CFC solicita à RFB prorrogação do prazo de desenquadramento do Simples Nacional

Com a proximidade do fim do prazo de desenquadramento das empresas inadimplentes do Simples Nacional, previsto para o dia 24, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) solicitou à Receita Federal do Brasil (RFB) a dilação do período. Essas empresas têm até 30 dias para regularizarem as respectivas pendências com o Fisco, a contar da data de ciência do Termo de Exclusão, com desligamento prenunciado do regime tributário no dia 1º de janeiro de 2022.

Em ofício encaminhado à RFB, o presidente Zulmir Breda, signatário do documento, pede a extensão do prazo para o dia 31 de dezembro de 2021, para que as Micro e pequenas Empresas (instituições contempladas pelo Simples Nacional) tenham mais tempo para quitar suas exigências, pois o período determinado é muito exíguo para tal finalidade. No ofício, Zulmir ressalta ainda que o Fisco deve considerar que a situação vivenciada por esse conjunto de empresas é agravada pelas inúmeras dificuldades provocadas pela pandemia da covid-19 na economia brasileira.

Por fim, Zulmir pondera que a razoabilidade do prazo sugerido pelo CFC permitirá que essas empresas inadimplentes possam recuperar a capacidade de negócios de seus empreendimentos, mitigando danos mais graves à economia brasileira, como o agravamento do desemprego, entre outros.

Por Luciana Melo Costa
Comunicação CFC

Maior evento contábil de 2021 é sucesso absoluto: XVIII Convenção de Contabilidade do RS e XXXIV Conferência Interamericana de Contabilidade

Desafio vencido com absoluto sucesso! A XXXIV Conferência Interamericana de Contabilidade (CIC) e XVIII Convenção de contabilidade do Rio Grande Sul (CCRS) fecharam com chave de ouro os três dias do maior evento contábil de 2021. De 19 a 21 de outubro, a PUCRS tornou-se o centro da Contabilidade no continente, reunindo mais de 2.400 participantes – mais de 700 presenciais e cerca de 1.700 on-line – no primeiro grande evento híbrido da profissão após o início da pandemia da covid-19. Cumprindo todos os protocolos sanitários, mais de 40 renomados palestrantes nacionais e internacionais abordaram contemporâneos, que impactam a profissão, divididos em cinco ecossistemas: futurismo contábil, criatividade e tecnologia, sustentabilidade, liderança e desenvolvimento humano, protagonismo político e institucional.

Nas palavras da presidente do CRCRS, Ana Tércia L. Rodrigues, a reunião das tradicionais e consagradas CIC e CCRS “não é apenas sobre Contabilidade. É sobre pessoas, sobre a vida das pessoas!”

Confira as informações detalhadas sobre a XXXIV CIC e XVIII CCRS, nos sites do CRCRS e do CFC e acompanhe no vídeo abaixo, momentos marcantes do último dia do maior evento contábil de 2021.

 

 

Contador revoltado fecha programação da CIC e da CCRS com chave ouro

Gargalhadas! Mas, muitas gargalhadas mesmo. Foram elas que marcaram o fechamento da programação da CIC e CCRS, nesta quinta-feira (21), com o show de stand-up do Contador Revoltado. A apresentação é fruto da criação de Lucas Lima que se tornou um digital influencer após começar a divulgar vídeos relacionados à profissão nas redes sociais.

Lucas Presa, o “Contador Revoltado” | Foto: Marco Quintana / Imprensa CIC-CCRS

Durante o show, Lucas brincou com termos, disciplinas e instrumentos do dia a dia dos profissionais da contabilidade. Dentre eles, o razonete (instrumento didático para desenvolver o raciocínio contábil); a Declaração Comprobatória de Percepção de Rendimentos (Decore); o Imposto de renda; e até mesmo a carteirinha de registro do Conselho Regional de Contabilidade.

O humorista também divertiu o público falando sobre as dúvidas e questionamentos das disciplinas do curso de contabilidade, como por exemplo, Introdução à Contabilidade, Cálculo e Custos. Além disso, citou episódios de clientes que o pediram coisas impossíveis à atividade.

