacionalização, do avanço tecnológico e das mudanças no mercado de trabalho na formação dos futuros profissionais da contabilidade e sobre a necessidade de reformulação dos currículos.

Maria Clara Bugarim iniciou a sua participação destacando que, para estarem aptos ao exercício profissional, os contadores precisam de uma formação sólida e alinhada com as necessidades do mercado.

A presidente da Abracicon expôs ao público a proposta de reforma curricular do curso de Ciências Contábeis, o qual a contadora disse estar “antenada” com as demandas do mercado de trabalho. Bugarim é coordenadora indicada pelo CFC para esse projeto e apresentou aos participantes o desenrolar das atividades, as motivações para a alteração das diretrizes curriculares e os pontos contemplados no documento produzido. A palestrante ressaltou as expectativas em relação ao desenvolvimento da Contabilidade no país. “Queremos, sim, proteger a nossa profissão. Queremos, sim, disponibilizar para o mercado e para as empresas esse profissional apto”, enfatizou.

O Conexão Contábil é um espaço para a promoção da Educação Profissional Continuada, composto de uma série de eventos, realizados gratuitamente e no formato híbrido, com pontuação no Programa de Educação Profissional Continuada (PEPC) do CFC. A iniciativa é organizada pelo Sistema CFC/CRCs e voltado para discussões sobre o futuro e o desenvolvimento da Contabilidade.

Para assistir à palestra, clique aqui.

Por Lorena Molter – Comunicação CFC