Minorais, gays, lésbicas, mulheres e pessoas pretas entram na pauta da CIC e da CCRS

“O Futuro da Contabilidade é mais Plural do que você imagina”, foi o que provaram os palestrantes Robert Juenemann, Daisy Christine Eastwood e Onila Araújo no palco da Conferência Interamericana de Contabilidade e da Convenção de Contabilidade do Rio Grande do Sul, nesta quarta-feira (20). O evento realizado em Porto Alegre (RS), é o maior do ramo contábil da América Latina e acontece até esta quinta-feira (21).

A palestra mostrou a partir do conhecimento e das experiências dos painelistas, uma visão de como é possível tornar a sociedade mais inclusiva para grupo de minorias no país, como o de mulheres, de LGBTqia+ e de pessoas pretas.

O tema foi aberto a partir do relato do contador Robert Juenemann que enfrentou diversos preconceitos ao se assumir como homossexual, aos seus 23 anos. Ele reforçou que discutir a diversidade da orientação sexual é tratar sobre a governança do país. Para ele, as iniciativas nesse aspecto continuam tímidas, inclusive para negros e mulheres.

“Tratar da diversidade de orientação sexual, virou um tema estratégico para as empresas. Mas, isso não é simplesmente pintar um arco-íris no mês do orgulho gay, em julho, e não investir em ações que promovam a inclusão. Mulheres, negros e homossexuais são pessoas. Nós somos pessoas sofridas e justamente por sermos muito sofridos, nós superamos esse sofrimento e o transformamos em força para levar esse assunto até vocês”, disse o contador.

A coordenadora do GT de Diversidade e Inclusão do Conselho Regional de São Paulo, Daisy Christine Hette Eastwood, trouxe, a partir de pequisas, em números, os reflexos das desigualdades no Brasil. “A presença de mulheres em cargos de CEO nas organizações representa apenas 16,4% do total. Além disso, mulheres recebem 22,5% a menos que homens, exercendo os mesmos cargos e as mesmas responsabilidades. Se formos olhar a população negra, 63% dos desempregados em 2017 eram negros. E dos que estavam no mercado de trabalho, 80% dos profissionais não ganhavam mais que dois salários mínimos”, apresentou.

O debate foi seguido pela empresária e contadora Onila Araújo. Vinda de uma família humilde, sendo uma mulher preta e lésbica, ela não entendia como se encaixaria na profissão contábil, devido aos estereótipos da sociedade e achava que não seria respeitada. Segundo a empresária, realmente, ela não chegou a ser reconhecida como contadora. Mas mudou sua trajetória ao enfrentar a sociedade e criar não só a sua própria empresa, como uma rotina flexível e inclusiva para as colegas de trabalho.

“Na minha empresa nós não temos hierarquia, trabalhamos com horário flexível e somos todas mulheres. Eu não acho que uma mulher deve escolher entre ser mãe ou profissional. Por isso, trabalhamos por produtividade. Se os resultados forem apresentados, não há problema em escolher como gerenciar o seu horário”, disse Onila.

Por Ingrid Castilho – Comunicação do CFC