Um dos pontos alto da palestra foi quando o contador compartilhou com os participantes a sua experiência de tirar férias na Disney. “O cliente sempre encontra o contador em qualquer lugar do mundo, inclusive quando ele está de férias. Não existe férias para o contador. Eu na Disney, recebi uma chamada. Eu nem sabia como o meu celular, em outro país, podia estar tocando. Era um cliente. No que eu pensei? Multa. A gente sempre pensa assim”, disse Lima levando o público a risadas.

Ele contou que a ligação era justamente para deixá-lo ciente do prejuízo financeiro de um cliente, com valor altíssimo. “Não consegui relaxar depois. Eu fui para montanha russa e só pensava no valor desse prejuízo”, mostrando no parque temática em que parece estar abatido.

O show prosseguiu com paródias de música e participação do público.

Por Ingrid Castilho
Comunicação do CFC

CIC e CCRS debatem o “Grafeno: uma revolução econômica e tecnológica do século XXI”

A combinação de leveza, flexibilidade, condutividade e a característica de material mais resistente do mundo tornaram o grafeno conhecido como “o diamante do século XXI”. Essa matéria-prima de propriedades quase mágicas, que pode ser usada na produção de visores de celulares, baterias flexíveis, eletrônicos e produtos para a internet das coisas é também um importante ativo que transformou a UCSGRAPHENE na primeira e maior planta de produção de grafeno em escala industrial da América Latina instalada por uma universidade, a Universidade de Caxias do Sul (UCS).

Diego Piazza, coordenador da UCSGRAPHENE | Foto: Jackson Ciceri/Imprensa CIC- CCRS

Na palestra “Grafeno: uma revolução econômica e tecnológica do século XXI”, na tarde deste último dia da 34ª CIC e 18º CCRS, o professor e pesquisador Diego Piazza explicou que a UCS é referência em três áreas: saúde, biotecnologia e materiais. Nessa última, encontra-se a planta do grafeno, uma unidade de negócios da Universidade, cuja expertise foi desenvolvida ao longo de 15 anos de pesquisas avançadas em nanomateriais. A unidade visa o relacionamento focado em aplicações e desenvolvimento de soluções contendo esse material interessante e versátil, capaz de facilitar a próxima geração de tecnologia. Já há acordos firmados e protocolos de intenções com instituições de pesquisa ao redor do mundo. É o caso, por exemplo, do Japão, onde há empresas interessadas.

De acordo com Piazza, entre os objetivos da aproximação com a Contabilidade estão somar forças para identificar produtos industrializados com essa matéria-prima, que possam ser usados pelos profissionais contábeis, bem como buscar o enquadramento tributário adequado do grafeno.

Por Ruvana De Carli
Comunicação CRCRS

Nilton Bonder estimula a reflexão sobre a importância da alegria no mundo dos negócios

O escritor e rabino Nilton Bonder, autor de mais de 20 livros, traduzidos em 18 idiomas e Doutor em Literatura Hebraica, abordou na palestra com o tema “A Arte de se Salvar, o significado e a importância da alegria em nossas vidas”. Com o objetivo de estimular a reflexão, em um momento desafiador que passamos nas áreas de saúde e da economia, Bonder explicou que a alegria não é um sentimento. “Alegria é uma disposição e independe das coisas que acontecem na nossa vida”, esclareceu o escritor que também é presidente do ISER – Instituto Superior de Estudos da Religião.

Aline Gauer e Nilton Bonder | Foto: Marco Quintana/Imprensa CIC-CCRS

Bonder explicou que as pessoas confundem felicidade e alegria. “Alegria não é felicidade. Se coisas que julgamos boas acontecem, ficamos felizes. Estar feliz, ou infeliz, é uma emoção. Existe tantas emoções, que vem da palavra moção, movimento. São movimentos que nós sentimos, de acordo com a vida”, explanou. “E a alegria é um recurso vital que nos coloca dispostos a viver a vida”, afirmou.

A qualidade de vida para o escritor está atrelada também à capacidade de a pessoa resguardar a alegria, mesmo em momentos de conflitos ou perda. “Uma pessoa que não está alegre, vai ficando apática e afeta a capacidade de empreender, de viver. Se não tem capacidade de preservar a alegria, a pessoa encontra dificuldades”, disse.

