Artigo: Gestão sustentável e o conceito dos seis capitais

A Revista Master do CRA-RS, edição nº 168, na página 27, traz artigo sobre Gestão Sustentável e o Conceito dos Seis Capitais, assinado pela presidente Ana Tércia. Confira!

Muito se tem falado sobre Sustentabilidade e a abordagem Environmental, Social and Corporate Governance (ESG) como direcionador dos novos modelos de negócios inovadores e sustentáveis.

Inovadores porque é, praticamente, impossível pensar em avanços, que não passem por uma reavaliação de tudo que foi feito, até agora, em termos de decisões empresariais e que resulta em um estágio de desenvolvimento tecnológico altamente avançado com um custo socioambiental igualmente elevado.

Para continuarmos avançando nas conquistas da humanidade e sonhar com as próximas férias espaciais, além de gerar muito recurso financeiro, será preciso repensar a gestão de pessoas, a governança, a relação com o meio ambiente, com os concorrentes, com os stakeholders, a gestão dos recursos físicos, intelectuais e reputacionais.

O modelo dos seis capitais permite uma reflexão importante e um olhar difuso sobre os diferentes aspectos a serem considerados na gestão de negócios que quiserem se intitular sustentáveis, éticos e inclusivos.

Os seis capitais são o financeiro, manufaturado, intelectual, humano, social/de relacionamento e natural. Todos eles representam recursos que ingressam na empresa ou são gerados internamente, sofrem um impacto da atividade produtiva e afetam o mercado de diferentes formas. Se imaginarmos o mercado como algo dinâmico e como um macroambiente gerenciador dos mesmos recursos, faz-se necessário que cada empresa, no contexto de sua atividade empresarial, promova o máximo possível de esforço para potencializar a devolução desses capitais ao mercado melhor do que os recebeu. O recurso financeiro deve ser maximizado para os investidores, fornecedores, financiadores e sistema tributário; o recurso manufaturado deve ser manuseado com segurança, qualidade obedecendo às regulações e normas específicas para cada negócio; o recurso intelectual precisa estar em constante aprimoramento pelo uso da inovação e desenvolvimento de tecnologias avançadas, que permitam uma competitividade crescente e valor agregado aos produtos e serviços; o capital humano precisa ser estimulado por meio de lideranças responsáveis e humanizadas, que priorizem o cuidado com a saúde física e mental dos colaboradores acima do atingimento de metas e indicadores quantitativos; o capital social e de relacionamento envolve os conceitos de Responsabilidade Social e de Cidadania Corporativa, que levam em consideração a interação com a comunidade, campanhas que promovam cultura, educação e atuação ativa na mitigação de problemas sociais estruturantes, promoção da inclusão, pluralidade e adesão aos princípios do Pacto Global. Por último, mas não menos importante, o capital natural inclui a preocupação com a gestão ambiental, logística reversa, gestão de recursos sólidos, recursos hídricos, preservação de florestas, redução das emissões dos Gases do Efeito Estufa (GEE) e todas as demandas relacionadas aos eventos climáticos.

O ambiente corporativo tem muito trabalho pela frente, começando pelo desafio de conhecer, escolher e implementar os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), para então almejar alçar voos mais altos rumo ao futuro promissor.

Contadora Ana Tércia L. Rodrigues – 18Presidente do CRCRS