Bonder fez uma metáfora da alegria do dia a dia de uma criança, com o risco que a zona de conforto pode provocar nas pessoas. “Uma criança se move o dia inteiro, para colocar para dormir, é aquele trabalho, tem que cantar, colocar no carro, enfim. Para uma criança é impensável ir dormir, porque dormir se a vida é cheia de possibilidades? E as pessoas, muitas vezes estão sentadas no trono, na zona de conforto e quando perdem, ficam perdidas. E a alegria espera um movimento. Os grandes empreendedores estão sempre em movimento”, complementou.

Sobre o evento

A XXXIV Conferência Interamericana de Contabilidade (CIC) e a XVIII Convenção de Contabilidade do Rio Grande do Sul vão até a quinta-feira (21). A iniciativa é uma realização da AIC, do CFC e do CRCRS, com a organização da Academia de Ciências Contábeis do Rio Grande do Sul (ACCRGS). Para acessar a página oficial do evento, clique aqui. https://cic-ccrs.com/

Contabilidade eleitoral: uma oportunidade pouco explorada

Um nicho de mercado promissor foi apresentado, nesta quinta-feira (21), ao público da XXXIV Conferência Interamericana de Contabilidade (CIC) e da XVIII Convenção de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CCRS): a contabilidade eleitoral. Os eventos acontecem de forma híbrida e reúnem mais de 1700 participantes na modalidade on-line e mais de 700 pessoas na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre (RS).

Guilherme Sturm; Joaquim de Alencar, moderador; e Haroldo Santos Filho | Foto: Jackson Ciceri/Imprensa CIC-CCRS

A partir do painel intitulado “Contabilidade Eleitoral – O Novo Oceano Azul?”, o coordenador da Comissão de Contabilidade Eleitoral do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Haroldo Santos Filho, e o membro da Comissão Eleitoral do CFC, contador Guilherme Sturm, destacaram as grandes oportunidades que esse ramo da contabilidade pode trazer aos profissionais. Os painelistas também ressaltaram alguns números para ilustrar as oportunidades dessa área.

Sturm falou sobre a quantidade de candidatos que envolvem as eleições brasileiras e o montante de dinheiro que financia uma eleição. “Comparando duas eleições de igual natureza, a eleição que nós temos como referência para o ano que vem é a eleição de 2018. Em 2018, nós tivemos, mais ou menos, 26, 27 mil candidatos e um investimento público nas campanhas, só em Fundo Especial, foi o primeiro ano, foi o nascimento do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o FEFC, de mais ou menos 1,7 bilhões”, explicou. Segundo o painelista, para 2022, é esperado um número parecido ou um pouco menor de candidaturas. Contudo, o financiamento, via FEFC, será de, no mínimo, 4,5 bilhões de reais.

Diante desses números, Santos Filho e Sturm lembraram o público que todo esse montante, necessariamente, precisa passar pelo cuidado, pela gestão, dos contadores. “Na eleição geral passada, não vimos mais que 800 contadores trabalhando. Então, este mercado, abre aspas, está na mão dessa turma, de uma turma muito pequena”, disse Sturm para ressaltar a pequena parcela de profissionais que atuam nesse mercado, que envolve muitos clientes e grande movimentação de capital.  Vale ressaltar que, desde 2012, a presença do contador é obrigatória no processo eleitoral.

Santos Filho também destacou que, atualmente, alguns candidatos contratam contadores por um período de tempo maior do que aquele que compreende o processo eleitoral. “Nós temos candidatos que pedem ajuda hoje, para vocês verem o que é mudança de cultura, que querem que o contador, pela sua capacidade, pela sua expertise, pela sua vocação, acompanhe o partido ou o candidato muito antes até do início do processo eleitoral”, relatou.

O vice-presidente de Política Institucional do CFC, Joaquim de Alencar Bezerra Filho, foi o moderador do painel e contou a história de desenvolvimento e de aprovação dos normativas que envolvem os contadores e o processo eleitoral, na qual o CFC trabalhou ativamente durante anos. O contador também explicou como era o gerenciamento das contas das eleições antes da criação dessas normas. “Quando as prestações de contas eleitorais surgiram no país, com a dinâmica da Justiça Eleitoral, podiam ser feitas e exercidas por qualquer cidadão. Não havia uma obrigatoriedade de ser feita por um profissional da contabilidade e aquilo nos incomodava muito”, lembrou. Após alguns anos de diálogo e da demonstração da essencialidade do contador dentro desse processo, a presença desse profissional tornou-se obrigatória. Dentro desse processo de negociação, segundo Joaquim Bezerra, o CFC, inclusive comprometeu-se a capacitar a classe para a realização dessa atividade.

Esses treinamentos acontecem até hoje. Somente ano passado, foram mais de 30 eventos sobre o assunto. “Nós treinamos 3 mil pessoas diretamente, em todos os estados, e 30 mil pessoas, indiretamente, por meio da participação nos seminários”, informou Santos Filho sobre o alcance dos treinamentos em 2020.

Por Lorena Molter
Comunicação CFC/Apex

Lendas da Contabilidade – Edição especial com Antônio Carlos Nasi: a história da Contabilidade contada por um de seus protagonistas

Na manhã desta quinta-feira, os participantes da 34ª CIC e 18ª CCRS embarcaram em uma viagem no tempo, conduzidos pela lenda Antônio Carlos Nasi, testemunha e protagonista de momentos que escreveram a história da Contabilidade. Com a experiência de quem atua há 60 anos na profissão, 54 dos quais como empresário contábil no ramo de auditoria, o detentor da Medalha do Mérito Contábil João Lyra, honraria máxima da concedida a integrantes da classe, brindou os convencionais com relatos sobre suas vivências, em um bate-papo conduzido pelo presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Zulmir Breda, tendo como debatedoras as presidentes da Associação Interamericana de Contabilidade (AIC), Maria Clara Bugarim, e do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CRCRS), Ana Tércia L. Rodrigues.

Zulmir Breda, apresentador, com a ‘lenda’ Antônio Carlos Nasi, e as debatedoras Maria Clara Bugarim e Ana Tércia L. Rodrigues | Foto: João Mattos / Imprensa CIC-CCRS

Ao apresentar a “lenda” Antônio Carlos Nasi, o presidente Zulmir Breda falou do orgulho de tê-lo como colega e destacou sua reputação ilibada, lembrando sua atuação no final do anos 1980, no CFC, no qual contribuiu para a edição dos Princípios Fundamentais da Contabilidade e das Normas Brasileiras de Contabilidade. Também foi fundador do Instituto de Auditores Independentes do Brasil (Ibracon), a partir da união do  Instituto dos Contadores Públicos do Brasil (ICPB) com o Instituto Brasileiro de Auditores Independentes (Ibai). No CRCRS, foi vice-presidente de Desenvolvimento Profissional (1994-1995) e Controle Interno (1996-1997), nas duas gestões de Olivio Koliver, de quem foi aluno na Universidade.

Dono de um vasto currículo, Nasi se disse honrado com o convite para participar dessa sétima edição do Lendas da Contabilidade – a primeira em formato presencial desde que o programa foi lançado, em setembro de 2020, pelo CRCRS em parceria com a Abracicon. Lembrou sua primeira participação na Conferência Interamericana de Contabilidade, em Porto Rico, no ano de 1974, quando ainda iniciava a trajetória profissional que o levaria à presidência da AIC, de 1999 a 2001, e à construção de um legado que muito contribuiu e ainda contribui com a profissão contábil.

O adolescente que um dia sonhou ser piloto da Varig, tradicional companhia aérea da época, acabou seguindo a orientação do pai e cursando técnico em contabilidade, no Colégio Rosário, tradicional escola da rede particular, em Porto Alegre. O estágio em um escritório de advogacia consolidou o gosto pela profissão contábil e, em vez de ceder aos apelos dos patrões e cursar Direito, o levou a se graduar Ciências Contábeis pela PUCRS, onde hoje se realizam a CIC e a CCRS. “Sou um filho da PUC”, conta bem-humorado, recordando que o campus e seu entorno eram muito diferentes, com terrenos vazios e sem vias pavimentadas.

Emocionada, a presidente Ana Tércia observou a admiração dedicada pela classe contábil a personagens que, como Nasi, são exemplos. “Hoje a sociedade está carente de líderes de verdade como as ‘lendas’ que já abrilhantaram nosso programa. E a série tem esse papel, de resgatar a história da Contabilidade e inspirar os profissionais,” afirmou a presidente do CRCRS.

A experiência de Nasi com as entidades começou ainda na graduação, em 1966, período no qual havia duas chapas concorrendo ao DCE, polarizadas em direita e esquerda. Foi quando o reitor o convidou para se candidatar à presidência diretório, como uma terceira via. Em uma negociação, a reitoria concordou em transformar o terreno baldio defronte ao campus, em campo de futebol. Com essa plataforma, Antônio Carlos Nasi venceu a disputa eleitoral e tornou-se presidente do DCE.

Em 1967, já formado e sem nunca abandonar o exercício da política classista, iniciou sua vida empresarial, fundando, em sociedade com o amigo Arthur Nardon Filho, a Nardon Nasi – Auditores & Consultores, que permanece em atividade, com forte presença no mercado.

Apesar de muito exigido pela profissão e das adversdades, nunca deixou de se dedicar às entidades de classe. Em 1974, por exemplo, não pode estar presente à própria cerimônia de posse como presidente da AIC, em decorrência de um acidente sofrido pelo filho, que ficou mais de 50 dias em coma.

De outro lado, porém, há o reconhecimento por tanta dedicação. A presidente Maria Clara, perguntou sobre o sentimento de ter sido agraciado com a Medalha do Mérito Contábil João Lyra, em 1984. Ele relata que estava no escritório quando recebeu a notícia, que foi como o coroamento da profissão, uma grande realização, em especial, porque foi uma decisão unânime dos 27 CRCs, e “ser reconhecido pelos colegas, é um grande legado”, considerou.

Entre os colegas que também trabalharam pelo engrandecimento da classe contábil, rememorou também o nome de Ivan Carlos Gatti que, já no ano de 1984, lançou o lema “Contador: a grande profissão do ano 2000”, uma máxima que, segundo Nasi, o ex-presidente do CRCRS (1986-1989) levou para a vida e que pautou sua atuação como presidente do CFC (1990-1993), onde revolucionou a estrutura do Conselho e da profissão.

Nasi salientou, ainda, seu vínculo com a educação, que foi além da função como professor universitário. Quando era vice-presidente do CRCRS, levou o Conselho a participar da Feira das Profissões, realizada no estacionamento do Shopping Iguatemi. No primeiro ano, constatou que poucos estudantes se interessavam em conhecer a Contabilidade como opção para o vestibular. No segundo ano, produziu um folder, com informações sobre a profissão e o resultado foi a conquista de alunos que ingressaram nos cursos de Ciências Contábeis já no ano seguinte. De lá para cá, a profissão só faz crescer e hoje figura entre as mais atrativas do País.

Lamentando ter deixado o magistério e dizendo-se muito orgulhoso de figurar entre os fundadores do Ibracon, a ‘lenda’ declarou: “eu amo a Contabilidade!” Ele recomendou a todos que “estudem, estudem, estudem”, fazendo como ele que nunca estudou tanto, principalmente para aprender sobre tecnologias.

Em resposta, a presidente Ana Tércia reiterou que a CIC e a CCRS não são sobre Contabilidade, mas sobre pessoas, sobre a vida das pessoas, e sentenciou: “Nasi, a Contabilidade também te ama!”

Essa edição especial foi a sétima da série “Lendas da Contabilidade”, lançada em setembro do ano passado, e a primeira em formato presencial. As edições anteriores do Lendas da Contabilidade estão disponíveis na TV CRCRS, no YouTube.

Por Ruvana De Carli
Comunicação CRCRS

O papel crucial do contador no lançamento do IPO para as empresas

No painel sobre a Participação dos Contadores na Estruturação de Governança das Empresas para IPOS e A Captação De Investimentos, os palestrantes Sérgio Laurimar Fioravanti, Thiago Grechi e Rafael Biedermann Mariante destacaram a grande oportunidade que as empresas têm quando decidem fazer uma IPO, ou seja, em tradução para o português, uma oferta pública inicial de ações na bolsa de valores, em relação à busca de capital.

Letícia Medeiros, Sérgio Laurimar Fioravanti, Tiago Grechi e Rafael Biedermann | Foto Jackson Ciceri / Imprensa CIC-CCRS

Contudo, ressaltaram que a jornada para essa tomada de decisão, em transformar o negócio em uma empresa de capital aberto, demanda uma bem estruturada organização contábil e de governança para o sucesso do lançamento das ações, bem como a plena continuidade dentro desse lucrativo, mas exigente cenário.

O contador e auditor Sérgio Laurimar Fioravanti, consultor em finanças, com 28 anos de experiência em auditoria, destacou que a aderência ao IPO exige uma mudança de mentalidade dos empresários, em relação à prestação de contas da empresa. “O empresário está preparado para dividir o poder? A partir do momento do IPO, ele vai perceber que a empresa tem novos sócios. Ele está disposto a abrir os números do balancete para todos? Tem que mudar o pensamento”, ponderou Fioravanti. “Muda o modo de agir dos executivos. Muda, pois agora eu tenho que prestar contas a alguém constantemente. Não só trimestralmente, mas quando demandado”, alertou.

Fioravanti também ressaltou que a aderência ao IPO é importante para sinalizar a longevidade do negócio e destacou que os pilares de governança devem estar bem sólidos nas empresas e as informações repassadas ao mercado devem ser transparentes. “Ética em primeiro lugar. O mercado não compra informação, não precisa. Os procedimentos devem ser transparentes, qualquer deslize compromete o processo”, destacou.

Para a abertura de capital ao mercado é importante que as empresas avaliem a aplicação de compliance, a implementação de gestão de risco, o valuation, o plano de negócios, entre outros quesitos. Para Fioravanti, “o contador deve assumir o papel de protagonista no processo de abertura de capital”.

O Chief Financial Officer (CFO) da Neogrid, Thiago Grechi, profissional com mais de 15 anos em empresas no Brasil e no exterior, falou sobre a complexidade e dificuldade da preparação da documentação para a efetivação do processo de lançamento das ações de uma empresa na bolsa de valores. “É um processo dolorido para a empresa, no sentido de esforço. Quanto mais preparada, mais estruturada a empresa, mais fácil. Quando inicia parece uma maratona, mas depois, em três, quatro meses, parece uma corrida de 100 metros para empresa como um todo, equipe de contabilidade, controladoria e todos que estão envolvidos no processo”, afirmou Grechi. “Todo o empreendedor precisa pensar que o IPO não é um final.  Muitos empreendedores pensam em fazer liquidez com essa ação, porém, o IPO é um novo começo”, ponderou.

O expert em finanças disse que muitas empresas desistem no meio do caminho quando iniciam o processo do IPO e reforçou que para avançar a esse nível, a “empresa tem que estar muito bem organizada, pois entra em um nível de governança muito alto”.

Na preparação da documentação, de acordo com Grechi, além da sintonia de uma boa estrutura organizacional, primeiro é importante formar o consórcio de bancos, com dois ou três bancos e a contratação de advogados, locais e internacionais. “O processo passa pelo conselho fiscal, administrativo, pela auditoria interna e por um comitê de auditores. Os advogados fazem análise dos sócios, dos administradores, para poder realizar essa abertura de capital. Importante uma auditoria dos três últimos anos para ficar dentro do mesmo padrão”, elencou.

Em seguida, para encerrar o painel, Rafael Biedermann Mariante, sócio da PwC Brasil e Presidente da ADVB/RS, disse que contadores e administradores têm um papel crucial,nessa visão do IPO para as empresas. “Eu brinco que são os contadores e os auditores que vão virar as noites nesse processo”, descontraiu, em relação ao exigente trabalho.

Segundo Biedermann, o documento mais importante para a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para a abertura de capital é a demonstração financeira. “É importante explicar para os stakeholders, que aquele documento, as demonstrações financeiras, é o que vai ser mais escrutinado. O relatório de auditoria não pode ter ressalva. Os órgãos reguladores não aceitam ressalvas”, disse, destacando que é um trabalho que pode ser executado em curto prazo, mas normalmente demanda até três anos.

O experiente profissional também ressaltou que é importante o contador saber os planos da administração com antecedência para que quando for tomada a decisão pelo IPO, o trabalho possa ser realizado com mais fluidez, sem atropelos. “Quando a gente sabe o plano dos administradores, se consegue uma melhor preparação. Menos doloso fazer essa jornada com a empresa”, finalizou.

Sobre o evento

A XXXIV Conferência Interamericana de Contabilidade (CIC) e a XVIII Convenção de Contabilidade do Rio Grande do Sul vão até a quinta-feira (21). A iniciativa é uma realização da AIC, do CFC e do CRCRS, com a organização da Academia de Ciências Contábeis do Rio Grande do Sul (ACCRGS). Para acessar a página oficial do evento, clique aqui. https://cic-ccrs.com/

Comunicação CFC/APEX

Arthur Bender faz público refletir sobre reputação, propósito e carreira

Você já se imaginou como uma marca ou saberia se gerir como uma? As respostas a essas perguntas deram a tônica da apresentação do empresário e escritor, Arthur Brender, no painel intitulado “Personal Branding, Propósito e Carreira”. A explanação deu início às atividades do terceiro e último dia (21) de realização dos eventos XXXIV Conferência Interamericana de Contabilidade (CIC) e a XVIII Convenção de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CCRS).

Arthur Bender | Foto: João Mattos/Imprensa CIC_CCRS

Brender, que é especialista em estratégia e branding, autor dos livros “Personal Branding – Construindo sua Marca Pessoal” e “Paixão e significado da marca – Ponto de virada de marcas pessoais, marcas corporativas e organizações”, fez os espectadores refletirem sobre como as pessoas nos percebem a partir das informações (verbais e não verbais) que transmitimos a elas.

“Todos nós nos tornamos uma palavra que tem o poder de abrir portas, o poder de atrair outras pessoas, que tem o poder de gerar valor, que tem o poder de empolgar outras pessoas, ou temos uma palavra que fecha portas, que nos exclui das redes, que deleta s os convites, que faz com que as pessoas não percebam nosso valor”, afirmou.

Partindo desse raciocínio, o painelista lembrou que a percepção alheia é uma construção de longo prazo que edificamos em nossas vidas pessoais e profissionais. Na sequência, Bender lançou um questionamento para a plateia: Que palavra te resume?

“Eu conheço gente que não tem a mínima ideia de que palavra os resume. Tem gente que tem problemas na vida, tem gente que parece que a carreira não decola, mas não se dá conta de que muitas vezes é esse adjetivo que funciona como uma âncora para manter a pessoa no passado e não prospere”, ponderou.

 O especialista destacou que esses adjetivos que nos resumem vão sendo acumulados ao longo da vida, constituindo nosso patrimônio imaterial e que assume grande valor para o mercado profissional, pois é a partir desse patrimônio que definimos nossa reputação.

“Em algum momento, essa palavra (reputação) tem um poder muito grande em nossas vidas. A gente pode viver dessa palavra, a gente pode ganhar dinheiro com essa palavra ou a gente pode passar a vida inteira se defendendo dela”, declarou.

Bender lembrou ainda que a reputação, muitas vezes, nos precede, e isso é determinante à definição de uma escolha, uma definição profissional. O painelista exemplificou a afirmação ao falar sobre uma entrevista de emprego. Dependendo de como nos referenciarem, isso afeta a dinâmica do processo de escolha (fera ou mau profissional). “A reputação desequilibra as negociações mesmo antes de elas acontecerem”, disse.

O painelista discorreu ainda sobre como se forma uma reputação: “por meio da imagem pessoal, das atitudes e da obra que construímos”. Arthur destacou que a imagem é algo muito importante e não deve ser jogado na vala do fútil. “Somos um painel multimídia emitindo a todo tempo sinais”, acrescentou.

O painelista falou ainda sobre o autoconhecimento, a importância do próprio entendimento para assim poder descobrir o propósito de cada um e conferir significado às próprias ações. “Significado como propósito de vida. O ser humano precisa disso”, concluiu.

A XXXIV Conferência Interamericana de Contabilidade (CIC) e a XVIII Convenção de Contabilidade do RS (CCRS) acontecem até o final da tarde de hoje. Informações sobre a programação e visita à Feira Digital de Negócios podem ser obtidas no site dos eventos (https://cic-ccrs.com/).

Por Luciana Melo Costa
Comunicação CFC